Triunfo de Gaia - Monsieur Laforge

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Triunfo de Gaia - Monsieur Laforge

Mensagem por GAIA em Qua Mar 29, 2017 5:44 pm

Monsieur Laforge


Depois da árdua missão na Ásia Central, Alain finalmente regressou ao Canadá trazendo consigo um adorável despojo de guerra: Tânia.

A jovem protegida era como uma brisa fresca depois de tantas agruras. Combinava alegria e espontaneidade adolescentes com um certo conservadorismo nos modos, reflexo de sua educação oriental. Era refinada, clássica e refrescante como uma esplêndida fragrância juvenil.

No entanto a volta  ao continente americano recordou a Alain um amor que ali repousava, em mais baixas latitudes. Maysa permanecia aderida a seu corpo como um perfume noturno, misterioso e complexo. Nem a guerra nem a beleza de Tânia poderiam tirar de sua memória os olhos com reflexos azuis e violeta de Maysa e a doce sensualidade de sua presença.

O envelope entregue por seu mordomo não ajudou em nada a afastá-la de sua mente. Lá estavam, de novo, o fino papel e o lacre de cera com o grifo dos presa de prata. Anton chamava-o à sua presença em Fonte Fria.

***

Alain estava sentado diante de Anton e Aleksandr no escritório da casa sede, com a indefectível xícara de chá nas mãos.  

Dessa vez Maysa não viera a seu encontro. As notícias haviam corrido rápido…

Depois das cortesias habituais e de muitos elogios a sua participação na tomada de Vaki, Anton entrou no assunto pelo qual o chamara.

- Bem, talvez você se lembre que eu queria falar com você por ocasião do último Ritual da Longa Vigília, não? E que me queixava de meu enteado Brian e sua paixão pelo desenho. Talvez tenha lhe parecido só um comentário engraçado, mas não foi. O garoto realmente me preocupava e preocupa.

Os meninos estão crescendo. Filbergues começou uma carreira no exército brasileiro, Britany vai se casar com um ancião, Dmitri ajuda na proteção do caern, Nádia… bem… Nádia às vezes parece um caso perdido… Resta-me Brian que encaminhar. Ele é um garoto inteligentíssimo com grande talento para informática e para o desenho. E ocorre que quer dedicar-se a arte… Mais especificamente, aos quadrinhos ou, como diz, "graphic novels". A mim não me importa o quão dignas possam ser essas atividades… ele é um Volkov. Dei-lhe meu sobrenome, é meu filho. E o parentes Volkov ajudam os garous. Meu irmão tem essa bobagem da fotografia mas, ao menos, encontrou um jeito de pô-la a serviço de uma seita. E Brian tem que fazer o mesmo. Não me interessa seus argumentos sobre "mudanças de mentalidade" e essas tolices, ele não fará nada efetivo desenhando quadrinhos. Deve usar seus talentos para ajudar diretamente aos garous.

Assim que pedi a Aleksandr que pesquisasse sobre parentes fabricantes de fetiches. Mais exatamente, sobre o mais famoso deles, Monsieur Laforge. Vou contar-lhe sua história.

Você com certeza já ouviu falar de Fabergé, não? O joalheiro da última família imperial russa. Pois bem, para auxiliá-lo, ele formou uma equipe de habilidosos artesãos. Entre eles estava um parente francês chamado Pierre Laforge. Não demorou muito para os parentes dos presas de prata próximos à corte falarem sobre ele aos garous. Assim ele foi recrutado e treinado por Lua Crescente para a fabricação de itens destinados a serem fetiches. Teve um enorme êxito!

Laforge possuía gnose e desenvolveu uma compreensão dos espíritos tal que lhe permitiram fazer objetos que os agradavam a ponto de facilitar sua entrada neles. Foi requisitado pelos theurges mais importantes de meu país e de outros e ajudou a produzir algumas das melhores e mais belas klaives de que se tem notícia.

Até que algo ocorreu.

Monsieur Laforge estava no auge de sua carreira quando um presa de prata a quem tinha fabricado uma grã-klaive morreu. Como é nosso costume, o fetiche passou ao filho do garou e, lamentavelmente, conta-se, este não a tratou como merecia. Dizem que os poderosos espíritos que ela abrigava se enfureceram e sabotaram o jovem garou até que a klaive finalmente quebrou-se, libertando-os.

Laforge, nesse momento, acabara de produzir sua melhor peça, a grã-klaive que ele considerava sua obra-prima. Ele enlouqueceu. Temia que o mesmo ocorresse com a nova espada.

A grã-klaive já estava em poder do theurge e imbuída de espíritos, mas mesmo assim Laforge conseguiu roubá-la e desaparecer com ela. Muitas demandas foram feitas pelo fetiche, tanto pelo theurge, quanto por outros presas de prata mais tarde, porém Laforge e a klaive nunca mais foram vistos.

Apesar disso, ao longo dos anos, nunca deixaram de aparecer fetiches com o estilo característico de Monsieur Laforge, em lugares tão diferentes como Bélgica, Hungria ou Portugal. E sempre nas mãos de senhores das sombras, o que nos faz pensar que Laforge se escondeu na Europa do leste e provavelmente tenha sido ajudado por essa tribo. E o curioso é que esses fetiches continuaram a aparecer mesmo quando Laforge já deveria estar com muito mais de cem anos. Isso nos faz pensar que ele deve ter tido um filho ou discípulo…


- Era um Bourbon D´Órleans! - interrompeu Aleksandr, impaciente - Em minhas pesquisas, descobri que o theurge de quem Laforge roubou a grã-klaive era um Bourbon D´Órleans, de um ramo mais distante da sua família, Alaín, uma sub-linhagem de onde veio um ahroun que era primo de…

- Eu ia chegar lá. - interrompeu Anton com severidade - Sim, a klaive foi roubada de um Bourbon D´Órleans por isso queríamos falar com você. Segundo Aleksandr, pelas linhas de sucessão, ela teria chegado até suas mãos. É sua de direito. Por isso queríamos que você nos ajudasse a encontrar essa klaive e, evidentemente Laforge. Ou melhor, seu sucessor.

Se a klaive ainda está em seu poder, você deve recuperá-la e usá-la em benefício de Gaia. E se Laforge ensinou sua técnica a um sucessor ou deixou algum manuscrito que está sendo usado por ele, isto deve servir para que Brian aprenda a ser um bom forjador de fetiches. É a maneira como Laforge se redimirá de seu crime e também um serviço à tribo que pode significar sua ascensão a adren, Alain. Sem falar de minha gratidão pessoal.

Se for de seu interesse, pode desafiar-me pelo posto na próxima assembléia. Eu lhe darei a tarefa de convencer o sucessor de Laforge a ensinar o que sabe a Brian. O trabalho não será obrigá-lo. Mas como um bom philodox, fazê-lo ver que seu empenho em formar um novo parente forjador de fetiches é a maneira mais justa de corrigir tudo o que fizeram de errado até aqui.


- E tem a revista, a joia, a moça, você esta sé esquecendo, Anton-rhya! - cortou novamente Aleksandr, antes que Alain pudesse responder.

Anton cerrou os dentes e respirou fundo, fazendo um gesto para que Aleksandr se contivesse, enquanto esperava pela resposta de Alain.

- Temos uma pista… - murmurou Aleksandr Aleksandr cabisbaixo após a repreensão do líder.
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Re: Triunfo de Gaia - Monsieur Laforge

Mensagem por GAIA em Qua Mar 29, 2017 5:45 pm

Após a batalha em Vaki, Alaín ainda passou duas semanas na Ásia Central.

Ele procurou ser útil em tudo que podia, ajudando a organizar a aliança das seitas, acolher os parentes resgatados, caçar os fugitivos e estruturar as novas cidades. Ele mesmo tinha ficado um tanto abalado com os desdobramentos do ataque, não apenas pelo seu ferimento, mas portodas as mortes que presenciara, numa operação que devia ter sido mais simples, `Pas vezes se perguntando se stress pós-traumático também acometeria garous ou se estava apenas irritado por um plano tão bem elaborado ter resultado num desfecho tão imperfeito. Mas a maior parte do seu tempo era dedicada à recuperação de Tatiana. Triunfo-de-Gaia sempre retornava para se certificar de que ela e alimentava bem, estava bem cuidada, não estava ferida e estava conseguindo superar o traumado cativeiro no castelo Vaki. Mesmo com a pouca fluência no idioma, Alaín estava criando grande empatia com a garota, que não era tão mais velha do que ele e tinha o sangue puro dos parentes dos presas de prata, o que era um imã primal para ele.

Apenas três dias antes de partir em retorno ao ocidente, Alaín pediu a Tânia que viesse com ele. Ele prometeu protegê-la, mantê-la a salvo, e ajudar a vingar-se dos Dançarinos da Espiral Negra por todos os crimes contra Gaia. Ela aceitou, e ele assumiu todos os compromissos por ela perante a seita do rei Vladi. Ele a tomou como sua protegida e cuidou da papelada para que ela pudesse permanecer no Canadá, sob o status de refugiada de uma zona de guerra. Junto com ela, Alaín também adotou o velho cachorro que os peregrinos silenciosos tinham resgatado, como um mascote para Tânia, a fim de que ela não se sentisse solitária demais. Ela ainda estava penando em como ia batizar o cão de estimação.

A relação dela com Alaín ficara muito estreita bastante depressa, mas ele a tratava como uma princesa, jamais insinuando qualquer relação sexual com Tânia. Ele queria, é claro, e ela sabia que ele a desejava intensamente, mas Alaín Bourbon D´Órleans era um homem de palavra, vivendo e morrendo por sua honra. Por mais que Tatiana Lunisvet parecesse a parceira biológica e psicológica ideal para ele, já que conhecia e tinha visto o pior e o melhor dos garous e dos presas de prata, Alaín não esquecera Maysa Dibh. A relação com Maysa era bem mais complicada, tanto pela distância quanto pela posição como parente dos andarilhos do asfalto, para não falar sobre a falta de raça pura que seus filhotes com ela teriam. Mas Triunfo-de-Gaia manteria sua palavra.

O que o levou da Ásia ao Canadá foi o simples fato de que toda sua base de operações estava em Montreal e Vancouver; era mais fácil alojar e instruir Tânia ali do que no Brasil, onde ele ainda tentava entrar no jogo dos grandes. Isso o fazia pensar que já era hora de solidificar seus investimentos no país, construindo uma estrutura estável para seus negócios na América do Sul. A crise econômica que o país atravessava parecia uma boa oportunidade para investir a preços baixos e ganhar fatias importantes do mercado antes que a recessão acabasse. Alaín tinha planos para isso, mas Maysa era a principal razão deles, e também peça principal em sua estratégia.

No Canadá, Alaín providenciou que Tatiana começasse a ter aulas de inglês e francês, e apresentou-a aos irmãos anciões Victoria e Luís Consuelo Real, situando-a na comunidade garou local e estabelecendo sua condição como companheira e protegida de Triunfo-de-Gaia. Também foi necessário que ela aprendesse a operar dispositivos eletrônicos como celulares e computadores, a fim de que ele pudesse manter contato com ela quando estivesse longe. Mas os dedicados funcionários de Alaín estavam encantados em colaborar com a nova "hóspede" de seu patrão.

Quando a carta de Anton chegou, Alaín já a esperava. Ele teria ido antes se tivesse sido possível, mas seus negócios e a mudança de Tânia o detiveram por mais tempo do que ele planejara. Mas quando a convocação dos presas de prata chegou, ele sabia que era inadiável. Resolveu rapidamente todas as providências para sua ausência e partiu rumo à Fonte Fria.

***

No Brasil, Maysa não o recepcionou no haras, e Alaín adivinhou que isso representava uma conversa difícil muito em breve. Mas como um phillodox disciplinado, foi ter com Anton assim que chegou, avisando sua presença e respondendo o chamado. Aleksander também estava lá, e os três tomaram um chá que agradava bastante o paladar do canadense. Ele manteve-se humilde diante das parabenizações pela batalha de Vaki, por que no íntimo não se achava tão merecedor das honras que lhe foram concedidas, mas as cortesias entre os garous eram sempre uma solenidade que ele tinha gosto em participar.

Quando Antón começou a explicar, Alaín ouviu atentamente, raciocinando enquanto escutava.

"Nem por um momento achei que Anton falou aquilo gratuitamente. Então, o jovem Brian têm se mostrado pouco útil? Mas ainda não vejo no que isso me concerne...

Ah, parentes forjadores de fetiches? Como isso seria possível? Talvez eles façam apenas o receptáculo, afinal não poderiam induzir os espíritos no ritual do fetiche.

Laforge? O nome é familiar, mas não consigo situá-lo. Ah, Fabergé, os famosos ovos russos! Com que então ele também era um parente?! Impressionante...

Ah, antepassados! Vocês não cansam de me envergonhar? Como puderam tratar mal um fetiche dessa magnitude? E jogar o forjador bem no colo dos Senhores das Sombras? Bem, Anton e Aleksander já pensaram em tudo, parece uma missão ideal pra mim e também de grande importância para a tribo. Não há dúvida de que a aceitarei.

Hum, alcançar o posto adren? Bastante conveniente, mas pelas regras do renome, a chance é merecida. esperar a próxima assembleia implica em ficar aqui por um pouco até que ela ocorra, mas isso combina bem com os meus outros planos..."


Aleksander soltou mais indícios de informação, mas Anton fê-lo se calar. Alaín compreendeu que aquele não era o momento para mais informações.

- Eu aceito, Anton-rhya. Encontrarei o forjador, recuperarei meu legado familiar e trarei o que conseguir a nós. Eu lhe agradeço a chance de uma missão tão auspiciosa e também a oportunidade para ascender de posto. Gostaria de todas as informações que tiverem disponíveis que me possam ser úteis antes de partir.

Alaín escutou atentamente qualquer informação a mais que le dessem, e após encerrado o assunto, ele entabulou outro.

- Anton-rhya, como sabe, minhas irmãs estão estudando no Brasil nesse momento, Maysa Dibh está aqui e eu já possuo diversos laços com a seita de Fonte Fria. Estou cogitando me mudar para cá em caráter definitivo, mas antes de decidir, gostaria de discutir qual seria meu lugar na seita e nos negócios do haras.

Era o homem de negócios agora que Alaín assumia, e ele expôs seus planos:

- Eu posso fazer um aporte vultoso no haras, e também ajudá-lo a encaixar mais posições no mercado internacional de criação de animais. Também pretendo abrir algumas empresas no país que me permitam permanecer aqui mesmo sendo estrangeiro. Essas manobras visam tirar dos andarilhos do asfalto, ou melhor, de Estevão, o controle financeiro do haras. Pretendo afastar também Maysa dele o máximo possível. Sei que Julián e os outros talvez não apóiem a manobra, e isso me leva a questão de como um presa de prata como eu seria aceito na seita pelos membros das outras tribos. Se eu for útil para reforçar a dominância dos presas de prata e para o progresso do caern, ficarei feliz em vir, mas se eu for atrapalhar, então posso refazer meus planos e permanecer aenas como um aliado distante. O que pensa de tudo isso, Anton?  
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Re: Triunfo de Gaia - Monsieur Laforge

Mensagem por GAIA em Qua Mar 29, 2017 5:47 pm

Quando a mente de Alain tranquilizou-se, ele entendeu que nem Fabergé era parente, nem os Bourbon D`Orleans tiveram algo a ver com a quebra do fetiche que desatou a paranóia de Laforge. Aleksandr já estava indo adiante na conversa, porém, sendo contido por Anton. Alain, então, respondeu à demanda:


- Eu aceito, Anton-rhya. Encontrarei o forjador, recuperarei meu legado familiar e trarei o que conseguir a nós. Eu lhe agradeço a chance de uma missão tão auspiciosa e também a oportunidade para ascender de posto. Gostaria de todas as informações que tiverem disponíveis que me possam ser úteis antes de partir.


