Beyound Two Souls - Myrella Von Horn

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Beyound Two Souls - Myrella Von Horn

Mensagem por Black Thief em Ter Jan 23, 2018 7:26 pm

Trilha Sonora:

Once upon a time we were stronger than we are now, you and me...

In our restless dreams, in a far memory, in a far world...

We knew both each other well.

Like water and fire, wind and earth, light and dark...

You did had seen the best in me that no one else saw...

In another world, in another life... we have been the best of friends, you were in my heart and I was in yours.

The dark inside of me don't was a mistake, but its light was a hit

I was dead in so many ways, and you save me in almost all of them.

Now the darkness obfuscates your mind and, and from here... there's nothing I can do.

In another life, in another time, in another space, we're friends, but in this life, we will be enemies, but I know you and myself well enough to say that you can do it... You can change this.

And for that I need you to find me again, and now, I will teach you how...

~~ A Friend...

Myrella despertava em sua cama. O sol raiava pela janela de vidro trazendo luz ao quarto claro da Garou. Sim... Myrella havia passado pela sua primeira mudança a poucas semanas e agora estava para fazer seu ritual de passagem, hoje seria esse grande dia. Seu irmão Gael estava feliz pela irmã mais nova, todos haviam pensado que Gael seria o escolhido de Gaia, aquele que passaria pela primeira mudança, tal como sua mãe havia passado, mas não foi o que ocorreu. Seu pai Ryan era um Parente e havia falecido em um acidente de carro, mas para Myrella, aquilo já era algo que conseguira lidar... Fazia algum tempo desde o falecimento de seu pai e agora sua mãe Fianna Theurge fazia a tarefa de mãe, pai e mentora Garou. Todos haviam ficado assustados quando a jovem havia sofrido o seu próprio acidente poucos antes de sua primeira mudança, aquilo fizera com que todos ficassem com o coração na boca, mas felizmente ela havia ficado bem e se lembrava de algumas coisas, a maioria, seu irmão Gael e sua mãe havia lhe contado a maior parte do que sabia, enquanto o restante ela comprovava por fotos e escritos antigos.

Eram oito horas da manhã e desde que passara por essa nova mudança seu apetite parecia ter aumentado consideravelmente, ela sabia que sua família estava lá em baixo, todos provavelmente esperando que Myrella acordasse naturalmente para recebê-la, tios, avós, primos, irmão e mãe, tomar café da manhã em família e desejar-lhe boa sorte no seu ritual de passagem. Embora Myrella soubesse que sua mãe seria quem a julgaria no ritual de passagem, sabia que a partir do momento que saíssem de casa não seriam mais mãe e filha, seriam anciã e filhote. Não fora informada à aspirante de Fianna o que lhe era reservado, mas ela sabia que o que estava sendo reservado ela levaria consigo por toda a vida.


OFF:
Pode parecer estranho, mas é isso mesmo, não se preocupe, li a sua ficha, apenas siga o jogo, tudo faz parte do show! Sobre o texto inicial, é algo que Myrella não se recordará quando despertar, porém pode interpretar os pensamentos diante dessas palavras antes do despertar se quiser. Sobre a mãe de Myrella, como não definiu um nome para ela no prelúdio, a hora é agora,
se quiser também fique a vontade para escolher um avatar para mamis.
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Re: Beyound Two Souls - Myrella Von Horn

Mensagem por Klauss K. em Ter Jan 23, 2018 10:29 pm

Tópico movido para o lugar correto
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Re: Beyound Two Souls - Myrella Von Horn