Anton assentiu com um gesto de cabeça e prosseguiu:

- Bem, como eu lhe dizia, fetiches com o estilo de Laforge nunca deixaram de aparecer e nós investigávamos seu rastro. Ocorre que há algumas semanas, Aleksandr estava vendo uma revista de celebridades… e nós seremos educados e não perguntaremos o que um garou faz lendo revistas de celebridades…

-  Informação, Anton-rhya! – atalhou Aleksandr, hiperativo - Um bom investigador não desdenha nenhuma fonte! Nenhuma.

Anton ergueu uma sobrancelha, duvidoso.

- Ah, está bem. Eu leio tudo sobre Mônaco, sou fã dos Grimaldi, não resisto a uma dinastia, mesmo humana. – Aleksandr deu de ombros  – Mas, voltando ao assunto. Uma revista estrangeira chamou minha atenção. A capa era uma plebéia, Ameline Oberholzer, herdeira de um banqueiro monegasco. Só que ela aparecia usando uma jóia com o típico estilo de Monsieur Laforge. Fui investigar entre nosso povo e, voilá! , a jóia não só parecia, era idêntica a uma que Laforge fez para ser um Brinco da Verdade. Inclusive pelo uso da opala negra, uma pedra muito ao gosto dele. O fetiche ainda está com a seita da dona. E consegui uma imagem da jóia de Ameline..

Aleksandr molhou a garganta com um gole de chá, enquanto estendia alguns recortes e fotos para Alain.

Spoiler:

- Investiguei os Oberholzer. – disse, pousando a xícara -  Claro que as linhagens das outras tribos são mal documentadas, quando o são, com essa praga da mestiçagem…

Anton olhou para o lado.

- … mas ainda assim posso dizer que essa família não tem ligação com os garous. Então, o que faz uma herdeira humana, que em sua vida jamais deve ter usado cópia de nada, exibindo uma réplica de um antigo fetiche garou em um evento? Acho que você pode começar por aí. - disse Alekxandr - O avô da senhorita Oberholzer acaba de fazer uma doação ao Jardin Exotique de Mônaco e se reunirá com outros benfeitores no restaurante Le Louis XV - Alain Ducasse do famoso Hotel de Paris, em Mônaco, para comemorar. E Ameline costuma acompanhá-lo nesses eventos.

- Uma boa moça. – observou Anton.

- Mais que isso! - empolgou-se Aleksandr - Uma garota entediada… e com uma taça na mão! Ameline Oberholzer é famosa por vida boêmia e debilidade ao álcool e isso lhe facilitará as coisas, Alian. Não que eu subestime seus dotes de convencimento, claro…você é um homem bem bonito. Quero dizer, para os que gostam de homem…

As unhas de Anton crisparam-se ao redor da xícara.

- … ou melhor, para as mulheres! - emendou Aleksandr - Mulheres. Mulheres parentes, quero dizer. Parentes que sejam mulheres. Ou melhor, mulher parente. MULHER ParentEEE… Uma só, no singular!

- Enfim, esta é sua pista. – cortou Anton, impacientando-se – Amanhã a noite será nossa assembléia e na noite seguinte o jantar dos Oberholzer e você poderá começar a missão, Triunfo de Gaia. Aleksandr, você está dispensado. Spasiba.


Alaín escutou atentamente qualquer informação a mais que le dessem, e após encerrado o assunto, ele entabulou outro.

- Anton-rhya, como sabe, minhas irmãs estão estudando no Brasil nesse momento, Maysa Dibh está aqui e eu já possuo diversos laços com a seita de Fonte Fria. Estou cogitando me mudar para cá em caráter definitivo, mas antes de decidir, gostaria de discutir qual seria meu lugar na seita e nos negócios do haras.

Era o homem de negócios agora que Alaín assumia, e ele expôs seus planos:

- Eu posso fazer um aporte vultoso no haras, e também ajudá-lo a encaixar mais posições no mercado internacional de criação de animais. Também pretendo abrir algumas empresas no país que me permitam permanecer aqui mesmo sendo estrangeiro. Essas manobras visam tirar dos andarilhos do asfalto, ou melhor, de Estevão, o controle financeiro do haras. Pretendo afastar também Maysa dele o máximo possível. Sei que Julián e os outros talvez não apóiem a manobra, e isso me leva a questão de como um presa de prata como eu seria aceito na seita pelos membros das outras tribos. Se eu for útil para reforçar a dominância dos presas de prata e para o progresso do caern, ficarei feliz em vir, mas se eu for atrapalhar, então posso refazer meus planos e permanecer aenas como um aliado distante. O que pensa de tudo isso, Anton?  
Anton reclinou-se na cadeira, ponderando por alguns segundos. Então disse:

- Antes de mais nada, nem preciso dizer que sua presença será muito bem-vinda. Você tem participado com honra de todas as missões relacionadas ao caern e nossos aliados e é um presa de prata valioso, principalmente nesta região, onde há tão poucos. Eu ficaria muito feliz com sua vinda.

explicações sobre o haras e a seita:
Agora, com relação às suas intenções de negócios, algumas coisas têm que ser esclarecidas. A mais importante é que o haras e o caern são independentes, ainda que se ajudem entre si. "Nossos" cavalos menos sensíveis à Maldição e com pelagem cinza tendendo ao prateado costumam ser comprados e, algumas vezes, até presenteados a presas de prata e isso é diplomacia para o caern. Por outro lado, segundo aprendi ouvindo Laura e Felipe, um haras depende, fundamentalmente, de boas pastagens e fontes de água. A proximidade com o caern garante a fertilidade dos pastos sem a necessidade de insumos, o que barateia a produção, e a dos cavalos, o que dispensa técnicas de reprodução artificiais. E a água daqui é excelente e abundante.

No mais, o Haras de Prata e o Caern Fonte Fria são duas coisas separadas. O haras veio antes do caern. Laura ainda era um filhote perdido quando montou-o. E ele pertence à ela. Os cuidados estão todos a cargo dela e de Felipe, que é como seu filho. Nem eu nem Julián inteferimos no haras mais do que o relacionado às questões estratégicas e Estêvão não tem relação alguma com as finanças do haras. Da seita sim, mas não do haras. Por outro lado - e isso é conselho para você como investidor garou - nenhum negócio que envolva a natureza, seja animais, plantas ou minerais, resiste às forças da Weaver se for feito em grande escala. Suspeite de bons negócios nessas áreas. Sempre escuto Laura dizer que o haras tem o volume de produção ideal para o bem estar dos animais. Mais que isso, é produção em escala, lucro e comodidade para os humanos e um clavo a mais no caixão de Gaia.

Então, procure áreas não tão dependentes da natureza para seus investimentos no país, se quer ganhar dinheiro sendo um bom garou. E em produção sustentável de bens, se quer ajudar a Gaia. Talvez você possa conversar com Felipe, pois ele quer expandir a produção de alimentos livres da Weaver para além da subsistência da seita. Esse tipo de negócio é com ele, eu e Julián nos ocupamos só da Seita.

Aí entramos na questão de sua vinda como garou. E é disso que precisamos, de sua contribuição como garou.

Esta é uma seita multi-tribal e pequena. Recebemos bem a todos os que queiram ajudar. Klauss, por exemplo, conseguiu o respeito até mesmo das fúrias negras daqui, E seu valor, Alain, já está mais do que reconhecido. Posso garantir que seria bem recebido. E que eu apreciaria muito ter mais presas de prata na seita. Concordo com Julián que temos que nos relacionar bem com os metamorfos, queiramos ou não. Mas eu sempre vou preferir um garou mais no caern, sobretudo se for presa de prata, do que um metamorfo. E, nas condições em que estamos, temos que aceitar alguns deles - Silas e Rubens - dentro das divisas (!) porque é isso ou ficar vulnerável à Wyrm. Essa é nossa situação atual. Receberíamos alguém como você com mil braços abertos.

Agora… o que eu não posso é lhe garantir um posto em troca de sua ajuda. Esta é uma seita formada, os postos estão preenchidos e substituir alguém por você seria uma indignidade com meus lobisomens. Você teria que conquistar seu lugar aqui como qualquer outro. Claro que posso orientá-lo e ajudá-lo no que for preciso, mas sua ascensão terá que ser dentro da tradição garou, senão teremos problemas políticos aqui. Mas estou certo que conquistar postos por seus méritos é exatamente isso o que você espera, não é mesmo?

Com relação a Estêvão… Ahhh… Estêvão. Ele é uma dor de cabeça e uma ajuda de igual tamanho. Não só é fundamental para a economia da seita e tudo o que se refere ao mundo dos humanos e às redes de informação quanto é querido por nós. Tenho que confessar, no fundo, gostamos dele. É um bom garou… com uma tendência às piores escolhas românticas, que terminou… do jeito que terminou, com um métis nos braços. E isso até o próximo problema, lamentavelmente. Seria bom diminuir sua influência? Sim. Seria melhor ainda se a balança inclinasse em favor dos presas de prata? Claro. Mas não é algo tão fácil de ser feito.

Quanto a Mayasa, não creio que ele esteja interessado nela, mas, evidentemente, não posso garantir que um dia não ocorra algo. Tudo é possível em temos de Estêvão… E mais, ela é uma parente, da tribo dele. Eu não poderia fazer nada a respeito. Aliás, seria maravilhoso se ele sentasse cabeça. Então, se você pretende continuar com Maysa  - que, aliás, devo dizer, está se saindo muito bem como nossa auxiliar - as possíveis divergências que possa ter com Estêvão serão consideradas problemas pessoais, não da seita, entende? Terão que resolvê-las entre vocês dois. E, se forem honrados, não deixando prejudicar o caern.

De minha parte, Alain, por mais que preze Maysa e a considere uma parente exemplar, digna dos melhores garous, eu lhe aconselharia a pensar bem antes de casar-se fora da tribo, sobretudo se tem uma alternativa… Eu o fiz. Tenho a melhor família do mundo e nunca me arrependi. Mas isso terá um peso grande em sua vida, acredite-me.


Bem, já falei de mais! Amanhã de noite teremos a assembléia. Espero que Nádia ao menos possa ser uma boa galliard e narrar bem seus feitos na Ásia. Até lá, fique à vontade e desfrute do caern antes de sua nova missão.


Com um sorriso, Anton saiu do escritório, deixando Alain livre para fazer o que quiser.
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Re: Triunfo de Gaia - Monsieur Laforge

Mensagem por GAIA em Qua Mar 29, 2017 5:52 pm

Alaín surpreendeu-se com as fontes de pesquisa de Alexander, mas naquele caso, acabaram sendo úteis, portanto o phillodox não se preocupou em criticar as idiossincrasias do genealogista.

Apanhou os recortes das revistas que Alexander mostrava, examinando a moça e o brinco que ela carregava.

"Parece mesmo algo singular, mas talvez não seja um fetiche. Mas é a única pista, então é um bom lugar pra começar..."

A afirmação de Alexander que a família Oberhalzer não tinha ligações com os garous soou destoante para Alaín.

"Podem não ser uma linhagem tradicional de Parentes, mas os garous já agiram por todo o mundo, e podem ter cruzado o caminho deles em algum momento. Por outro lado, se eles não são vigiados de perto pelos garous, seriam patronos ainda melhores para Leforge..."

O avô da senhorita Oberholzer acaba de fazer uma doação ao Jardin Exotique de Mônaco e se reunirá com outros benfeitores no restaurante Le Louis XV - Alain Ducasse do famoso Hotel de Paris, em Mônaco, para comemorar. E Ameline costuma acompanhá-lo nesses eventos.

A deixa saltou ao olhos de Alaín. Como membro da aristocracia canadense, ele poderia facilmente conseguir um lugar na recepção de caridade do Jardim Exotique e assim se aprofundar em suas investigações da família. Ele não precisava que lhe dissessem como proceder nesse caso.

Mas Alexander achou que ele precisava.

- Uma boa moça. – observou Anton.

- Mais que isso! - empolgou-se Aleksandr - Uma garota entediada… e com uma taça na mão! Ameline Oberholzer é famosa por vida boêmia e debilidade ao álcool e isso lhe facilitará as coisas, Alian. Não que eu subestime seus dotes de convencimento, claro…você é um homem bem bonito. Quero dizer, para os que gostam de homem…

As unhas de Anton crisparam-se ao redor da xícara.

- … ou melhor, para as mulheres! - emendou Aleksandr - Mulheres. Mulheres parentes, quero dizer. Parentes que sejam mulheres. Ou melhor, mulher parente. MULHER ParentEEE… Uma só, no singular!

- Enfim, esta é sua pista. – cortou Anton, impacientando-se – Amanhã a noite será nossa assembléia e na noite seguinte o jantar dos Oberholzer e você poderá começar a missão, Triunfo de Gaia. Aleksandr, você está dispensado. Spasiba.

A cada frase de Alexander, Alaín ficava mais constrangido, ciente de que seu nome devia estar correndo entre todas as más línguas.

"Quanta injustiça! Comigo, com Maysa, com Tânia, que eles sequer conhecem! Vou resolver isso sem demora!"

Ele suspirou aliviado quando Anton dispensou Alexander.

Com o ancião, ele podia falar sem rodeios, analisando suas possibilidades táticas dentro da seita e no cenário brasileiro.

Agora, com relação às suas intenções de negócios, algumas coisas têm que ser esclarecidas. A mais importante é que o haras e o caern são independentes, ainda que se ajudem entre si. "Nossos" cavalos menos sensíveis à Maldição e com pelagem cinza tendendo ao prateado costumam ser comprados e, algumas vezes, até presenteados a presas de prata e isso é diplomacia para o caern. Por outro lado, segundo aprendi ouvindo Laura e Felipe, um haras depende, fundamentalmente, de boas pastagens e fontes de água. A proximidade com o caern garante a fertilidade dos pastos sem a necessidade de insumos, o que barateia a produção, e a dos cavalos, o que dispensa técnicas de reprodução artificiais. E a água daqui é excelente e abundante.

No mais, o Haras de Prata e o Caern Fonte Fria são duas coisas separadas. O haras veio antes do caern. Laura ainda era um filhote perdido quando montou-o. E ele pertence à ela. Os cuidados estão todos a cargo dela e de Felipe, que é como seu filho. Nem eu nem Julián inteferimos no haras mais do que o relacionado às questões estratégicas e Estêvão não tem relação alguma com as finanças do haras. Da seita sim, mas não do haras. Por outro lado - e isso é conselho para você como investidor garou - nenhum negócio que envolva a natureza, seja animais, plantas ou minerais, resiste às forças da Weaver se for feito em grande escala. Suspeite de bons negócios nessas áreas. Sempre escuto Laura dizer que o haras tem o volume de produção ideal para o bem estar dos animais. Mais que isso, é produção em escala, lucro e comodidade para os humanos e um clavo a mais no caixão de Gaia.

- Não era o que eu tinha me mente, absolutamente! A ideia não é de forma nenhuma aumentar a produção, mas sim valorizar o produto que temos. Embora o lucro seja uma forma de controle da Weaver, qualquer quantia sob nosso controle não está sendo usada por nossos inimigos, então vale a pena tentar popularizar esses métodos benéficos à Gaia para superar os criadores que maltratam os animais. De qualquer forma, meu interesse é agregar valor para colocar os cavalos num mercado exclusivo, gerando um diferencial para o haras que aumentaria o faturamento.

Então, procure áreas não tão dependentes da natureza para seus investimentos no país, se quer ganhar dinheiro sendo um bom garou. E em produção sustentável de bens, se quer ajudar a Gaia. Talvez você possa conversar com Felipe, pois ele quer expandir a produção de alimentos livres da Weaver para além da subsistência da seita. Esse tipo de negócio é com ele, eu e Julián nos ocupamos só da Seita.

- Não me preocupo em ganhar dinheiro simplesmente, pois já tenho o bastante, mas sim em gerar dividendos que se convertam em vantagens para a Nação Garou e para Gaia. Essa ideia do Felipe parece interessante, fazendas orgânicas estão muito em voga atualmente e pode se provar uma faceta interessante de negócios. Falarei com ele.

Aí entramos na questão de sua vinda como garou. E é disso que precisamos, de sua contribuição como garou.

Esta é uma seita multi-tribal e pequena. Recebemos bem a todos os que queiram ajudar. Klauss, por exemplo, conseguiu o respeito até mesmo das fúrias negras daqui, E seu valor, Alain, já está mais do que reconhecido. Posso garantir que seria bem recebido. E que eu apreciaria muito ter mais presas de prata na seita. Concordo com Julián que temos que nos relacionar bem com os metamorfos, queiramos ou não. Mas eu sempre vou preferir um garou mais no caern, sobretudo se for presa de prata, do que um metamorfo. E, nas condições em que estamos, temos que aceitar alguns deles - Silas e Rubens - dentro das divisas (!) porque é isso ou ficar vulnerável à Wyrm. Essa é nossa situação atual. Receberíamos alguém como você com mil braços abertos.

Alaín não deixou de detectar a ênfase no verdadeiro interesse de Anton. A situação em Fonte Fria não era caótica como na Ásia Central, mas Triunfo-de-Gaia sabia que tanto ali como lá ele seria um soldado, um recurso, sacrificável se necessário. Não era o medo da morte que o preocupava, mas sim o de uma morte tola, como vira tantas na batalha de Vaki.

Agora… o que eu não posso é lhe garantir um posto em troca de sua ajuda. Esta é uma seita formada, os postos estão preenchidos e substituir alguém por você seria uma indignidade com meus lobisomens. Você teria que conquistar seu lugar aqui como qualquer outro. Claro que posso orientá-lo e ajudá-lo no que for preciso, mas sua ascensão terá que ser dentro da tradição garou, senão teremos problemas políticos aqui. Mas estou certo que conquistar postos por seus méritos é exatamente isso o que você espera, não é mesmo?

Alaín sorriu ante o reconhecimento do ancião sobre a personalidade dele:

- De modo nenhum, Antón-rhya! Não desejaria nenhum privilégio imerecido, isso perturbaria demais a estrutura política da Nação Garou e da seita local. Considero-me bastante capaz de conquistar qualquer posição no devido tempo e paciente o suficiente para aguardar o melhor momento. Na verdade, o fato de não ter posto oficial na seita no início seria útil para me dar liberdade de ação enquanto me estabeleço no país. Não deve se preocupar quanto a isso, eu lhe asseguro.

Com relação a Estêvão… Ahhh… Estêvão. Ele é uma dor de cabeça e uma ajuda de igual tamanho. Não só é fundamental para a economia da seita e tudo o que se refere ao mundo dos humanos e às redes de informação quanto é querido por nós. Tenho que confessar, no fundo, gostamos dele. É um bom garou… com uma tendência às piores escolhas românticas, que terminou… do jeito que terminou, com um métis nos braços. E isso até o próximo problema, lamentavelmente. Seria bom diminuir sua influência? Sim. Seria melhor ainda se a balança inclinasse em favor dos presas de prata? Claro. Mas não é algo tão fácil de ser feito.

Alaín não disse nada, mas questionava fortemente o conceito de "bom garou" que todos tinham sobre Estevão.

"Pode ser um garou habilidoso, inteligente e capaz, mas nenhum garou que despreze a Litania pode ser considerado bom..."

- Nem fácil, nem rápido, eu reconheço. Mas deve ser feito, para fortalecer o senso moral da seita e afastar novos perigos do caern. Tive reservas sobre estevão desde o início, e ainda não tenho  motivos para confiar nele. Mas prefiro não ter dores de cabeça e fazer tudo sem ajuda do que a situação presente...

Quanto a Mayasa, não creio que ele esteja interessado nela, mas, evidentemente, não posso garantir que um dia não ocorra algo. Tudo é possível em temos de Estêvão… E mais, ela é uma parente, da tribo dele. Eu não poderia fazer nada a respeito. Aliás, seria maravilhoso se ele sentasse cabeça. Então, se você pretende continuar com Maysa  - que, aliás, devo dizer, está se saindo muito bem como nossa auxiliar - as possíveis divergências que possa ter com Estêvão serão consideradas problemas pessoais, não da seita, entende? Terão que resolvê-las entre vocês dois. E, se forem honrados, não deixando prejudicar o caern.

O Bourbon D´Órleans teve que se concentrar desse vez para continuar falando de modo frio e racional com o ancião:

- Se eu tomar Maysa, ela será MINHA parente, e os filhos dela serão parentes dos presas de prata através da minha linhagem! Não peço que faça nada a respeito, Anton-rhya, sou plenamente capaz de defender o que é meu por meus próprios meios. Se chegar ao ponto de ter que confrontar Estevão, eu o farei sem prejudicar a seita, honradamente, como sempre fiz, mas não posso garantir nada sobre a honradez de Estevão.  Como disse, não confio nele!

De minha parte, Alain, por mais que preze Maysa e a considere uma parente exemplar, digna dos melhores garous, eu lhe aconselharia a pensar bem antes de casar-se fora da tribo, sobretudo se tem uma alternativa… Eu o fiz. Tenho a melhor família do mundo e nunca me arrependi. Mas isso terá um peso grande em sua vida, acredite-me.

Alaín meneou a cabeça. lamentando o conselho de Anton:

- Eu dei minha palavra de honra. Tenho que viver à altura dela e cumpri-la de qualquer modo. Não há alternativa a isso. Mas resolverei esse impasse ainda hoje!

Bem, já falei de mais! Amanhã de noite teremos a assembléia. Espero que Nádia ao menos possa ser uma boa galliard e narrar bem seus feitos na Ásia. Até lá, fique à vontade e desfrute do caern antes de sua nova missão.

Com um sorriso, Anton saiu do escritório, deixando Alain livre para fazer o que quiser.

Alaín despediu-se de Anton com um aceno respeitoso, mas em silêncio contemplativo, recapitulando toda a conversa. Sua mente analítica pesava cada frase e palavra ditas. Mas passaram-e apenas alguns momentos antes que ele se ele se levantasse e seguisse o caminho de Anton. Era hora de agir.

Ele rumou para o escritório do haras, onde poderia encontrar tanto Maysa quanto Felipe, duas das pessoas com quem tencionava ter conversas muito sérias. Laura era a terceira meta dele, mas ficaria para mais tarde. Sua preferência era falar primeiro com Maysa e depois com Felipe, mas se fosse o contrário, aproveitaria para sondar o Parente sobre as ações e disposições de sua prometida.

Abriu a porta do escritório e ficou parado no umbral, como um herói retornado da guerra (o que era exatamente o que ele era).

Seu coração batia acelerado na expectativa da reação de Maysa, mas seu rosto permanecia impassível e sua mente seguia trabalhando furiosamente as possibilidades.
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Re: Triunfo de Gaia - Monsieur Laforge

Mensagem por GAIA em Qua Mar 29, 2017 5:55 pm

Abriu a porta do escritório e ficou parado no umbral, como um herói retornado da guerra (o que era exatamente o que ele era).


Spoiler:


A reação de Maysa foi mais fria que o vento da estepe.

- Olá. - disse ela - Anton já avisou Felipe que você quer falar com ele. Ele o espera.

- Entra, Alaain! - chamou Felipe através da porta aberta, de um jeito informal e simpático.

Ao olhar pela porta que separava a pequena recepção do escritório em si, Alain pôde notar como tudo estava mais ordenado e bonito. Os objetos, a distribuição e os aromas, tudo era mais elegante desde que Maysa assumira a organização do escritório.

- Felicite-o pelo nascimento do filho. - aconselhou ela, sussurrando - Mas não ponha ênfase em que é outro menino, as fúrias estão pegando no pé de Agnella.

Foi o momento de maior proximidade entre Alain e Maysa mas o tom da jovem era eficiente e contido, como o de uma esposa exemplar.

Na sala, Felipe esperava-o com um café recém preparado. A nota desagradável era que Estêvão também estava lá, trabalhando em frente a seu moderníssimo computador.

- Sente-se, Triunfo-de-Gaia. - disse Felipe com um sorriso. - Anton nos disse que você pretende se estabelecer no país e que quer fazer negócios. Vamos conversar.

- E parabéns pela missão na Ásia Central. - falou Estêvão com amabilidade - Soubemos que se saiu muito bem e salvou as vidas de vários garous e parentes.

Maysa fechou a porta com um pouco mais de força do que o necessário.
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Re: Triunfo de Gaia - Monsieur Laforge

Mensagem por GAIA em Qua Mar 29, 2017 5:58 pm

A reação de Maysa foi mais fria que o vento da estepe.

- Olá. - disse ela - Anton já avisou Felipe que você quer falar com ele. Ele o espera
.

Alaín sentiu o coração apertar no peito ante a gelitude de Maysa. Talvez ele já esperasse algo assim, mas o fato consumado era profundamente perturbador. Ele ficou sem reação até ouvir a voz de Felipe.

Entra, Alaain! - chamou Felipe através da porta aberta, de um jeito informal e simpático.

Ao olhar pela porta que separava a pequena recepção do escritório em si, Alain pôde notar como tudo estava mais ordenado e bonito. Os objetos, a distribuição e os aromas, tudo era mais elegante desde que Maysa assumira a organização do escritório.

A mente de Alaín voltou a funcionar com um arranque. Ele subitamente se deu conta do seu arredor, notando as diferenças nele desde a última vez que esteve ali. O ambiente elegante e confortável era sem sombra de dúvida obra da Maysa. O funcionamento informal era característico de uma empresa familiar brasileira, muito diferente dos tratos duros, árduos e protocolares que Alaín sempre enfrentara no Canadá.

Ele ainda estava analisando tudo quando Maysa sussurrou para ele:

.  Felicite-o pelo nascimento do filho. - aconselhou ela, sussurrando - Mas não ponha ênfase em que é outro menino, as fúrias estão pegando no pé de Agnella.  

Aquilo foi um vislumbre da Maysa que ele conhecia, a garota afável e atenciosa que com graça e inteligência ganhará seu coração. Alaín a olhou e soube que não desistiria dela mesmo se tivesse de derrubar aquela muralha de gelo.

- Obrigado! Preciso falar com Felipe agora, mas o que eu realmente quero é falar com você! E é muito importante!

Na sala, Felipe esperava-o com um café recém preparado. A nota desagradável era que Estêvão também estava lá, trabalhando em frente a seu moderníssimo computador.  

Ele nunca desenvolverá apreço verdadeiro pela bebida café, mas compreendia o ritual social que ele envolvia. Tinha terminado de beber um bom chá na companhia de Anton e Aleksander, e a situação era idêntica, mas com pessoas diferentes.

A presença de Estevão era incômoda, mas naquela hora ele apenas ignorou o theurge enquanto cumprimentava seu verdadeiro alvo.

- Soube que foi pai novamente, meu caro! Parabéns, que a dádiva de Gaia continue com você!

- Sente-se, Triunfo-de-Gaia. - disse Felipe com um sorriso. - Anton nos disse que você pretende se estabelecer no país e que quer fazer negócios. Vamos conversar.

- E parabéns pela missão na Ásia Central. - falou Estêvão com amabilidade - Soubemos que se saiu muito bem e salvou as vidas de vários garous e parentes.

Maysa fechou a porta com um pouco mais de força do que o necessário.

A cordialidade de Felipe se contrapunha à cortesia falsa e venenosa de Estevão, que magoou Maysa desnecessáriamente.

"Eu estou vendo seus movimentos, cobra venenosa! Você vai pagar por essa impertinência...

Mas o tom de voz de Alaín era totalmente neutro ao responder:

- A guerra é uma situação extrema e eu fiz o que devia. Poderíamos ter vencido mais facilmente, se estivessemos melhor organizados e unidos. Por isso pretendo exatamente reorganizar minhas estratégias para defender Gaia. E é por isso que vim falar com você, Felipe.

- Pesquisei as leis brasileiras e para permanecer no Brasil legalmente, tenho que fazer um aporte financeiro em forma de investimento. Em vez de deixar meu dinheiro num banco qualquer ou fazer um negócio de fachada, prefiro começar uma empreitada de verdade que realmente beneficie a Nação Garou. Meu  intento original era investir no haras. Mas sei que vocês fazem um bom trabalho aqui. O que eu poderia fazer seria explorar oportunidades de mercado para aumentar o preço de venda de cada animal. Sei que é Laura quem dá a palavra final, mas gostaria de discutir com você um plano de negócios viável.


Após o debate com Felipe, tentando evitar interrupções de Estevão de um jeito educado, Alaín mudaria de tópico.

- Ouvi dizer que você também tem ideias sobre negócios em agricultura sustentável. Até onde descobri, as terras aqui na cidade não estão tão caras, então seria possível começar uma fazenda de boas proporções. Eu teria que confiar em você em muitos detalhes, Felipe, mas faria o possível para participar ativamente dá administração.

Triunfo iria observar atentamente as reações de Felipe e ouvir as propostas dele sobre essa questão.

- Uma alternativa seria começar algo na área do ecoturismo. Poderia ser um camping de esportes radicais ou um lugar de mais educação ecológica. Minha dúvida quanto a isso seria a viabilidade disso na segurança, com os metamorfos em volta. Acha que seria implementável?

Após ouvir as opiniões de Felipe sobre a terceira via, Alaín preparou-se para sair.

- Sou sincero com você, Felipe, e admito que o principal motivo para escolher o Brasil para fixar residência é meu compromisso com Maysa. Ela tem papel fundamental em qualquer plano que eu faça, mas parece que houve algumas más interpretações dela. Preciso conversar com ela, então eu ficaria grato se pudesse dispensá-la do trabalho por hoje.
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Re: Triunfo de Gaia - Monsieur Laforge

Mensagem por GAIA em Qua Mar 29, 2017 6:06 pm

Depois das amabilidades iniciais, a conversa entre Alain e os administradores de Fonte Fria começou.


- A guerra é uma situação extrema e eu fiz o que devia. Poderíamos ter vencido mais facilmente, se estivessemos melhor organizados e unidos. Por isso pretendo exatamente reorganizar minhas estratégias para defender Gaia. E é por isso que vim falar com você, Felipe.


Felipe assentiu com a cabeça. Ouvia cada uma das palavras de Alain atentamente, estudando-as com zelo de negociador. Estêvão parecia mais concentrado na complicada planilha no computador em frente a ele mas Alain não era ingênuo de pensar que ele não escutava a conversa com igual atenção.


- Pesquisei as leis brasileiras e para permanecer no Brasil legalmente, tenho que fazer um aporte financeiro em forma de investimento. Em vez de deixar meu dinheiro num banco qualquer ou fazer um negócio de fachada, prefiro começar uma empreitada de verdade que realmente beneficie a Nação Garou.


- Que bom. Nunca entendi garous com fortunas que não estejam a serviço de Gaia. - alfinetou Estêvão sem tirar os olhos do computador.

Felipe preferiu não dar corda ao comentário.


Meu  intento original era investir no haras. Mas sei que vocês fazem um bom trabalho aqui. O que eu poderia fazer seria explorar oportunidades de mercado para aumentar o preço de venda de cada animal. Sei que é Laura quem dá a palavra final, mas gostaria de discutir com você um plano de negócios viável.


- Então… - disse Felipe, reticente. Prosseguiu escolhando cuidadosamente as palavras, não porque quisesse manipulá-lo, sentiu Alain, mas porque era, de hábito, um homem gentil.