Mensagem por Freya em Ter Jan 23, 2018 11:28 pm


A ansiedade era algo claro quando os raios do astro rei e seu calor marcaram a manhã do que poderia ser mais um dia comum, se não fosse o dia em que eu passaria pelo teste. O dia em que a pequena filhote se tornaria parte efetiva da Nação Garou, dia em que agora eu não seria mais uma criança idiota que não levavam a sério. Demorei a abrir os olhos, tentando me convencer que não seria a coisa mais difícil do mundo, o que foi fácil quando ponderei sobre o que acontecia depois que éramos elevados ao primeiro posto. A luta contra a Wyrm não terminaria tão cedo e era letal para a maioria de nós. Por que eu deveria ter medo, então, de um simples teste? Empurrei as cobertas com as mãos e deslizei as pernas para fora da cama. Os pés nus tocaram o tapete felpudo aos pés da cama e quando me levantei, ainda meio desajeitada pelo sono, a camisola de cetim cobriu parcialmente as coxas agora que estava de pé, pois havia se levantado parcialmente enquanto me revirava em um sono inquieto.

Apesar de saber que já me esperavam lá para o café, eu não queria aparecer para minha amada família descabelada, com remelas nos olhos, hálito desagradável e qualquer outro sinal de quem havia acabo de sair da cama. Caminhei até o armário, pegando uma calça jeans, blusa negra de mangas compridas e tênis confortáveis. Eram roupas que se misturavam bem a multidão e, bem, já estavam dedicadas mesmo. Se me transformasse, não iria as perder. Do armário, fui para o banheiro do meu quarto e comecei a me despir, deixando as roupas que tirava jogas aleatoriamente no chão e as roupas limpas dobradas cuidadosamente sobre a tampa do vaso. Liguei o chuveiro e temperei a água para ficar morna, momento em que entrei embaixo da torrente liquida para me lavar. O fluxo de pensamentos tocados pela preocupação e incerteza, pela primeira vez naquele dia, me encontrou.

Por que Gaia havia escolhido a mim, ao invés de Gael? Não fazia a menor ideia. Claro, sabia que meu tão amado irmão tinha outras funções nos planos de Gaia e podia fazer coisas que eu jamais poderia. Eu sofreria eternamente com a fúria, a prata sempre seria minha inimiga nas outras formas - especialmente na crinos - e a Tribo, tal como a nação, esperava mais de mim do que dele. Mas havia ali coisas que eu fazia que ele nunca iria experimentar. Havia tido sorte de nascer com Gnose, o que lhe daria capacidade de aprender alguns dons e usar fetiches, mas era só. Eu havia assumido para mim a obrigação de cuidar dele e o proteger. Família era importante e ele era meu amado irmão mais velho.

Claro que uma parte de mim esperava que meu irmão assumisse alguns papeis na sociedade garou, mas nada que ele não pudesse fazer sem problemas e não lhe fosse agradável. Ele tinha talento com a cura e era bastante sociável, então por que não seguir carreira médica e, quando fosse preciso, também cuidar da parte sociável?  Eu não me iludia, sabia que não era sempre que garous conversavam e contavam coisas abertamente a outros. Tampouco a confiança era automática e absoluta. Mas quem desconfiava de um Parente com aparência selvagem e que se importava tanto com as demais pessoas? Mas a ideia de obrigar ele a roubar informações de outras pessoas, casa-lo a força ou quaisquer coisas semelhantes nunca passaram pela minha cabeça. Fiannas vivem a vida ao máximo e imposições apenas atrapalhavam aquilo. Mesmo sem o lobo em si, Gael tinha o nosso sangue e merecia ser tratado com todo o respeito. Não importava se ele virava uma criatura coberta de pelos de mais de dois metros de altura ou não, merecia o mesmo respeito que daria a alguém com o posto igual ou superior ao meu na hierarquia garou.

Morgana, quero dizer, mãe - e espero de coração que ela não leia mentes ou estaria um tanto quanto encrencada por não poder chamar ela assim - havia me dito em algum momento de meu treinamento sobre Samuel “Peleiro” Haight quando perguntei porque alguns garous viam tão mal os pobres Parentes. Como guardiã da história da Nação e suas seitas, achava justo entender esses detalhes. E foi quando percebi que os guerreiros de gaia eram bastante lentos para perdoar os inocentes pelos crimes de meia dúzia de loucos. Claro, havia outros como Haight, mas era culpa de nossa arrogância e orgulho. A história não havia lhes ensinado nada? Precisariam novamente de peleiros? Bufei de raiva com a ideia da limitação mental dos garous no que dizia respeito aquilo e desliguei o chuveiro após remover o condicionador os cabelos ruivos.