- Nossa criação de cavalos é um negócio de expansão limitada, que requer certos conhecimentos técnicos, uma boa dose de dedicação e, sobretudo, amor pelos animais que criamos. Nós os conhecemos pelos nomes, acompanhamos seus nascimentos. Não é só uma questão de bons preços, Alain, mas de encontrar bons donos para os cavalos e de deixar os clientes felizes com eles… Um negócio, claro, mas com certas particularidades que o tornam difícil.

Pensou uns segundos e acrescentou.

- Além disso, o haras é a menina dos olhos de Laura e Gaia sabe o quanto ela pode ser controladora com o que ama…

Estêvão sorriu para sua planilha.

- Acredito que seria um tanto frustrante para você, Alain. - concluiu Felipe - Perdoe minha sinceridade.


- Ouvi dizer que você também tem ideias sobre negócios em agricultura sustentável. Até onde descobri, as terras aqui na cidade não estão tão caras, então seria possível começar uma fazenda de boas proporções. Eu teria que confiar em você em muitos detalhes, Felipe, mas faria o possível para participar ativamente dá administração.


- Sim! - dessa vez Felipe respondeu com brilho nos olhos - Décadas de trabalho sutil de parentes e garous têm surtido efeito e os humanos estão mais predispostos a um consumo consciente. Nós já produzimos de modo ético e sustentável para a seita mas seria maravilhoso expandir isso para os consumidores em geral. Isso não é tão fácil de fazer longe dos benefícios do caern, mas ainda assim é viável. Você pode contar com minha ajuda para o que for necessário. Inclusive, aqui do lado há…

- Uma cidade mais próxima a São Paulo seria mais interessante para você, Alain. - interrompeu Estêvão, girando em sua cadeira de design até encará-lo de frente -Você poderia oferecer alimentos para a USP. Serpente do Brejo é um caern mas a comida da universidade é um lixo da Weaver, comprada de fornecedores humanos com todo seus vícios. Você poderia convencer a seita a arranjar para que a USP comprasse sua produção. Este sim, é um negócio grande. E a universidade têm profissionais em agronomia, pecuária etc, que poderiam ser muito úteis nas mãos de um philodox inteligente como você. Sem falar na influência sobre a seita. Uma relação ganha-ganha bem melhor do que aqui…

- Bem, lá isso é… - ponderou Felipe.


- Uma alternativa seria começar algo na área do ecoturismo. Poderia ser um camping de esportes radicais ou um lugar de mais educação ecológica. Minha dúvida quanto a isso seria a viabilidade disso na segurança, com os metamorfos em volta. Acha que seria implementável?


- Acho que se a questão envolve metamorfos, devo deixá-la a um garou. Estêvão? - disse Felipe com humildade.

- Sinceramente, Alain. - respondeu o theurge - Qualquer área que você adquira nesta região será um problema com os bastet. Os Pumonca são muito territorialistas e eles controlam as matas nativas dos topos das montanhas com a mesma paixão que nós defendemos o vale em que está o caern e influenciamos a cidade. É um equilíbrio instável mas tem funcionado. E tudo graças aos acordos feitos por Julián. Não acho correto um garou de fora instalar-se sem que ele ao menos tenha voltado e começar a adquirir terras colocando em risco a paz conseguida.

- Isto é certo. - disse Felipe, decidindo-se - Todavia… Desculpem-me, sei que um parente como eu não é o mais indicado para falar sobre hierarquia garou… mas… Anton é o ancião presente e ele me disse que falasse de negócios com Alain, então acho que minha obrigação é obedecê-lo e esclarecer todas as perspectivas para Alain, mesmo que o negócio só venha a ocorrer no futuro.

É verdade o que Estêvão disse, os Pumonca protegem as montanhas e nós a cidade e o caern. Mas há um hiato: as terras em poder dos humanos. É certo que vez por outra alguns desses proprietários mais "cheios de idéias" acabam "sofrendo lamentáveis acidentes", seja com nossa ajuda, seja com a dos Pumonca, mas ainda assim não podemos controlar tudo o que cada um faz em suas terras e muitas irregularidades ocorrem. O tal "ecoturismo" muitas vezes de "eco" não tem nada. Os turistas são despreocupados por definição. Vêem árvores e assumem que o ambiente está preservado. Mas nem sempre é assim. Muitos empresários conservam duas ou três araucárias antigas para que seus visitantes recolham pinhões e tirem fotos mas omitem os pinheiros mais jovens que cortaram para construir as cabanas ou para plantar árvores mais interessantes economicamente. Outros introduzem espécies exóticas para dar um ar mais "europeu" ao frio de Pedra Lisa sem preocupar-se com o impacto que isso terá sobre a flora e fauna nativas. Coisas desse tipo. Se você pudesse comprar algumas dessas áreas e implementar um ecoturismo que merecesse o nome, seria, sim, uma boa colaboração para nós, pois não podemos estar em todos os lugares.


- E pode fazer isso no Canadá. - suspirou Estêvão - Não é um problema local, O turismo daninho seguramente ocorre debaixo dos seus narizes por lá.


Após ouvir as opiniões de Felipe sobre a terceira via, Alaín preparou-se para sair.

- Sou sincero com você, Felipe, e admito que o principal motivo para escolher o Brasil para fixar residência é meu compromisso com Maysa. Ela tem papel fundamental em qualquer plano que eu faça, mas parece que houve algumas más interpretações dela. Preciso conversar com ela, então eu ficaria grato se pudesse dispensá-la do trabalho por hoje.


Estêvão escutou a confissão com um olhar pensativo, como se tramasse algo.

- Lamento. - respondeu Felipe - Não posso dispensar Maysa. Ela tem documentos para redigir e ligações a fazer e a atender. Nós estamos indo e vindo o tempo todo e o escritório não pode fizer sozinho. Mas Estêvão e eu estamos de saída no momento, então você poderá conversar com ela aqui mesmo, sem problema.

- Problema é tomar decisões por amor. - disse Estêvão a Alain em um tom enigmático - Afinal, namoradas se perdem e, neste caso, já não teria sentido estar radicado aqui, não é mesmo?…

Em seguida abriu a porta e os três saíram para a recepção. Felipe estaria de volta em algumas horas, mas Estêvão, não. Então disse adeus a Felipe e Alain, despediu-se de Maysa com um beijo no rosto e já deixava o local quando a jovem inesperadamente o reteve.

- Estêvão, espere. Estive pensando e… acho que estou pronta para aprender o dom Dona Nobis Pacem. Você poderia me ajudar com o espírito?

Alain era sagaz o bastante para entender que a intenção de Maysa era castigá-lo, provocando ciúme. E também para captar o sarcasmo dirigido a si nas palavras de Estêvão, quando este virou-se e respondeu à Maysa:

- Bem, se é isso o que você quer… Começamos depois da assembléia.

Estêvão girou-se nos calcanhares e voltou a caminhar, agora com um certo gingado. Estava de costas mas Alain quase podia ver seu sorriso.

Felipe também se foi. Alain ficou a sós com Maysa.
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Re: Triunfo de Gaia - Monsieur Laforge

Mensagem por GAIA em Qua Mar 29, 2017 6:07 pm

Alaín decidiu não se mostrar incomodado com as interrupções de Estevão, procurando se concentrar nas coisas mais importantes.

.

- Então… - disse Felipe, reticente. Prosseguiu escolhando cuidadosamente as palavras, não porque quisesse manipulá-lo, sentiu Alain, mas porque era, de hábito, um homem gentil.

- Nossa criação de cavalos é um negócio de expansão limitada, que requer certos conhecimentos técnicos, uma boa dose de dedicação e, sobretudo, amor pelos animais que criamos. Nós os conhecemos pelos nomes, acompanhamos seus nascimentos. Não é só uma questão de bons preços, Alain, mas de encontrar bons donos para os cavalos e de deixar os clientes felizes com eles… Um negócio, claro, mas com certas particularidades que o tornam difícil.

Pensou uns segundos e acrescentou.

- Além disso, o haras é a menina dos olhos de Laura e Gaia sabe o quanto ela pode ser controladora com o que ama…

Estêvão sorriu para sua planilha.

- Acredito que seria um tanto frustrante para você, Alain. - concluiu Felipe - Perdoe minha sinceridade.  

Ele acenou com a cabeça, compreensivo.

- Entendo seu ponto, Felipe. Com certeza eu sei bem pouco dá criação de cavalos comparado a você, e menos ainda sobre as especificidades locais. Embora pudesse aprender, isso levaria bastante tempo, o que talvez eu não tenha. Mas acredito que você, Estevão, esteja enganado. Eu tenho profunda consideração com Laura, e seria um prazer para mim fazer as vontades dela sobre o haras, ainda mais por ser um assunto que eu não dominó. Ela é uma anciã presa de prata como não se vê muitas por aí, e eu teria prazer em trabalhar com ela. Além do mais, um aporte financeiro num negócio já existente seria bem menos burocrático do que a abertura de uma nova forma. Não descartei de modo algum essa possibilidade por enquanto...

.
- Sim! - dessa vez Felipe respondeu com brilho nos olhos - Décadas de trabalho sutil de parentes e garous têm surtido efeito e os humanos estão mais predispostos a um consumo consciente. Nós já produzimos de modo ético e sustentável para a seita mas seria maravilhoso expandir isso para os consumidores em geral. Isso não é tão fácil de fazer longe dos benefícios do caern, mas ainda assim é viável. Você pode contar com minha ajuda para o que for necessário. Inclusive, aqui do lado há…

- Uma cidade mais próxima a São Paulo seria mais interessante para você, Alain. - interrompeu Estêvão, girando em sua cadeira de design até encará-lo de frente -Você poderia oferecer alimentos para a USP. Serpente do Brejo é um caern mas a comida da universidade é um lixo da Weaver, comprada de fornecedores humanos com todo seus vícios. Você poderia convencer a seita a arranjar para que a USP comprasse sua produção. Este sim, é um negócio grande. E a universidade têm profissionais em agronomia, pecuária etc, que poderiam ser muito úteis nas mãos de um philodox inteligente como você. Sem falar na influência sobre a seita. Uma relação ganha-ganha bem melhor do que aqui…

- Bem, lá isso é… - ponderou Felipe.

Enquanto escutava, o cérebro de Alaín funcionava furiosamente. Quando Felipe ponderou os argumentos de Estevão, o phillodox já tinha um pensamento formado:

- Na verdade, Estevão se precipitou nessa conclusão. Eu pesquisei sobre a USP quando minhas irmãs foram para lá e as informações que obtive são de um gigantismo descentralizado em vários campi por todo o estado. O próprio departamento de agronomia dela está em São Carlos, uma cidade mais próxima daqui do que de São Paulo. Mas Estevão me deu uma ideia para formatar seu propósito, Felipe: em vez de uma fazenda estritamente comercial, poderíamos propor à USP uma parceria numa fazenda-laboratorio de produção orgânica. Assim teríamos o apoio técnico dela e nossa experiência poderia ser replicada em outros lugares que seguissem o estudo dá universidade. Me parece um bom plano... Além do que, a seita do Caern USP ainda não é muito confiável, então não convém trabalhar a longo prazo tão perto do caern deles...

.
É verdade o que Estêvão disse, os Pumonca protegem as montanhas e nós a cidade e o caern. Mas há um hiato: as terras em poder dos humanos. É certo que vez por outra alguns desses proprietários mais "cheios de idéias" acabam "sofrendo lamentáveis acidentes", seja com nossa ajuda, seja com a dos Pumonca, mas ainda assim não podemos controlar tudo o que cada um faz em suas terras e muitas irregularidades ocorrem. O tal "ecoturismo" muitas vezes de "eco" não tem nada. Os turistas são despreocupados por definição. Vêem árvores e assumem que o ambiente está preservado. Mas nem sempre é assim. Muitos empresários conservam duas ou três araucárias antigas para que seus visitantes recolham pinhões e tirem fotos mas omitem os pinheiros mais jovens que cortaram para construir as cabanas ou para plantar árvores mais interessantes economicamente. Outros introduzem espécies exóticas para dar um ar mais "europeu" ao frio de Pedra Lisa sem preocupar-se com o impacto que isso terá sobre a flora e fauna nativas. Coisas desse tipo. Se você pudesse comprar algumas dessas áreas e implementar um ecoturismo que merecesse o nome, seria, sim, uma boa colaboração para nós, pois não podemos estar em todos os lugares.

Alaín não se animou em ter que ouvir as explanações de Estevão, mas foi paciente e esperou até que Felipe alargasse novamente. As palavras dele foram bem mais encorajadoras, e Alaín sorriu:

- Eu entendo seu ponto, Felipe, e concordo plenamente. No Canadá, as áreas selvagens sofreram com a expansão das cidades e em muitos lugares agora elas são vizinhas, mas isso promoveu uma conscientização sem precedentes no mundo acerca do turismo sustentável. Há algumas experiências interessantes que poderiam ser replicadas aqui. Sua sugestão de localização geográfica é estrategicamente excelente, não invadindo a área dos pumoncas mas mantendo um cinturão verde sob nosso controle ao redor de Pedra Lisa. É um plano ambicioso, mas eu gosto de pensar grande como você. Esperarei para falar com Julian, claro, mas acho que esse é um plano de ação que decididamente eu tentarei, e conto com sua ajuda e conhecimento local para essa investida imobiliária!

Em seguida abriu a porta e os três saíram para a recepção. Felipe estaria de volta em algumas horas, mas Estêvão, não. Então disse adeus a Felipe e Alain, despediu-se de Maysa com um beijo no rosto e já deixava o local quando a jovem inesperadamente o reteve.

- Estêvão, espere. Estive pensando e… acho que estou pronta para aprender o dom Dona Nobis Pacem. Você poderia me ajudar com o espírito?

Alain era sagaz o bastante para entender que a intenção de Maysa era castigá-lo, provocando ciúme. E também para captar o sarcasmo dirigido a si nas palavras de Estêvão, quando este virou-se e respondeu à Maysa:

- Bem, se é isso o que você quer… Começamos depois da assembléia.

Estêvão girou-se nos calcanhares e voltou a caminhar, agora com um certo gingado. Estava de costas mas Alain quase podia ver seu sorriso.

Felipe também se foi. Alain ficou a sós com Maysa.

Alaín desconfiou que Felipe não estava disposto a perder uma funcionária como Maysa, mas a postura de Estevão lembrava a dos mais pérfidos senhores das sombras com que Triunfo-de-Gaia já lidara. Ele não se preocupou em responder as considerações dele.

A atitude de Maysa, tão infantil quanto artificial, magoou Alaín não pelo que era, mas pelo que intencionava, justamente magoá-lo.

"Muuuuito maduro, May, realmente está sabendo lidar com a situação como adulta... Só que non!

Embora eles não quisessem deixar o escritório vazio, ficou claro para Alaín que não havia muito trabalho a ser feito naquele momento, então ele não se sentiu culpado por exigir total atenção de Maysa.

Ele sentou-se à frente dela e olhou no fundo daqueles olhos violetas por um longo momento antes de começar a falar:

-Maysa, eu não sei o que você ouviu sobre tudo que aconteceu, mas eu prometi que voltaria para você e vim cumprir minha palavra. Eu nunca menti para você, e vou continuar falando a verdade enquanto te conto tudo que ocorreu. Então por favor abra seu coração e escute a verdade:

- Quando saímos daqui, fizemos uma ponte da Lua até o Marrocos, onde ficamos por um tempo hospedados no hotel de um simpático casal de parentes, aos quais eu prometi te levar lá para ensinar alguns pratos típicos daqui (não esqueci como você cozinha tres bien). De lá nos reunimos com Oleg e  viajamos para encontrar o resto dos nossos aliados. May, por Gaia, eu nunca tinha visto tantos garous reunidos, todos com um único propósito, muitos deles presas de prata, tantos como eu nunca vi juntos! Foi realmente inspirador!

- Nossa missão era exterminar uma pequena cidade de parentes corrompidos, e salvar qualquer inocente que conseguíssemos resgatar. Mas cedo começou a haver problemas, com garous desgarrados, inclusive eu mesmo ficando preso e isolado na Umbra.

-Quando consegui retornar, ajudei Aurora da Esperança a localizar Nádia, que tinha sido capturada e torturada pelos servos da Wyrm. Houve um combate rápido,eu matei alguns deles e um Espiral Negra, mas levei dois tiros de bala de prata.


Fez uma pausa e encarou Maysa, imaginando se ela conseguia imaginar tudo que ele tinha visto.

-Um dos prisioneiros me disse que eles tinham capturado parentes dos presas de prata, que estavam torturando e matando-os, mas que havia ainda uma delas, presa num calabouço sob o castelo onde nunca a acharíamos antes que morresse de fome. Eu negociei com ele até que me dissesse o caminho e depois corri pro castelo. Mas o cenário lá era assustador: garous lutando contra garous, zumbis vingativos dos recém-falecidos, meteoros flamejantes caindo do céu, e apenas uma ponte cheia para chegar ao castelo.

Alaín fez outra pausa, arrepiando com a lembrança.

-Eu tive de assumir o comando de uma tropa inteira e garantir que a maioria sobrevivesse. Mesmo assim foram muitos garous e parentes resgatados que morreram antes que a situação fosse controlada, e eu mesmo saí bastante ferido. Assim que pude, eu corri para resgatar a única refém presa de prata que encontrei, Tatiana Lunisvet. Os garous me renomaram por muitos feitos nesta missão, mas esse foi o único momento em que realmente senti que estava salvando alguém, May.

- O resto do tempo na Ásia Central foi só reconstruir, mas na hora de partir, decidi que havia mais para Tânia fora de lá, longe das turbulências e guerras, além das intrigas políticas. Não queria tê-la salvo para que ela virasse vítima de outras refregas deles. Ela é oficialmente uma refugiada de guerra agora.


Alaín suspirou profundamente, sem nunca desviar os olhos de Maysa. Recomeçou a falar, mas seu tom ficava cada vez mais apaixonado e mais longe dá habitual frieza racional:

- Até agora falei dos fatos. Agora quero te contar do que eu sinto.

- Eu sei que você ama o homem Alaín Bourbon D'Orleans, mas eu também sou Triunfo-de-Gaia, phillodox dos Presas de Prata. Como todos os garous, levo uma vida dupla, sou um monstro que caça outros monstros ainda piores, que mata pessoas que julgo corrompidas, que viaja o mundo explorando lugares insólitos e desafiando a lei dos homens para tentar garantir o futuro de Gaia. Amanhã mesmo eu partirei em outra missão, na qual o primeiro passo é seduzir uma jovem herdeira em busca de informações.  É isso que é ser um garou, Maysa.

- Mas nós somos uma raça em extinção. Nascem menos de nós a cada ano. A minha tribo é ainda mais ameaçada, pois poucos garous e parentes podem ser chamados de presas de prata. Toda aquela bobagem de genealogia que o Aleksander vive falando tem muito fundamento, o respeito que a minha tribo inspira em outros garous vêm do sangue antigo dos maiores heróis de Gaia. Alguns presas de prata fazem de tudo para preservar suas linhagens, casam-se com irmãs, cruzam sempre com as mesmas famílias, até mantém haréns de mulheres e lobas somente para a reprodução, fazem todo tipo de loucos arranjos. Mesmo os lobos, que cruzam com diferentes parceiros a cada estação, são muito mais seletivos do que as outras tribos. Tudo para manter o sangue puro.

- Eu tenho esse sangue antigo nas veias numa das formas mais puras que se pode achar nos dias de hoje. A expectativa da minha tribo é que eu gere descendência com parentes dá mesma estirpe e garanta que esse sangue não se dilua e que ainda existam presas de prata quando meus filhos crescerem.

- Quando eu te conheci, linda, maravilhosa, mágica, minha única decepção foi não achar nenhum vestígio desse sangue real em você, minha princesa! Nossos filhos terão apenas a minha herança genética, o que daria uma chance de 50℅ de serem presas de prata, garous ou parentes, ainda assim do tipo mais vulgar. Mesmo assim, eu quis você, quis ter filhos com você, quis você pra mim. Te quis mesmo sabendo que minha tribo te viraria as costas, que por fazer isso eu jamais seria um rei da Coração Irrompivel, que seria apenas um príncipe que não cumpriu com seus deveres. Eu aceitei isso, não me arrependi, mas preciso que você entenda tudo de que eu abri mão e valorize isso!


Alaín buscou apertar a mão de Maysa sobre a mesa, fitando-a intensamente.

- Agora, eu vou lhe dizer tudo sobre Tânia. Ela é jovem, quase uma adolescente, me faz sentir como se fosse uma prima. Ela é alegre apesar de tudo que passou e muito corajosa também. Não vou mentir, May, existe uma atração primitiva entre nós, algum chamado ancestral que eu não sei como descrever. Física e psicologicamente, ela seria a companheira perfeita para mim, capaz de gerar filhos de sangue puro, já sentiu na pele o melhor e o pior do que é ser parente dos presas de prata, não tem medo de se arriscar num campo de batalha. Eu consigo imaginar ela me acompanhando pelo mundo com a lealdade que eu esperaria de uma parceira, eu sei que ela seria bem aceita em qualquer casa dos presas de prata, ela é perfeita em muitos sentidos.

- Mas eu lhe juro, Maysa Dibh, pela minha honra, que não aconteceu nada entre eu e ela, nem um único beijo inocente! Por mais tentadora que ela seja, ela não é você! Você é alguém que eu jamais arriscaria num campo de batalha! Você é alguém que eu gostaria de preservar do lado mais sujo e feio das batalhas dos garous! Você é aquela que conquistou meu coração com um simples sorriso, que faz os sinos soarem música a cada palavra que pronuncia, você!

É em você que eu penso com meu coração, é com você que quero me casar, é você que quero encontrar a cada vez que voltar de uma batalha, é a você que quero confiar o nome e o patrimônio da minha família, é de você que sinto ciúmes tão grande que seria capaz de matar um homem por pensar em olhar pra você, é só você que consegue me entender pra fazer exatamente o que eu gosto é o que eu não gosto, é ao seu lado que quero acordar a cada manhã!

- Eu não te prometo uma vida fácil, Maysa Dibh, nem prometo que estarei ao seu lado todos os dias! Não posso prometer que não sairei para lutar por Gaia sem saber se voltarei! Não posso prometer que não cruzarei o caminho de outras mulheres nessas missões! Não posso prometer que os deveres com a minha tribo não me afastarão de você de formas e em tempos inconvenientes!

- O que posso te prometer é que sempre que voltar, voltarei para você! Que todo primeiro pensamento de cada dia é seu, que cada batida do meu coração ecoará o seu riso, que a última palavra que sair da minha boca quando eu finalmente tombar será o seu nome! Isso eu prometo! E sei que é pouco tudo que posso te oferecer, mas é verdadeiro e eu meu máximo presente...

- Mas preciso que você entenda o que eu sou, Maysa, que saiba como eu sou, me aceite pelo que sou, me ame como eu sou! ... Acha que é capaz disso?
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Re: Triunfo de Gaia - Monsieur Laforge

Mensagem por GAIA em Qua Mar 29, 2017 6:09 pm

- Mas preciso que você entenda o que eu sou, Maysa, que saiba como eu sou, me aceite pelo que sou, me ame como eu sou! ... Acha que é capaz disso?


- Não sei…. – respondeu Maysa em um sussurro.

Até então ela ouvira as palavras de Alain pacientemente, em silêncio. Apenas seus olhos tinham se manifestado, cobrindo-se de lágrimas até adquirirem um brilho vidroso que assemelhava-os a dois planetas azuis onde a chuva era eterna.

Maysa secou com um lencinho de papel uma gota que escorria de seu nariz avermelhado pelo choro. Parecia uma criança inocente e ferida, o que suscitava uma miríade de sentimentos em Alain, sendo o mais perturbador deles o de que ela era ainda mais bonita chorando.

- Não sei se posso... – repetiu.

Sempre soube o que esperar da vida de uma esposa de garou, Alain.

Estou preparada para a solidão, o risco de sua fera latente, a eterna ameaça de amar e perder e de ser uma viúva jovem com filhos pequenos. E também para os conflitos com a sociedade humana e a certeza de que, para um garou, Gaia sempre estará acima da família.

Aprendi algo sobre a pureza racial também. Passo oito horas por dia aqui. Mesmo sendo discreta, algumas coisas eu acabo escutando. Já ouvi conversas sobre linhagens e raça pura que pensei serem sobre cavalos até escutar a palavra “casamento” em vez de “cruzamento”. Sei da importância de gerar novos lobisomens. De certa forma, este lugar também  é uma “criação” de garous e eu sei de coisas que ocorreram aqui que chocariam as pessoas comuns. Então faz todo o sentido para mim o que você me conta sobre os presas de prata.

O que eu não sabia é o quão inadequada eu sou para você! E o quanto essa garota que você salvou é perfeita!


Uma lágrima rolou pelo rosto de Maysa.

- São coisas duras de ouvir. O que eu devo fazer depois disso? Acho que seu fosse uma parente generosa ou, talvez, mais digna, saíria de seu caminho deixando o lugar para ela. Mas eu não sou. Não poderia deixá-lo, Alain. Amo-o demais para isso…

Maysa baixou a cabeça por um momento e, então, elevou o olhar.

- Você diz que mesmo assim quer se casar comigo… Então por que levou essa garota para morar com você? Ela está vivendo em sua casa, não é mesmo? Foi o que Nádia disse, que você tinha levado para a casa a parente que salvou… e que eu me cuidasse… porque ela era muito bonita. Nádia faz essas brincadeiras sem pensar…

Maysa moveu a cabeça, como afastando um pensamento.

- Sei que é errado… mas eu procurei escutar as conversas daqui depois disso. Afinal, me diziam respeito. Então ouvi Anton comentar com Felipe que lamentava muito por mim mas que estava feliz por você ter encontrado a parente apropriada. Que não teria que passar pela dor de contar aos filhos que a tribo não os aceitaria com membros, como aconteceu com ele e com Laura.

Doeu muito ouvir isso. Sempre pensei em mim como a esposa que qualquer homem ou garou gostaria de ter. Sei que Anton não falou por mal, mas me senti envergonhada.

Só que não é só uma imposição da tribo, não é mesmo? Você acaba de me dizer que sente atração por essa menina!

Como eu lido com isso, Alain? Você diz que não aconteceu nada entre os dois mas por quanto tempo isso se manterá assim? Qual a razão para levá-la consigo, se não foi por algum sentimento? Ela não é uma criança. E a Rússia não pode ser tão perigosa. Anton e Aleksandr têm famílias lá. Há caerns, não? E se havia tantos presas de prata na batalha, algum não poderia ter assumido a proteção dela? Se é tão bonita…

De verdade, não sei o que você pretende…

Ou não quero ver.

O que você fará com ela se nos casarmos? E ainda tem toda essa história de que você terá que seduzir uma jovem herdeira, que não me promete não cruzar o caminho de outras mulheres em suas missões e que tudo o que tem para oferecer é sempre voltar para mim e etc.

“No fim ele sempre volta para mim”. É isso?


Havia mágoa nos olhos de Maysa.

- Não sei se sou capaz de aceitar esse futuro, Alain.

Movia a cabeça lentamente em negação, enquanto as lágrimas caíam.

- Minha família vem do Oriente Médio mas eu sou brasileira… Não sei se aguentaria… dividir… você.

O telefone tocou, então, interrompendo-os. Maysa enxugou as lágrimas e atendeu a ligação com um profissionalismo invejável, desculpando-se por um suposto resfriado. Falava com desenvoltura, estava claro que ela entendia dos negócios do haras.

Quando acabou a chamada, destacou uma folha de um bloco de papel, escreveu umas linhas e entregou-a para Alain.

- Tenho que trabalhar. Este é meu novo endereço em Pedra Lisa; fica perto do Hotel Montemor. Eu moro sozinha, você pode ir para lá de noite, se quiser…

Olhou nos olhos de Alain e concluiu.

- Não sei que resposta dar-lhe sobre tudo isso, amor. Não sou capaz de um ultimatum do tipo “ou eu ou ela”. Não quero afrontrar sua tribo forçando-o a escolher alguém que vai estragar sua linhagem. Não creio que possa terminar com você. Talvez devesse, mas não creio poder. Por outro lado, não sei se aguentaria saber que você esteve com outras mulheres, mesmo que por dever com Gaia ou com a continuidade de sua tribo. E não sei se suportaria sequer olhar para essa sua “protegida” russa. Tenho que digerir tudo isso ainda.

Mas vá a meu apartamento. Não quero que parta em missão pensando que estamos brigados.

Só deixemos as coisas irem acontecendo, está bem? Acho que é o melhor para os dois.


Off:
Alexyus, eu entendi as palavras do Alain mas tenho interpretar a Maysa, que tem um perfil conciliador e indeciso.
Deixo a seu critério aproveitar o tempo ficcional até a noite para interação com outro npc ou ir direto para a finalização da conversa com a May e seguir de uma vez para a assembléia e a missão.
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Re: Triunfo de Gaia - Monsieur Laforge

Mensagem por GAIA em Qua Mar 29, 2017 6:11 pm

MAYSA

Alaín observava Maysa, com sentimentos conflitantes, mas seu pensamento ao ver as lágrimas correrem pelo lindo rosto dela era que a muralha de gelo estava finalmente derretendo. Mas o primeiro sussurro dela fez o sangue dele gelar. Ele esperou até que ela falasse tudo que lhe ia no coração.

O que eu não sabia é o quão inadequada eu sou para você! E o quanto essa garota que você salvou é perfeita!

Ele sacudiu a cabeça, percebendo que ela se perdia em pensamentos erráticos. Mas continuou em silêncio para descobrir o que a tinha levado a pensar isso.

- São coisas duras de ouvir. O que eu devo fazer depois disso? Acho que seu fosse uma parente generosa ou, talvez, mais digna, saíria de seu caminho deixando o lugar para ela. Mas eu não sou. Não poderia deixá-lo, Alain. Amo-o demais para isso…

Nesse instante, ele soube que ela jamais o deixaria, e assim tudo ficaria bem. O amor ainda estava lá, dentro dela, e enquanto ele perdurasse, haveria sempre uma saída.

- Você diz que mesmo assim quer se casar comigo… Então por que levou essa garota para morar com você? Ela está vivendo em sua casa, não é mesmo? Foi o que Nádia disse, que você tinha levado para a casa a parente que salvou… e que eu me cuidasse… porque ela era muito bonita. Nádia faz essas brincadeiras sem pensar…

"Nádia! Maldita vira-latas de língua solta! Não devia ficar fofocando por aí! Não aprendeu nada em Vaki???"

- Sei que é errado… mas eu procurei escutar as conversas daqui depois disso. Afinal, me diziam respeito. Então ouvi Anton comentar com Felipe que lamentava muito por mim mas que estava feliz por você ter encontrado a parente apropriada. Que não teria que passar pela dor de contar aos filhos que a tribo não os aceitaria com membros, como aconteceu com ele e com Laura.

Doeu muito ouvir isso. Sempre pensei em mim como a esposa que qualquer homem ou garou gostaria de ter. Sei que Anton não falou por mal, mas me senti envergonhada.

"Eu queria que ela fosse minha espiã, mas infelizmente a única coisa que a fez agir como eu queria foi tentar descobrir as fofocas sobre a minha própria vida longe daqui.  Isso não faz nenhum bem para ela!"

Só que não é só uma imposição da tribo, não é mesmo? Você acaba de me dizer que sente atração por essa menina!