Após me secar bem e envolver os cabelos em uma segunda toalha, deixando-a ali para absorver o máximo de umidade possível, comecei a me vestir e ao terminar terminei a higiene básica, escovando os dentes. Penteei os cabelos, passei creme para pentear nas pontas e comprimento - mas nunca perto da raiz -, coloquei o colar que ganhei de Gael no pescoço e sai do banheiro e depois do quarto. Agora estava pronta para enfrentar minha família naquele dia.

Bom dia, pessoal! Não começaram sem mim, né? Ah, obrigada por me esperarem... Realmente muito gentil da parte de vocês. Como foi a noite? Descansaram bem? — Cumprimentei animada assim que chegasse onde eles estivessem e, bem, era um pouco claro que estava um tanto quanto ansiosa com o que viria. O dia dificilmente seria fácil para qualquer um de nós, mas nada impedia de ser bom, de um modo ou de outro. Morgana teria que esquecer quaisquer vínculos comigo, seja como filha ou mentora, e me avaliar com mesmo rigor que avaliaria qualquer outro. Gael provavelmente ficaria naquele estado de nervos que apenas uma boa comida com litros de alguma bebida - não alcoólica - poderiam resolver. E eu? Bem, não fazia a menor ideia do que deveria esperar.

Poderiam me testar em combate? Gaia queira que não, porque eu sou terrível com combates. Compor uma música, poema ou semelhante? Se fosse isso, não seria a coisa mais complicada do mundo. Seria complicado compor algo sobre um completo desconhecido, sobre algo que não sabia e com uma juíza rígida que leria e, posteriormente, poderia me recordar “sutilmente” de meu fracasso caso não fosse perfeito. Poderia também ser um pouco dos dois. Após lutar contra outro garou - talvez um filhote, talvez mais graduado -, compor uma canção sobre ele independente do resultado da luta. Homenagear alguém que me derrotara na frente de outras pessoas - parceiros em potencial, anciões, garous menos graduados e quem mais estivesse por lá - era uma tarefa complicada. Exigia deixar o orgulho ferido de lado e dizer sinceros elogios caso fosse merecido e, caso realizasse criticas, ser o mais delicada possível. Em caso de uma vitória, o que particularmente me parecia improvável, deveria cantar sobre sua coragem, determinação e, acima de tudo, do comportamento honrado ao ser derrotado e não reagir com mais... Violência ou de forma igualmente ruim.

Eu espero não colocar todo meu café da manhã para fora durante o meu teste... Com a fome que estou ultimamente, poderia comer um elefante inteiro e talvez até sobre espaço para um boi ou leitão... — O comentário não foi destinado a ninguém em especial. Possivelmente um pensamento em voz alta, algo que não importava tanto. A imagem mental de um olhar de minha mãe, que parecia despir minha alma e ver através dela, se fez e quase ri de nervoso. Sim, era difícil controlar acessos de nervosismo, raiva e qualquer outra emoção quando se é um Fianna. Não surgimos para meios termos, para autocontrole e essas coisas tão... Idiotas e sem motivos. A vida não existia para isso. Devia ser vivida como se todos os dias fosse o último, afinal um dia seria mesmo. Quando me perguntassem o que fiz da vida, diria sem medo que eu vivi e aproveitei-a como devia.

Para tal coisa, porém, sabia o que precisava. Honra e sabedoria. Aprender com o passado e não cometer os mesmos erros. Lutar pelo que é certo e digno, respeitando as diferenças... Enfim, havia muita coisa envolvida naquilo. Mas para que se preocupar com todas essas formalidades agora.