Como eu lido com isso, Alain? Você diz que não aconteceu nada entre os dois mas por quanto tempo isso se manterá assim? Qual a razão para levá-la consigo, se não foi por algum sentimento? Ela não é uma criança. E a Rússia não pode ser tão perigosa. Anton e Aleksandr têm famílias lá. Há caerns, não? E se havia tantos presas de prata na batalha, algum não poderia ter assumido a proteção dela? Se é tão bonita…

De verdade, não sei o que você pretende…

Ou não quero ver.

O que você fará com ela se nos casarmos? E ainda tem toda essa história de que você terá que seduzir uma jovem herdeira, que não me promete não cruzar o caminho de outras mulheres em suas missões e que tudo o que tem para oferecer é sempre voltar para mim e etc.

Foi preciso que ele apertasse os lábios para não externar sua contrariedade.

"Não, você não compreende! A Rússia não é segura, não quando garous lutam contra garous, e minha própria tribo faz movimentos desastrosos que arruínam boas intenções! Não havia ninguém em quem eu pudesse confiar para cuidar de Tatiana, e os únicos dignos como Oleg estão sentados em cima de uma bomba prestes a explodir. Não havia nenhuma escolha boa, eu fiz o que tinha que fazer!"

“No fim ele sempre volta para mim”. É isso?

Havia mágoa nos olhos de Maysa.

No fundo do coração dele, uma serpente orgulhosa ergueu sua cabeça furiosa com aquela pergunta.

"No fim? Ela tem alguma ideia de todas as dificuldades da estrada de volta a ela? Sabe quantas vezes você esteve perto de não voltar? Ela não entende que no verdadeiro fim você não voltará mais?"

Mas o Bourbon D´Órleans sufocou essa voz mesquinha e esforçou-se para enxergar a tristeza e a mágoa que Maysa exprimia.

- Não sei se sou capaz de aceitar esse futuro, Alain.

Movia a cabeça lentamente em negação, enquanto as lágrimas caíam.

- Minha família vem do Oriente Médio mas eu sou brasileira… Não sei se aguentaria… dividir… você.

"É isso então? É isso que ela acha que eu estou pedindo? Que ela me divida com outras mulheres? Maysa não entende o que eu pretendo... mas como poderia, se nem os anciãos conseguem ver todos os desdobramentos de suas intenções? Eu preciso mostrar a ela exatamente o que eu pretendo, só assim conseguirei tê-la ao meu lado para sempre..."

Alaín observou enquanto ela atendia a chamada telefônica, admirando sua eficiência e autocontrole, embora parte dele amaldiçoasse o telefone por tê-los interrompido.

- Não sei que resposta dar-lhe sobre tudo isso, amor. Não sou capaz de um ultimatum do tipo “ou eu ou ela”. Não quero afrontrar sua tribo forçando-o a escolher alguém que vai estragar sua linhagem. Não creio que possa terminar com você. Talvez devesse, mas não creio poder. Por outro lado, não sei se aguentaria saber que você esteve com outras mulheres, mesmo que por dever com Gaia ou com a continuidade de sua tribo. E não sei se suportaria sequer olhar para essa sua “protegida” russa. Tenho que digerir tudo isso ainda.

Mas vá a meu apartamento. Não quero que parta em missão pensando que estamos brigados.

Só deixemos as coisas irem acontecendo, está bem? Acho que é o melhor para os dois.

Alaín levantou-se para obedecer a deixa dela, mas ficou parado de pé na frente dela enquanto estacava com o pensamento conflitante.

Num gesto súbito, ele inclinou-e sobre a mesa, colocando o rosto mais perto do dela do que já tinha feito durante todo o dia. Falou com ênfase, ferocidade, paixão, convicção:

- Se você me pedisse para escolher, eu escolheria você! Em qualquer momento! Se aliviasse a sua dor, eu mataria Nádia, mataria Estevão, mataria qualquer um que ficasse em nosso caminho! Não permita que as mudanças das situações te façam duvidar daquilo que você sabe que eu sinto por você!

Alaín beijou Maysa, sem saber se o sentimento feroz de posse que aquele contato repentino continha a Fúria dele ou a mágoa dela. Foi um longo momento até que ele recobrasse a calma e se endireitasse. Sua voz retomou aos poucos o tom racional habitual, mas ainda não estava calma.

- Eu tenho que falar com Laura ainda hoje, mas irei vê-la essa noite. Há muito que preciso lhe contar, mas não pode ser aqui nem agora. Mas confie em mim e eu lhe direi tudo que pretendo, e talvez você entenda o que estou fazendo...

Alaín pegou o endereço e saiu, consciente da dificuldade de cada passo. Ele abriu gentilmente a porta e saiu, sem olhar para trás. Tinha medo de desistir se olhasse.


LAURA

As palavras de Maysa ainda ecoavam todas na cabeça de Alaín, que recordava cada palavra, mas ele e esforçava para focar no que faria a seguir.

Iria procurar Laura, que deveria estar trsabalhando no laboratório ou descansando em casa. Não pretendia interrompê-la ou atrapalhá-la, então iria aguardar o melhor momento para falar om ela. Mas falaria de qualquer forma, de algum jeito.

- Laura-rhya? É um prazer revê-la! Queria que minha visita fosse social, mas infelizmente venho para pedir sua ajuda! Estive conversando com Antón sobre me mudar definitivamente para o Brasil, quero ficar perto de Maysa e ajudar uma seita que não esteja lutando uma guerra caótica como na Ásia. Vou ter uma bela dor de cabeça com a burocracia de mudar minha base de operações do Canadá para cá, mas ficou claro que preciso provar ao governo brasileiro que tenho meios de subsistir aqui, seja pagando a eles ou investindo em algum negócio local. É nisso que preciso de sua ajuda, pensei em investir no haras. É uma quantia vultosa, sei que você não precisa, e não quero de modo algum ingerir na sua empresa familiar, apenas me tornar um sócio menor. Confio que tudo que fez até agora é resultado de muita experiência que eu não posso nem sonhar em ter agora, então por favor pegue o meu capital e invista como achar melhor.

Alaín não mentia em momento algum, tinha em alta consideração as capacidades da anciã para tentar enganá-la.

- Também queria pedir sua ajuda com Maysa. Assim como eu pretendo fazer, você também casou fora da tribo e teve filhos de sangue mestiço. Maysa está muito preocupada com isso, e eu não sei como tranquilizá-la o suficiente. Também há a questão do Estevão; você, melhor do que ninguém, sabe das minhas diferenças com ele, mas ele parece querer usar Maysa para me atingir. Sei que ela é de uma linhagem dos Andarilhos do asfalto (como se a maioria deles se importasse com linhagem!), e Maysa também tem gnose, o que faria dela uma aprendiz de theurge muito valiosa, mas não a quero junto de Estevão. Não sei se conseguiria tirá-la daqui, mas eu gostaria de aconselhá-la a se aproximar de você para tudo que precisasse com relação aos garous, sei que você cuidaria dela e lhe daria conselhos sábios. Não quero que ela se machuque pelos joguinhos de Estevão e nem que fique com ideias erradas baseada em coisas que entreouve por aí. Posso contar com você para isso, Laura-rhya?

Seria inútil ocultar suas intenções de Laura, e Alaín confiava plenamente na anciã para questões familiares.


MAYSA DE NOVO

Alaín foi ao hotel Montemor e achou uma floricultura. Ele encomendou um bonito buquê de orquídeas azuis e lilases, cercados por delicadas violetas, e enviou junto uma daquelas caixas de bombons em forma de coração. Pediu que tudo fosse entregue no apartamento dela na hora que ela já estivesse em casa.

A seguir, ele pessoalmente foi, de modo disfarçado, checar todos os arredores do novo endereço de Maysa. Talvez estivesse ficando paranóico, mas precisava ter certeza de que ela estava segura de qualquer ameaça sobrenatural ou mesmo mortal. Assim que examinou os arredores com todos os dons que possuía, ele procurou um local discreto e sacou seu novo espelhinho de bolso para percorrer atalhos. Checar a Umbra e os espíritos que pudessem estar ao redor dela era uma tarefa dura e difícil para o phillodox da Casa do Sol, mas ele procurou se certificar de tudo que a cercava e de suas inofensividades.

Espiou através da Película até encontrar Maysa em seu apartamento, onde atravessou novamente a película para encontrá-la.

- Boa noite, senhora do meu coração!

Alaín iria beijá-la, acarinhá-la, mimá-la e confortá-la de todos os jeitos que Maysa permitisse. Não importava quanto tempo levasse, ele daria a ela todo o tempo que fosse preciso.

Mas em algum momento, seria hora de falar de coisas sérias novamente. Ele falaria seriamente com ela, para que ela entendesse a gravidade da situação:

- May, eu preciso que você entenda algumas coisas agora:

- Tatiana Lunisvet é uma responsabilidade minha e da minha tribo. A Rússia não era de modo algum segura para ela, muitos garous e parentes morreram lá, e isso foi culpa de nós mesmos, os garous, inclusive de membros da minha própria tribo. Não havia nenhuma opção segura para ela por lá. Cuidar dos parentes é algo que nenhuma tribo faz melhor que os Presas de Prata, pois nossos parentes são valiosíssimos, raros não apenas pela genética mas também pelo treinamento que recebem. Eu cuidei de Tania como cuidaria de minhas irmãs... como eu cuido de você.  Mas quando você diz que eu a trouxe para casa, isso não é verdade. Eu a levei ao Canadá, mas a minha casa é onde você estiver.


Ele abraçaria Maysa forte quando dissesse isso. Mas a seriedade do assunto voltaria logo.

- Mas é verdade que os Parentes também são úteis para mais do que procriar. Nesse momento, Tania é um recurso valioso que eu ainda não decidi como usar.  Ela poderia gerar filhos garous para acalmar os presas de prata, mas se isso acontecer será de maneira assexuada, por fertilização in vitro, porque eu não ofenderei suas sucetibilidades, senhorita Dibh. Ms seria uma boa solução para a pressão dos presas de prata, afinal ainda seriam meus filhos, mesmo que não fosse de um casamento convencional. Fora disso, Tania ainda tem barreiras linguísticas para agir onde eu preciso dela, não é capaz de ser uma secretária ou auxiliar, então a utilidade dela é limitada por ora.

- Falando em agir onde eu preciso, May, vamos falar de você! Eu sei que fui eu que pedi que você ficasse em Fonte Fria, queria que você espionasse para mim, e você pareceu até gostar da tarefa. Lembro de você me perguntar se eu não tinha ciúmes de você lá, e eu achei que não teria, mas bem... agora tenho! Tudo que eu te pedi foi que mantivesse distância de Estevão, e você usou justamente ele para tentar me provocar ciúmes. Entenda que eu não me preocupo em ele ser uma ameaça para mim como homem, eu não sou um charach desonrado cuja única utilidade é roubar dinheiro pro caern! Pode soar arrogante, mas me considero muito superior a ele,e  sei que você sabe disso. Mas a atitude dele com você me preocupou, May! Ele pode te prejudicar de muitas formas só pra me atingir, e eu o mataria por isso, mas talvez não conseguisse reverter os danos que ele causaria. Talvez você ache que estou exagerando, mas se lidar com garou que respeitam a Litania já é difícil, imagine como é com garous desonrados que desprezam qualquer regra social!


Por mais neutro que Alaín se esforçasse para ser, a preocupação com Maysa sempre o tornava melodramático. Mas os argumentos dele eram bem fundamentados.

- Não vou dizer que não acredito que você realmente queria aprender aquele Dom nem vou proibi-la de agir como bem entender. Eu apenas a aconselharia a confiar em Laura para assuntos garous em vez de em Estevão. Ela é velha, experiente, sincera e confio que não faria nada para te prejudicar ou a mim. Seja cautelosa, May, as coisas estão ficando tensas, talvez até perigosas aqui. Se você ouviu o que eu conversei com Felipe, e você deveria ter ouvido, sabe dos meus planos no Brasil. Eu vou ficar aqui, ficarei com você, ficarei por você, mas o cenário aqui exige ações bem planejadas. Eu pretendo agir de todas as formas que cogitei, investindo tanto quanto possível, e quero que você comande tudo isso. Fonte Fria não é mais um lugar seguro pra você, e eu quero que você saia de lá assim que possível. Não apenas por ciúme, mas também porque eu vou precisar de você comandando as fazendas e o ecoturismo. Não vou te forçar a nada, Maysa, quero que você colabore comigo por sua própria vontade. Se quiser sair do haras imediatamente, saía, mas eu entenderei se quiser esperar que eu retorne para tomar uma ação definitiva. E por falar em ações definitivas....

Nesse ponto, Alaín falaria mais seriamente do que nunca, mas sua voz seria terna e carinhosa:

- Maysa Dibh, eu sei que você tem muito em que pensar, mas quero que saiba de uma coisa. Muito em breve, eu pedirei que se case comigo. Essa sempre foi minha intenção desde que a conheci e isso não vai mudar. Não é porque te conheci num caern da fertilidade, aquele criadouro de garous, eu penso em você onde quer que eu vá, e meu amor é sempre o mesmo. Mas quando me responder, quero que seja uma decisão consciente, que você aceite integralmente ser minha esposa e compartilhar a minha vida, com todas as coisas boas e ruins que ela tem. A maior parte da minha vida é dedicada a Gaia, e é com ela que você vai ter que me dividir. No tempo que sobrar, eu quero estar com você, quero te amar e te fazer feliz, tanto quanto eu for capaz. Mas apenas se isso for bom pra você, se você quiser isso. Então, se você me responder que sim, quero que tenha certeza absoluta de sua decisão, entendeu?


DIA SEGUINTE

Alaín passaria a noite com Maysa.

Se o dia seguinte fosse um dia útil, ele a deixaria trabalhar enquanto ele providenciava os detalhes de sua viagem e comungava com o caern para restabelecer sua união com gaia.

Mas se Maysa estivesse de folga, ele se dedicaria totalmente a mimá-la o dia todo antes de partir para a assembleia e depois para sua missão.
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Re: Triunfo de Gaia - Monsieur Laforge

Mensagem por GAIA em Qua Mar 29, 2017 6:15 pm

MAYSA

Alaín observava Maysa, com sentimentos conflitantes, mas seu pensamento ao ver as lágrimas correrem pelo lindo rosto dela era que a muralha de gelo estava finalmente derretendo. Mas o primeiro sussurro dela fez o sangue dele gelar. Ele esperou até que ela falasse tudo que lhe ia no coração.

O que eu não sabia é o quão inadequada eu sou para você! E o quanto essa garota que você salvou é perfeita!

Ele sacudiu a cabeça, percebendo que ela se perdia em pensamentos erráticos. Mas continuou em silêncio para descobrir o que a tinha levado a pensar isso.

- São coisas duras de ouvir. O que eu devo fazer depois disso? Acho que seu fosse uma parente generosa ou, talvez, mais digna, saíria de seu caminho deixando o lugar para ela. Mas eu não sou. Não poderia deixá-lo, Alain. Amo-o demais para isso…

Nesse instante, ele soube que ela jamais o deixaria, e assim tudo ficaria bem. O amor ainda estava lá, dentro dela, e enquanto ele perdurasse, haveria sempre uma saída.

- Você diz que mesmo assim quer se casar comigo… Então por que levou essa garota para morar com você? Ela está vivendo em sua casa, não é mesmo? Foi o que Nádia disse, que você tinha levado para a casa a parente que salvou… e que eu me cuidasse… porque ela era muito bonita. Nádia faz essas brincadeiras sem pensar…

"Nádia! Maldita vira-latas de língua solta! Não devia ficar fofocando por aí! Não aprendeu nada em Vaki???"

- Sei que é errado… mas eu procurei escutar as conversas daqui depois disso. Afinal, me diziam respeito. Então ouvi Anton comentar com Felipe que lamentava muito por mim mas que estava feliz por você ter encontrado a parente apropriada. Que não teria que passar pela dor de contar aos filhos que a tribo não os aceitaria com membros, como aconteceu com ele e com Laura.

Doeu muito ouvir isso. Sempre pensei em mim como a esposa que qualquer homem ou garou gostaria de ter. Sei que Anton não falou por mal, mas me senti envergonhada.

"Eu queria que ela fosse minha espiã, mas infelizmente a única coisa que a fez agir como eu queria foi tentar descobrir as fofocas sobre a minha própria vida longe daqui.  Isso não faz nenhum bem para ela!"

Só que não é só uma imposição da tribo, não é mesmo? Você acaba de me dizer que sente atração por essa menina!

Como eu lido com isso, Alain? Você diz que não aconteceu nada entre os dois mas por quanto tempo isso se manterá assim? Qual a razão para levá-la consigo, se não foi por algum sentimento? Ela não é uma criança. E a Rússia não pode ser tão perigosa. Anton e Aleksandr têm famílias lá. Há caerns, não? E se havia tantos presas de prata na batalha, algum não poderia ter assumido a proteção dela? Se é tão bonita…

De verdade, não sei o que você pretende…

Ou não quero ver.

O que você fará com ela se nos casarmos? E ainda tem toda essa história de que você terá que seduzir uma jovem herdeira, que não me promete não cruzar o caminho de outras mulheres em suas missões e que tudo o que tem para oferecer é sempre voltar para mim e etc.

Foi preciso que ele apertasse os lábios para não externar sua contrariedade.

"Não, você não compreende! A Rússia não é segura, não quando garous lutam contra garous, e minha própria tribo faz movimentos desastrosos que arruínam boas intenções! Não havia ninguém em quem eu pudesse confiar para cuidar de Tatiana, e os únicos dignos como Oleg estão sentados em cima de uma bomba prestes a explodir. Não havia nenhuma escolha boa, eu fiz o que tinha que fazer!"

“No fim ele sempre volta para mim”. É isso?

Havia mágoa nos olhos de Maysa.

No fundo do coração dele, uma serpente orgulhosa ergueu sua cabeça furiosa com aquela pergunta.

"No fim? Ela tem alguma ideia de todas as dificuldades da estrada de volta a ela? Sabe quantas vezes você esteve perto de não voltar? Ela não entende que no verdadeiro fim você não voltará mais?"

Mas o Bourbon D´Órleans sufocou essa voz mesquinha e esforçou-se para enxergar a tristeza e a mágoa que Maysa exprimia.

- Não sei se sou capaz de aceitar esse futuro, Alain.

Movia a cabeça lentamente em negação, enquanto as lágrimas caíam.

- Minha família vem do Oriente Médio mas eu sou brasileira… Não sei se aguentaria… dividir… você.

"É isso então? É isso que ela acha que eu estou pedindo? Que ela me divida com outras mulheres? Maysa não entende o que eu pretendo... mas como poderia, se nem os anciãos conseguem ver todos os desdobramentos de suas intenções? Eu preciso mostrar a ela exatamente o que eu pretendo, só assim conseguirei tê-la ao meu lado para sempre..."

Alaín observou enquanto ela atendia a chamada telefônica, admirando sua eficiência e autocontrole, embora parte dele amaldiçoasse o telefone por tê-los interrompido.

- Não sei que resposta dar-lhe sobre tudo isso, amor. Não sou capaz de um ultimatum do tipo “ou eu ou ela”. Não quero afrontrar sua tribo forçando-o a escolher alguém que vai estragar sua linhagem. Não creio que possa terminar com você. Talvez devesse, mas não creio poder. Por outro lado, não sei se aguentaria saber que você esteve com outras mulheres, mesmo que por dever com Gaia ou com a continuidade de sua tribo. E não sei se suportaria sequer olhar para essa sua “protegida” russa. Tenho que digerir tudo isso ainda.

Mas vá a meu apartamento. Não quero que parta em missão pensando que estamos brigados.

Só deixemos as coisas irem acontecendo, está bem? Acho que é o melhor para os dois.

Alaín levantou-se para obedecer a deixa dela, mas ficou parado de pé na frente dela enquanto estacava com o pensamento conflitante.

Num gesto súbito, ele inclinou-e sobre a mesa, colocando o rosto mais perto do dela do que já tinha feito durante todo o dia. Falou com ênfase, ferocidade, paixão, convicção:

- Se você me pedisse para escolher, eu escolheria você! Em qualquer momento! Se aliviasse a sua dor, eu mataria Nádia, mataria Estevão, mataria qualquer um que ficasse em nosso caminho! Não permita que as mudanças das situações te façam duvidar daquilo que você sabe que eu sinto por você!

Alaín beijou Maysa, sem saber se o sentimento feroz de posse que aquele contato repentino continha a Fúria dele ou a mágoa dela. Foi um longo momento até que ele recobrasse a calma e se endireitasse. Sua voz retomou aos poucos o tom racional habitual, mas ainda não estava calma.

- Eu tenho que falar com Laura ainda hoje, mas irei vê-la essa noite. Há muito que preciso lhe contar, mas não pode ser aqui nem agora. Mas confie em mim e eu lhe direi tudo que pretendo, e talvez você entenda o que estou fazendo...

Alaín pegou o endereço e saiu, consciente da dificuldade de cada passo. Ele abriu gentilmente a porta e saiu, sem olhar para trás. Tinha medo de desistir se olhasse.


LAURA

As palavras de Maysa ainda ecoavam todas na cabeça de Alaín, que recordava cada palavra, mas ele e esforçava para focar no que faria a seguir.

Iria procurar Laura, que deveria estar trsabalhando no laboratório ou descansando em casa. Não pretendia interrompê-la ou atrapalhá-la, então iria aguardar o melhor momento para falar om ela. Mas falaria de qualquer forma, de algum jeito.

- Laura-rhya? É um prazer revê-la! Queria que minha visita fosse social, mas infelizmente venho para pedir sua ajuda! Estive conversando com Antón sobre me mudar definitivamente para o Brasil, quero ficar perto de Maysa e ajudar uma seita que não esteja lutando uma guerra caótica como na Ásia. Vou ter uma bela dor de cabeça com a burocracia de mudar minha base de operações do Canadá para cá, mas ficou claro que preciso provar ao governo brasileiro que tenho meios de subsistir aqui, seja pagando a eles ou investindo em algum negócio local. É nisso que preciso de sua ajuda, pensei em investir no haras. É uma quantia vultosa, sei que você não precisa, e não quero de modo algum ingerir na sua empresa familiar, apenas me tornar um sócio menor. Confio que tudo que fez até agora é resultado de muita experiência que eu não posso nem sonhar em ter agora, então por favor pegue o meu capital e invista como achar melhor.

Alaín não mentia em momento algum, tinha em alta consideração as capacidades da anciã para tentar enganá-la.

- Também queria pedir sua ajuda com Maysa. Assim como eu pretendo fazer, você também casou fora da tribo e teve filhos de sangue mestiço. Maysa está muito preocupada com isso, e eu não sei como tranquilizá-la o suficiente. Também há a questão do Estevão; você, melhor do que ninguém, sabe das minhas diferenças com ele, mas ele parece querer usar Maysa para me atingir. Sei que ela é de uma linhagem dos Andarilhos do asfalto (como se a maioria deles se importasse com linhagem!), e Maysa também tem gnose, o que faria dela uma aprendiz de theurge muito valiosa, mas não a quero junto de Estevão. Não sei se conseguiria tirá-la daqui, mas eu gostaria de aconselhá-la a se aproximar de você para tudo que precisasse com relação aos garous, sei que você cuidaria dela e lhe daria conselhos sábios. Não quero que ela se machuque pelos joguinhos de Estevão e nem que fique com ideias erradas baseada em coisas que entreouve por aí. Posso contar com você para isso, Laura-rhya?

Seria inútil ocultar suas intenções de Laura, e Alaín confiava plenamente na anciã para questões familiares.


MAYSA DE NOVO

Alaín foi ao hotel Montemor e achou uma floricultura. Ele encomendou um bonito buquê de orquídeas azuis e lilases, cercados por delicadas violetas, e enviou junto uma daquelas caixas de bombons em forma de coração. Pediu que tudo fosse entregue no apartamento dela na hora que ela já estivesse em casa.

A seguir, ele pessoalmente foi, de modo disfarçado, checar todos os arredores do novo endereço de Maysa. Talvez estivesse ficando paranóico, mas precisava ter certeza de que ela estava segura de qualquer ameaça sobrenatural ou mesmo mortal. Assim que examinou os arredores com todos os dons que possuía, ele procurou um local discreto e sacou seu novo espelhinho de bolso para percorrer atalhos. Checar a Umbra e os espíritos que pudessem estar ao redor dela era uma tarefa dura e difícil para o phillodox da Casa do Sol, mas ele procurou se certificar de tudo que a cercava e de suas inofensividades.

Espiou através da Película até encontrar Maysa em seu apartamento, onde atravessou novamente a película para encontrá-la.

- Boa noite, senhora do meu coração!

Alaín iria beijá-la, acarinhá-la, mimá-la e confortá-la de todos os jeitos que Maysa permitisse. Não importava quanto tempo levasse, ele daria a ela todo o tempo que fosse preciso.

Mas em algum momento, seria hora de falar de coisas sérias novamente. Ele falaria seriamente com ela, para que ela entendesse a gravidade da situação:

- May, eu preciso que você entenda algumas coisas agora:

- Tatiana Lunisvet é uma responsabilidade minha e da minha tribo. A Rússia não era de modo algum segura para ela, muitos garous e parentes morreram lá, e isso foi culpa de nós mesmos, os garous, inclusive de membros da minha própria tribo. Não havia nenhuma opção segura para ela por lá. Cuidar dos parentes é algo que nenhuma tribo faz melhor que os Presas de Prata, pois nossos parentes são valiosíssimos, raros não apenas pela genética mas também pelo treinamento que recebem. Eu cuidei de Tania como cuidaria de minhas irmãs... como eu cuido de você.  Mas quando você diz que eu a trouxe para casa, isso não é verdade. Eu a levei ao Canadá, mas a minha casa é onde você estiver.


Ele abraçaria Maysa forte quando dissesse isso. Mas a seriedade do assunto voltaria logo.

- Mas é verdade que os Parentes também são úteis para mais do que procriar. Nesse momento, Tania é um recurso valioso que eu ainda não decidi como usar.  Ela poderia gerar filhos garous para acalmar os presas de prata, mas se isso acontecer será de maneira assexuada, por fertilização in vitro, porque eu não ofenderei suas sucetibilidades, senhorita Dibh. Ms seria uma boa solução para a pressão dos presas de prata, afinal ainda seriam meus filhos, mesmo que não fosse de um casamento convencional. Fora disso, Tania ainda tem barreiras linguísticas para agir onde eu preciso dela, não é capaz de ser uma secretária ou auxiliar, então a utilidade dela é limitada por ora.

- Falando em agir onde eu preciso, May, vamos falar de você! Eu sei que fui eu que pedi que você ficasse em Fonte Fria, queria que você espionasse para mim, e você pareceu até gostar da tarefa. Lembro de você me perguntar se eu não tinha ciúmes de você lá, e eu achei que não teria, mas bem... agora tenho! Tudo que eu te pedi foi que mantivesse distância de Estevão, e você usou justamente ele para tentar me provocar ciúmes. Entenda que eu não me preocupo em ele ser uma ameaça para mim como homem, eu não sou um charach desonrado cuja única utilidade é roubar dinheiro pro caern! Pode soar arrogante, mas me considero muito superior a ele,e  sei que você sabe disso. Mas a atitude dele com você me preocupou, May! Ele pode te prejudicar de muitas formas só pra me atingir, e eu o mataria por isso, mas talvez não conseguisse reverter os danos que ele causaria. Talvez você ache que estou exagerando, mas se lidar com garou que respeitam a Litania já é difícil, imagine como é com garous desonrados que desprezam qualquer regra social!


Por mais neutro que Alaín se esforçasse para ser, a preocupação com Maysa sempre o tornava melodramático. Mas os argumentos dele eram bem fundamentados.

- Não vou dizer que não acredito que você realmente queria aprender aquele Dom nem vou proibi-la de agir como bem entender. Eu apenas a aconselharia a confiar em Laura para assuntos garous em vez de em Estevão. Ela é velha, experiente, sincera e confio que não faria nada para te prejudicar ou a mim. Seja cautelosa, May, as coisas estão ficando tensas, talvez até perigosas aqui. Se você ouviu o que eu conversei com Felipe, e você deveria ter ouvido, sabe dos meus planos no Brasil. Eu vou ficar aqui, ficarei com você, ficarei por você, mas o cenário aqui exige ações bem planejadas. Eu pretendo agir de todas as formas que cogitei, investindo tanto quanto possível, e quero que você comande tudo isso. Fonte Fria não é mais um lugar seguro pra você, e eu quero que você saia de lá assim que possível. Não apenas por ciúme, mas também porque eu vou precisar de você comandando as fazendas e o ecoturismo. Não vou te forçar a nada, Maysa, quero que você colabore comigo por sua própria vontade. Se quiser sair do haras imediatamente, saía, mas eu entenderei se quiser esperar que eu retorne para tomar uma ação definitiva. E por falar em ações definitivas....

Nesse ponto, Alaín falaria mais seriamente do que nunca, mas sua voz seria terna e carinhosa:

- Maysa Dibh, eu sei que você tem muito em que pensar, mas quero que saiba de uma coisa. Muito em breve, eu pedirei que se case comigo. Essa sempre foi minha intenção desde que a conheci e isso não vai mudar. Não é porque te conheci num caern da fertilidade, aquele criadouro de garous, eu penso em você onde quer que eu vá, e meu amor é sempre o mesmo. Mas quando me responder, quero que seja uma decisão consciente, que você aceite integralmente ser minha esposa e compartilhar a minha vida, com todas as coisas boas e ruins que ela tem. A maior parte da minha vida é dedicada a Gaia, e é com ela que você vai ter que me dividir. No tempo que sobrar, eu quero estar com você, quero te amar e te fazer feliz, tanto quanto eu for capaz. Mas apenas se isso for bom pra você, se você quiser isso. Então, se você me responder que sim, quero que tenha certeza absoluta de sua decisão, entendeu?


DIA SEGUINTE

Alaín passaria a noite com Maysa.

Se o dia seguinte fosse um dia útil, ele a deixaria trabalhar enquanto ele providenciava os detalhes de sua viagem e comungava com o caern para restabelecer sua união com gaia.

Mas se Maysa estivesse de folga, ele se dedicaria totalmente a mimá-la o dia todo antes de partir para a assembleia e depois para sua missão.
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Re: Triunfo de Gaia - Monsieur Laforge

Mensagem por Lua em Qua Abr 05, 2017 1:40 pm

Alain soube que Laura estava descansando em sua casa.

Tomou o caminho detrás do pomar e subiu a colina até alcançar uma cômoda residência encravada na rocha da montanha. Tocou a porta e, quando esta se abriu, surpreendeu-se ao ser recebido por Laura em vestido saída de praia e com os cabelos molhados.

Ela o saudou-o com cordialidade, convidando-o a entrar:

- Estamos na piscina. Acompanhe-me. – disse com um sorriso. Estava feliz e em nada lembrava a anciã que um dia levara-o a visitar os túmulos de seus mortos.

Perguntou por suas irmãs enquanto baixavam por uma escada escavada na pedra. Laura era alta e, sob o vestido leve, revelava um corpo magro e forte, bastante saudável para sua idade. O corpo de um garou que ainda pode se defender em combate.

Na piscina, um homem nadava velozmente de um lado a outro, como um atleta profissional. Saiu da água quando os viu e caminhou em sua direção.

- Este é Rodolfo, um amigo meu. - disse Laura.