Aparência - Morgana
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Re: Beyound Two Souls - Myrella Von Horn

Mensagem por Black Thief em Qua Jan 24, 2018 9:38 am

Trilha Sonora:

Myrella finalmente descia após estar totalmente preparada, com as roupas dedicadas que sua mãe e mentora Morgana haviam dedicado para ela nesse dia tão especial. A aspirante a Fianna sabia que aquela roupa do corpo era a única coisa dedicada que tinha no momento, utilizando a Gnose da própria Morgana já que Myrella ainda não sabia o Ritual de Dedicação do Talismã.

Quando descera vira que estavam todos lá, inclusive os empregados, havia uma grande faixa na enorme sala da mansão escrita "Boa sorte Myrella", seus tios Brendon, Kennedy, Liam, Ronam estavam lá assim como com tia Allanah, Erin, Keri, Lile, vovô Kyla e vovô e vovô Caffar e vovó Rois. Vovó Shawna e vovô Slaine eram guerreiros de Gaia e já haviam se juntado a ela depois de cair em combate. Haviam também os primos Murphy e Neal, as primas Ione e Dairine. Murphy e Neal eram adultos, Neal era um Garou Fianna Fostern e Phillodox e Ione uma Ragabash da mesma tribo porém ela era pouca coisa mais velha que Myrella, da idade de Gael. Dairine ainda era uma criança de dez anos e se fosse passar pela primeira mudança ainda era um mistério mas menina já era inspirada com estórias sobre grandes guerreiras Garou e sua prima se tornar uma também a encheu de esperança.

Todos batiam palmas sorridentes para Myrella à medida que ela descia as escadas vendo todo mundo. Mais do que nunca Myrella se sentia especial, aquele era o seu dia e todos sabiam disso, sentia-se, se não uma princesa, uma guerreira, ou quem sabe os dois juntos. Gael e Morgana foram os primeiros a se aproximar da Filhote para cumprimentá-la, Gael e Morgana davam parabéns para a filha e irmã e tão logo os dois conduziam Myrella ao restante da família.

Myrella escreveu:- Bom dia, pessoal! Não começaram sem mim, né? Ah, obrigada por me esperarem... Realmente muito gentil da parte de vocês. Como foi a noite? Descansaram bem?

Todos se aproximavam quase formando uma roda, a primeira e mais rápida a vir foi sua priminha Dairine que veio correndo.

- MI MI MI!!!

Dairine era bem ativa, levada e temperamental, se fosse uma Garou seria uma Ahroun. Ela chegava e abraçava a prima. Tão logo todos se aproximavam e diziam que estavam bem e que estavam ansiosos por Myrella, não começariam nada sem ela, vovó e vovô tinham dito que ela tinha que comer bastante pra ter energias para hoje, o primo Phillodox soltou palavras inspiradoras e motivacionais para Myrella que até conseguiram dar a ela mais confiança do que ela mesma tinha se dado no inicio dessa manhã. Logo depois da familia em roda cumprimentar Myrella, vieram os empregados, eles mesmos não sabiam exatamente o que Myrella estava comemorando, eles só sabiam que isso era algo de família e não ficavam questionando nada, foram incentivados a isso e visto que ganhavam bem e eram bem tratados fora um ótimo acordo.

Todos foram então para a sala comunal onde uma grande mesa com a comida matinal favorita de Myrella era servida. Como sempre, a líder da família, a matriarca Morgana estava no final da mesa e Myrella sentava-se ao lado dela.

Myrella escreveu:- Eu espero não colocar todo meu café da manhã para fora durante o meu teste... Com a fome que estou ultimamente, poderia comer um elefante inteiro e talvez até sobre espaço para um boi ou leitão...

Gael: E é exatamente o que vai acontecer irmãzinha, então deixa que eu como por você!

Gael então já ia com o garfo para petiscar algo do prato da irmã por tranquinagem. todos conversavam entre si, o primo Neal estava de frente à Myrella e começava a falar do seu próprio ritual de passagem, até que viu que Morganava dirigia à ele um olhar sério e um pouco repreendedor.

Neal: Ahm... Mas você vai descobrir tudo no tempo certo do seu...

E então deu um sorriso amarelo para a matriarca.

Morgana virava-se para Myrella e dizia:

- Querida, Bacster, Jouline e Cassandra irão passar aqui para te cumprimentar antes de irmos, está bem?

Esses eram a matilha de sua mãe Morgana. Cassandra era a Alpha mas Morgana era a Beta. Cassandra era uma Presas de Prata Ahroun, Jouline uma Ragabash das Fúrias Negras e Bacster também um Ragabash nerd dos Andarilhos do Asfalto.

Antes que Myrella pudesse responder, ela ouvia uma Dairine enérgica e saltitante saindo do seu lugar da cadeira e indo até o lado de Myrella.

Dairine: MI MI MI, Eu posso escolher seu Nome Garou??? Posso, posso posso????

Tia Erin que era mãe de Dairine dizia do outro lado da grande mesa:

- Dairine! Deixe sua prima comer em paz, senta aqui menina!!!

OFF:
Um detalhe importante que esqueci de dizer no primeiro post. Apesar dos papeis estarem trocados até o momento, as fichas não, com algumas adaptações bem pequenas que terão mais relevância de interpretação do que sistêmica, mas o que vale no final ainda é a ficha da Myrella. Caso aconteça de algo ter de ser adaptado eu irei informar via OFF, e será uma adaptação pontual que será por conta de enredo, apenas para deixar claro também quando os ADMS analisarem a crônica.
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Re: Beyound Two Souls - Myrella Von Horn

Mensagem por Freya em Qua Jan 24, 2018 10:38 pm

A presença de toda a família - ao menos os vivos - era tranquilizadora e de fato ajudou mais a acalmar a mente conturbada do que aqueles pensamentos do banho. Braços me envolviam, cumprimentos eram ditos e até mesmo os empregados foram calorosamente abraçados, recebendo todos, família ou não, um beijo carinhoso em sua face como uma forma de retribuir o afeto junto com palavras de agradecimento. Apesar de meu augúrio caracterizar os artistas de todos os tipos, eu não gostava de ser o centro das atenções e aquela situação me deixava um pouco constrangida. Claro, não chegava a ser uma timidez realmente, apenas não era uma situação que me fosse agradável ou desejável todo o tempo. Quando todos olham para você todo o tempo ou escutam qualquer asneira que você fale, fica mais difícil passar desapercebido ou fazer certos movimentos que poderiam não ser exatamente bem vistos por alguns.

Por fim, os cumprimentos pararam e pude começar a participar de conversas reais, já que antes o máximo que eu conseguia era trocar meia dúzia de palavras aleatórias com cada um. Os empregados, era um tanto claro, não faziam ideia do que comemorava e era melhor mesmo que nada fosse dito. Em primeiro lugar, não acreditariam mesmo. Depois era melhor manter o véu, o que significava que eles - mesmo não acreditando - não podiam nem sonhar em descobrir qualquer coisa e tampouco poderiam sair por ai abrindo a boca e espalhando. Até confiamos neles, mas não confiamos nas pessoas para quem eles poderiam contar, então, por segurança - nossa e deles -, era melhor deixa-los no escuro. Quem sabe, um dia, seja possível que garous e humanos possam viver pacificamente com esse segundo grupo sabendo de nossa existência.

Já na sala comunal, olhei para a pequena Dainine e dei um largo e animado sorriso para a pequena. Era uma criança alegre, por quem eu tinha um carinho especial. Queria ser capaz de sempre tão animada - e até levada - quanto ela, mas não conseguia ser assim o tempo inteiro, ao contrario da pequena garota.

Dairine escreveu:- MI MI MI!!!

Parece que alguém aqui está bastante empolgada! Guarde essa energia para a comemoração de amanhã e, caso os titios concordem, para o rodizio que talvez tente arrastar você no próximo fim de semana.

Falei, dando uma risada. Eu tinha um apreço especial por comida. Qualquer comida que não envolva animais de estimação mortos ou cervos e veados, esse último grupo por uma relação óbvia com nossa tribo. Um filho do Gamo comendo carne de veados, cervos e animais similares? Era um ultraje ao nosso totem, uma profanação e um ato de extrema maldade e desprezo em relação ao espirito que nos abraçara tão gentilmente. Mas isso não vinha ao caso agora.

Gael escreveu:E é exatamente o que vai acontecer irmãzinha, então deixa que eu como por você!

Quando Gael roubou um pouco de comida do meu prato, olhei para ele com uma expressão ofendida e roubei alguma coisa aleatória do prato dele em vingança. Éramos irmãos típicos e o sangue do Lobo apenas tornava as coisas ligeiramente mais... hm... Como se fosse dois pequenos filhotes de cães que brincavam e se provocavam mutuamente, mas nunca desejando mal do outro ou deixando que animais de fora da família fizessem um terço do que nós fazíamos um com o outro. Em seguida, coloquei a mão esquerda acima dos seios, olhando-o ainda aparentemente ofendida - mesmo que todos soubessem ser um teatro mal feito - antes de me dignar a responder ele.

Ei! Mesmo que eu passe mal, preciso ter energias. Não quer que sua pobre irmã, uma mera filhote, desmaie no meio da provação, quer? Imagine... A barda que desmaiou de fraqueza porque o irmão mais velho roubou toda a comida e a deixou morta de fome no dia mais importante para ela. Não seria bom para nenhum de nós e a mamãe nos mataria pela desonra... Lenta e dolorosamente... Antes de pendurar nossas cabeças na porta de casa. Eu iria te perseguir em espirito para garantir que você não se esqueceria disso nunca mais.

Com certeza era uma brincadeira e definitivamente eu não acreditava que ela faria isso. E mais ou menos nessa hora nosso primo Neal começou a falar da provação dele. A minha atuação dramática sobre desmaiar e ser morta pela desonra precisou ser interrompida, enquanto olhava com atenção para ele e as sobrancelhas se uniam pela concentração no que ele falava. Queria saber como foi para ter uma ideia do que esperar, mas de repente o Forest se calou e soube, quase por instinto, que havia sido um olhar da mamãe com uma mensagem clara de “cale a boca”. A decepção passou por meus olhos por uma fração de segundos e soltei um suspiro desanimado. Não havia sido dessa vez.

Neal escreveu:Ahm... Mas você vai descobrir tudo no tempo certo do seu...

Claro. Quando os espíritos e os anciões acharem adequado, saberei o que tenho que fazer. Nunca antes ou depois, sempre no momento exato. Ou qualquer coisa assim. — Concordei, tentando ocultar o melhor possível meus sentimentos naquele presente momento. — Mas não se incomode com minha curiosidade insaciável e as prováveis tentativas de escapar dos olhos e ouvidos atentos da mamãe para lhe importunar na tentativa de descobrir algo devido a curiosidade enorme. Até porque duvido que ela me deixe ficar longe do olhar dela exatamente por isso.

Eu provavelmente estava certa. Minha curiosidade era obvia e evidente a qualquer pessoa e, bem, mamãe sabia que era o tipo de coisa que eu faria e na primeira oportunidade que surgisse. Peguei um copo de suco de abacaxi com hortelã, deliciando-me com aquele sabor refrescante. Era certamente um dos sucos preferidos e um dos que eu tomava sempre que a oportunidade surgia. O que não era difícil, visto que os nossos empregados costumavam fazer quando podiam. No começo, eu costumava pedir para eles prepararem, mas recentemente eles faziam sem que precisasse pedir pois haviam se acostumado com a preferencia por ele.

Morgana escreveu:Querida, Bacster, Jouline e Cassandra irão passar aqui para te cumprimentar antes de irmos, está bem?

Particularmente, eu gostava bastante deles e não iria me recusar a espera-los, especialmente porque isso me dava mais tempo em casa com a família e, quem sabe, tivessem algum sábio conselho ou sugestão pré-provação. Mesmo se não fosse o caso, apenas a companhia momentânea fazia valer a pena. Como eram a matilha da mamãe, eu achava que era a presença deles não me era estranha - ou pelo menos foi o que entendi pelo que me contaram e pela ideia de uma matilha. A consideração deles em vir me cumprimentar era digna de nota, o que me deixava um pouco sem jeito. Mesmo sendo filha da Beta deles, era mais do que eu normalmente esperaria, afinal eu não era exatamente a filhote mais próxima ou marcante que eles conheciam.

Quando eu ia abrir a boca para responder, uma Dairine “surgiu ao meu lado de repente” pedindo para escolher meu nome garou. Eu não havia pensado no que usaria, para falar a verdade, e agora que ela falou naquilo percebi minha falha. O rosto ruborizou levemente e agradeci a Gaia mentalmente por milhares de vezes por ninguém ter me perguntado aquilo ou não saberia dizer qual iria usar.

Dairine escreveu:MI MI MI, Eu posso escolher seu Nome Garou??? Posso, posso posso????

Em seguida, sua mãe lhe mandou me deixar comer e ir se sentar. Dando uma gargalhada, olhei no fundo dos olhos dela depois acenei para titia, como se falasse que estava tudo bem. Uma criança ativa não era estranho e, sinceramente, pelo menos sabia que ela estava saudável.

Você pode me ajudar a decidir. Tenho certeza que você terá ideias ótimas para isso.

Ofereci aquela oportunidade a ela. Não iria acalmar o espirito da garota, mas seria menos nocivo do que o não. Isso iria gerar dezenas de milhares de questionamentos e deixaria a garota triste. O nome me acompanharia para o resto da vida, tudo bem, mas porque não usar aquele momento tão importante para deixar uma criança tão fascinada pelos garous um pouco mais próxima de nossa cultura e participando de decisões importantes como aquilo? Independente do que ela fosse, Parente ou Garou, aquilo poderia fazer diferença mais a frente. Havia ouvido ou lido em algum lugar que a gentileza era meio das forças superiores - seja o deus cristão, Gaia ou qualquer coisa que acredite - de cumprir seus propósitos. Portanto, por que não? Então me virei

Tudo bem, mamãe, podemos esperar sim. É bem gentil da parte deles vir até aqui para me cumprimentar.
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Re: Beyound Two Souls - Myrella Von Horn

Mensagem por Black Thief em Sab Jan 27, 2018 7:28 pm

Trilha Sonora:

Dairine se animava com a resposta positiva da prima e saltitava, tão logo ela ia para o seu lugar ao lado da mãe. A família então continuava o momento em paz, uma paz que era uma compensação pelos próximos momentos. Myrella sabia que devia aproveitar ao máximo o café em familia pois dentro de sua provação não poderia pedir ajuda à ela, estaria sozinha e num teste pra valer que definiria sua vida. Sua familia só poderia rezar para que Myrella estivesse pronta para seja lá o que Morgana havia reservado para ela.

O tempo se passou, cerca de uma hora, ou duas no máximo, todos estavam bem, se divertindo, comendo, bebendo e os empregados pareciam conseguir captar aquela energia positiva da familia e pareciam muito satisfeitos em servi-los pois todos os patrões eram sempre muito gratos e educados. Então foi que um dos mordomos se aproximava da mesa e ia diretamente até Morgana e sussurrava algo no ouvido da matriarca. Ela assentia para o mordomo e o mesmo assentia de volta saindo em seguida dala. Poucos instantes depois, Bacster, Jouline e Cassandra chegavam. Bacster era muito magro, usava óculos e tinha um moicano um pouco punk mas se vestia bem com roupas boas para o momento. Jouline era bem jovem, bem mais jovem que Morgana mas bem mais velha que Myrella, seria um intermedio entre as duas, possuía cabelos negros e lisos e pele negra, já Cassandra era bem alta, vestia um blazer social feminino, cabelos tão louros que quase pareciam platinados, ela tinha uma aparência de ser pouca coisa mais velha que Morgana e tinha um aspecto bem firme e autoritário, mas dentro da casa de outra pessoa ela sabia denotar a impressão de ser a Beta.

Todos foram cumprimentados, não antes de cumprimentarem a estrela do dia. Cassandra foi a primeira a cumprimentar Myrella, seguida logo de Bacster e Jouline.

Cassandra: - Como está se sentindo, minha cara? Ansiosa?

Naquele momento Myrella pode perceber que Cassandra a analisava com mais afinco do que as pessoas normalmente analisam após uma pergunta como essa, era como se a resposta de Myrella sobre isso fosse mais importante do que normalmente seria.
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Re: Beyound Two Souls - Myrella Von Horn

Mensagem por Freya em Qui Fev 08, 2018 5:46 pm

Seria uma gigantesca enganação da minha parte fingir que estava calma e que o passar do tempo me deixava mais calma. Nem a mim mesma conseguiria enganar com todo esse discurso idiota e cheio de tentativas falhas de amenizar a ansiedade. O que podia fazer era evitar pensar demais naquilo e tentar aproveitar ao máximo aquele momento, fazer cada segundo com todos eles reunidos ali comemorando valer a pena. Estava concentrando-me ao máximo em conversar com eles, desde banalidades como o clima ou o que pensavam em fazer no fim de semana, como iam às coisas em seus trabalhos ou escola... Qualquer coisa que não fosse me fazer suar frio antes da hora certa. Quem sabe, quando a hora da provação chegasse, minha mente não estivesse tão aflita e cansada como ficaria se eu me concentrasse no problema em demasia e antes da hora. Seja como fosse, não importava muito agora.

Quando a matilha de minha mãe chegou, sorri largamente para eles e os cumprimentei empolgada. Meus olhos analisavam cada um deles com alguma atenção, quase que involuntariamente, em uma tentativa de aprender algo sobre eles através de seus gestos e ações que pudesse evitar equívocos ou qualquer ofensa não intencionada de minha parte. Não era educado ofender, mesmo que sem querer, as pessoas, especialmente quando eram tão gentis comigo e sem ter a menor obrigação de assim serem. Devido à característica multitribal da matilha de minha mãe, eu sabia que devia levar em conta suas tribos, forma de se comportar, augúrio, seus postos e ainda suas ações. Não era tão simples quando lidar com outros Fianna, era diferente em diversos aspectos e por motivos variados. O problema de minhas pessoas - independente se filhotes, garous de posto 1, magos ou outras criaturas - era não levar isso tão a sério quanto deveriam.

Cassandra: - Como está se sentindo, minha cara? Ansiosa?

Eu ponderei um pouco sobre aquilo antes de responder, procurando as palavras e tentando formular em minha mente da maneira mais coerente e justa possível a frase. Se eu estava ansiosa? Muito. Com medo? Um pouco. Nervosa? Bastante. Preocupada? Mais ainda. O desconhecido não era a coisa mais tranquilizante do universo, mas, era necessário, as vezes, sairmos de nossa zona de conforto.

Bastante ansiosa, admito e, um pouco preocupada também. Creio que seria presunção de minha parte não estar... No entanto, sei que não será nada que eu não seja capaz de lidar... Os anciões são justos e sei que não pediriam a um filhote para fazer algo que fosse excepcionalmente fora de suas capacidades.

Ou pelo menos era o que eu queria acreditar. Não contavam aos filhotes como era a passagem de filhote para garou, porém casos de morte eram raríssimos, especialmente quando não estamos falando das Crias de Fenrir. Havia ouvido dizer que os filhotes deles eram treinados a um nível que não era raro saírem gravemente feridos, quando saiam vivos. Por sorte, minha tribo era um pouco mais civilizada e esse risco não ocorria de verdade. Quer dizer, talvez sim se fosse Auhron e alguém se empolgasse demais transformado em Crinos, mas é um caso a parte.

Alias, gostaria de agradecer, de todo coração, por terem se dado ao trabalho de virem me cumprimentar. Foi muito gentil da parte de vocês. — Adicionei. Eu sabia que eles não tinham a menor obrigação de o fazer e, mesmo se tivessem, não era educado não demonstrar reconhecimento pelo gesto de maneira educada.
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