O rapaz olhou para ela com uma expressão de carinhosa reprimenda, como a dizer “só amigo?”. Nenhum deles disse mais nada, porém. Ele apresentou-se formalmente a Alain.

- Rodolfo Fischer, filho de Mão de Pedra, galliard dos crias de fenris. Membro da seita Serpente do Brejo.

Depois dos cumprimentos, Laura guiou Alain até uma área distante da piscina, onde havia uma mesa e cadeiras de jardim e eles poderiam ter absoluta privacidade para conversar. Rodolfo voltou à nadar.


Estive conversando com Antón sobre me mudar definitivamente para o Brasil, quero ficar perto de Maysa e ajudar uma seita que não esteja lutando uma guerra caótica como na Ásia.Vou ter uma bela dor de cabeça com a burocracia de mudar minha base de operações do Canadá para cá (…) É nisso que preciso de sua ajuda, pensei em investir no haras. É uma quantia vultosa, sei que você não precisa, e não quero de modo algum ingerir na sua empresa familiar, apenas me tornar um sócio menor. Confio que tudo que fez até agora é resultado de muita experiência que eu não posso nem sonhar em ter agora, então por favor pegue o meu capital e invista como achar melhor.


- Sim, Felipe já me falou. – disse Laura com um olhar pensativo.

Na mesa já havia uma jarra de suco preparada e diversos doces e biscoitos. Laura serviu um copo a Alain enquanto parecia escolher as palavras.

- Alain, você sabe que tenho um grande apreço por você – começou ela, sentando-se – e lamento muito dizer isso mas minha resposta é não. Não necessito ou desejo sócios no Haras de Prata. Poderia te dar argumentos concretos mas tenho certeza que, se você estivesse realmente interessado, iria rebatê-los logicamente um a um até me fazer chegar à razão de fundo que, como sempre acontece, é emocional. Então vamos logo a ela. Pois bem, exceto por minha devoção a Gaia, o haras é o que eu mais amo na vida. Filhos, netos, bisneta e amante incluídos. É meu grande amor. Com o haras sou ciumenta, ilógica, tomo decisões baseadas em instinto e no coração. E quero ele só para mim. Sei que você não pretende ter ingerência mas isso é irrealista. Um pouco sempre há. E seria desonesto se não fosse assim. Ao menos alguma satisfação você deveria receber e, creia-me, a longo prazo seria um desgaste para ambos.

Laura fez uma pausa. Da piscina vinha o som dos mergulhos e das braçadas ritimadas de Rodolfo. Alain sentiu que ela não estava contente em desaponta-lo mas que seria inútil insistir. Então, Laura inclinou-se para frente, em direção a ele e falou em um tom confidencial.

- No entanto, Alain, há algo importante em que você poderia nos ajudar. Há terras que a seita deveria comprar. Você sabe que o centro de um caern nem sempre corresponde ao centro físico de seu território, não? Pois esse é o caso de Fonte Fria. O centro fica na nascente que, para dizer a verdade, está bem próxima às divisas do caern. Nunca tivemos problemas, o dono das terras vizinhas as têm como investimento e limita-se a usá-las como pastagens mais ou menos improdutivas. Ainda assim, isso reduz a liberdade de nossas assembléias, sobretudo o festim, e é uma dor de cabeça do ponto de vista de segurança. Eu já fiz várias propostas generosas de compra mas, como disse, o dono prefere o imóvel ao dinheiro.

Anton não iria propor isso a você porque é um russo orgulhoso que pensa que pode resolver tudo sozinho. Julián muito menos, pois a idéia de presas de prata ganhando influência na seita não uma de suas favoritas. lhe advirto. Mas eu sou prática. Se você tem um vultoso capital a investir, o que poderíamos fazer é somá-lo ao que eu tenho disponível e fazer uma proposta de compra dos terrenos irrecusável.

Tudo o que eu quero é a área atrás dos pastos do garanhões. Como as demais, você poderia fazer o que quisesse: uma granja ecológica, um camping, reflorestamento etc. O importante é que essas terras todas estariam garantidas em mãos de garous, formando um "colchão" protetor ao redor do caern.

Como disse, Julián não vai gostar muito e, além disso, seria necessária uma negociação bem feita para o dono das terras não desconfiar de tão suculenta proposta. Mas acredito que seria o melhor destino ao capital que você tem, se pensarmos em termos de caern e do melhor interesse de Gaia. Que me diz?



- Também queria pedir sua ajuda com Maysa. Assim como eu pretendo fazer, você também casou fora da tribo e teve filhos de sangue mestiço.


- Um deles. Kamau. – disse Laura.


Maysa está muito preocupada com isso, e eu não sei como tranquilizá-la o suficiente. Também há a questão do Estevão; você, melhor do que ninguém, sabe das minhas diferenças com ele, mas ele parece querer usar Maysa para me atingir. Sei que ela é de uma linhagem dos Andarilhos do asfalto (como se a maioria deles se importasse com linhagem!), e Maysa também tem gnose, o que faria dela uma aprendiz de theurge muito valiosa, mas não a quero junto de Estevão. Não sei se conseguiria tirá-la daqui, mas eu gostaria de aconselhá-la a se aproximar de você para tudo que precisasse com relação aos garous, sei que você cuidaria dela e lhe daria conselhos sábios. Não quero que ela se machuque pelos joguinhos de Estevão e nem que fique com ideias erradas baseada em coisas que entreouve por aí. Posso contar com você para isso, Laura-rhya?


- Bem. – respondeu Laura – Não sei se eu poderia tranquilizá-la como você está esperando mas posso conversar com Maysa, se ela quisar. Diga-lhe que me procure. Sempre é bom ouvir a experiência de outros e saber o que esperar e com o que não se desesperar sobre uma situação nova. Posso ajudá-la nesse sentido. Falarei com ela.

Quanto a Estêvão… Eu cometeu graves erros e, se se tratasse de uma garou, talvez eu me preocupasse mas quanto a Maysa nunca tivemos evidências, queixas, nem mesmo suspeitas de que ele tenha sido pouco respeitoso com ela. Estêvão é um garou ocupado, com um filho e muito a perder. Francamente, não o vejo no papel de um vilão de novela, usando uma jovenzinha para atingir seu desafeto ou fazendo joguinhos e intrigas.


Laura olhou-o com um ar maternal e cúmplice.

- Não será que você está com ciúmes, Alain? - disse com um sorriso. Depois retomou o jeito assertivo.

- De qualquer modo, se está ocorrendo algo eu perceberei ao falar com Maysa, disso esteja seguro. Não posso me ocupar do desenvolvimento de sua gnose, não tenho tempo ou vocação para isso. Tampouco vou vigiar sua namorada para você, se é isso que tem em mente. Mas me comprometo a falar com ela, ver o que está acontecendo e estar presente para o que precisar, está bem?


Off:
Enferrujei um pouco, então achei melhor fracionar o post para irmos retomando o ritmo. Assim que você responder, posto a parte da Maysa.
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Re: Triunfo de Gaia - Monsieur Laforge

Mensagem por Alexyus em Qua Abr 05, 2017 9:13 pm

Alaín foi à casa de Laura, satisfeito por pegá-la num momento de relaxamento.

.Tocou a porta e, quando esta se abriu, surpreendeu-se ao ser recebido por Laura em vestido saída de praia e com os cabelos molhados.

Ela o saudou-o com cordialidade, convidando-o a entrar:

- Estamos na piscina. Acompanhe-me. – disse com um sorriso. Estava feliz e em nada lembrava a anciã que um dia levara-o a visitar os túmulos de seus mortos.

Não escapou a Alaín a palavra"estamos". Achou que sua sorte tinha acabado, mas ficou curioso para saber quem estaria com Laura. Mas era educado demais para perguntar.

Perguntou por suas irmãs enquanto baixavam por uma escada escavada na pedra. Laura era alta e, sob o vestido leve, revelava um corpo magro e forte, bastante saudável para sua idade. O corpo de um garou que ainda pode se defender em combate.

Alaín respondeu cortesmente ao interesse bondoso dá anciã sobre suas irmãs. Ele se lembrava de como ela as tratara bem e era grato por isso. Ele também nunca cometera o erro de subestimar a anciã, pois tinha grande respeito pelas habilidades dela.

"Afinal de contas, ela é uma presa de prata, oras!"

Na piscina, um homem nadava velozmente de um lado a outro, como um atleta profissional. Saiu da água quando os viu e caminhou em sua direção.

- Este é Rodolfo, um amigo meu. - disse Laura.

O rapaz olhou para ela com uma expressão de carinhosa reprimenda, como a dizer “só amigo?”. Nenhum deles disse mais nada, porém. Ele apresentou-se formalmente a Alain.

- Rodolfo Fischer, filho de Mão de Pedra, galliard dos crias de fenris. Membro da seita Serpente do Brejo.

D'Orleans notou que ele não mencionara seu posto. Tentou determinar sua idade e associá-la a um posto correspondente, mesmo sabendo que não havia um padrão de progressão, ainda mais para a Criação de Gentis.

"Ou ele é um cliath do Caern USP na órbita de influência de Laura e por isso não quis dizer seu posto para não se menosprezar, ou é um garou de posto superior negociando alianças e não quis se comprometer. Mas é jovem demais para ser de posto muito avançado, tanto que ainda cita seu pai como principal referência...

Alaín não tinha necessidade de esfregar suas dezenas de ancestrais na cara de ninguém e já tinha feitos dignos de nota para acompanhar a lenda de seu nome. Portanto, apresentou-se de modo padrão:

- Eu sou Alaín Bourbon D'Orleans,
Triunfo de Gaia, fostern phillodox dos Presas de Prata dá Casa Coração Irrompivel. É um prazer conhecer um digno guerreiro de Serpente do Brejo.


Mas a tensão sexual entre Rodrigo e Laura não passou despercebida a Alaín.

- Lamento interromper seu lazer com assuntos menos agradáveis.

. - Alain, você sabe que tenho um grande apreço por você – começou ela, sentando-se – e lamento muito dizer isso mas minha resposta é não. Não necessito ou desejo sócios no Haras de Prata. Poderia te dar argumentos concretos mas tenho certeza que, se você estivesse realmente interessado, iria rebatê-los logicamente um a um até me fazer chegar à razão de fundo que, como sempre acontece, é emocional. Então vamos logo a ela. Pois bem, exceto por minha devoção a Gaia, o haras é o que eu mais amo na vida. Filhos, netos, bisneta e amante incluídos. É meu grande amor. Com o haras sou ciumenta, ilógica, tomo decisões baseadas em instinto e no coração. E quero ele só para mim. Sei que você não pretende ter ingerência mas isso é irrealista. Um pouco sempre há. E seria desonesto se não fosse assim. Ao menos alguma satisfação você deveria receber e, creia-me, a longo prazo seria um desgaste para ambos.

Alaín ouviu as explicações de Laura dando pequenos goles no copo de suco. Seu olhar impassível tinha uma ponta de gentil condescendência, e ele retorquiu com voz suave:

- Querida senhora Laura, não há porquê se desculpar! Seus motivos pessoais são argumento suficiente para mim. O lado emocional é tão importante quanto o racional, e eu mesmo estou vindo para o Brasil por motivos dessa natureza. Eu respeitarei sua vontade e não tocarei mais nesse assunto.

Então, Laura inclinou-se para frente, em direção a ele e falou em um tom confidencial.

- No entanto, Alain, há algo importante em que você poderia nos ajudar. Há terras que a seita deveria comprar. Você sabe que o centro de um caern nem sempre corresponde ao centro físico de seu território, não? Pois esse é o caso de Fonte Fria. O centro fica na nascente que, para dizer a verdade, está bem próxima às divisas do caern. Nunca tivemos problemas, o dono das terras vizinhas as têm como investimento e limita-se a usá-las como pastagens mais ou menos improdutivas. Ainda assim, isso reduz a liberdade de nossas assembléias, sobretudo o festim, e é uma dor de cabeça do ponto de vista de segurança. Eu já fiz várias propostas generosas de compra mas, como disse, o dono prefere o imóvel ao dinheiro.

Anton não iria propor isso a você porque é um russo orgulhoso que pensa que pode resolver tudo sozinho. Julián muito menos, pois a idéia de presas de prata ganhando influência na seita não uma de suas favoritas. lhe advirto. Mas eu sou prática. Se você tem um vultoso capital a investir, o que poderíamos fazer é somá-lo ao que eu tenho disponível e fazer uma proposta de compra dos terrenos irrecusável.

Tudo o que eu quero é a área atrás dos pastos do garanhões. Como as demais, você poderia fazer o que quisesse: uma granja ecológica, um camping, reflorestamento etc. O importante é que essas terras todas estariam garantidas em mãos de garous, formando um "colchão" protetor ao redor do caern.

Como disse, Julián não vai gostar muito e, além disso, seria necessária uma negociação bem feita para o dono das terras não desconfiar de tão suculenta proposta. Mas acredito que seria o melhor destino ao capital que você tem, se pensarmos em termos de caern e do melhor interesse de Gaia. Que me diz?

Triunfo de Gaia ouviu tudo como o phillodox homem de negócios que era. Ele coçou o queixo enquanto respondia ponderadamente:

- É claro que estou disposto a contribuir com o caern no que estiver ao meu alcance,
e ajudando um objetivo seu tão antigo é duplamente atrativo. Mas eu aprendi algumas coisas sobre a arte dá negociação e pediria que me permitisse agir ao meu modo nesse caso. Eu gostaria, assim que voltar da Europa, de pesquisar um pouco sobre o perfil pessoal e investidor do proprietário, porque isso pode revelar pontos a serem explorados na abordagem dá proposta de compra. Imagino que você se oponha ao uso de Dons na negociação? A menos, claro, que outros seres sobrenaturais já estejam envolvidos...


.Quanto a Estêvão… Eu cometeu graves erros e, se se tratasse de uma garou, talvez eu me preocupasse mas quanto a Maysa nunca tivemos evidências, queixas, nem mesmo suspeitas de que ele tenha sido pouco respeitoso com ela. Estêvão é um garou ocupado, com um filho e muito a perder. Francamente, não o vejo no papel de um vilão de novela, usando uma jovenzinha para atingir seu desafeto ou fazendo joguinhos e intrigas.

Laura olhou-o com um ar maternal e cúmplice.

- Não será que você está com ciúmes, Alain? - disse com um sorriso.

Alaín discordava de quase tudo do que Laura acabara de dizer, mas esforçou-se para não demonstrar sua irritação ao responder racionalmente:

-Eu respeito sua opinião sobre Estevão, mas não compartilho dela. Sempre que falo com ele, me sinto num duelo de palavras com um ragabash. Não tenho nenhum motivo para dar crédito às palavras dele, e admito que posso estar enciumado por um garou tão indigno passar tanto tempo perto da mulher que eu amo e que escolhi, principalmente quando ela está insegura.

.
- De qualquer modo, se está ocorrendo algo eu perceberei ao falar com Maysa, disso esteja seguro. Não posso me ocupar do desenvolvimento de sua gnose, não tenho tempo ou vocação para isso. Tampouco vou vigiar sua namorada para você, se é isso que tem em mente. Mas me comprometo a falar com ela, ver o que está acontecendo e estar presente para o que precisar, está bem?

Alaín apressou-se em desfazer qualquer má interpretação de Laura:

- Não pretendo ter uma namorada que precise ser vigiada, Laurarhya. Sei que a senhora é uma pessoa ocupada e agradeço qualquer ajuda que possa me dar. Tenho grande admiração por suas capacidades e tenho fé de que Maysa pode se beneficiar delas. Não tomarei mais do seu tempo nesse dia. Obrigado por me receber.

Alaín pegou um último doce e levantou-se para se despedir.
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Re: Triunfo de Gaia - Monsieur Laforge

Mensagem por Lua em Sex Abr 07, 2017 7:47 pm

Off:
Desculpe, Alexyus, escrevi mal. O correto seria: " - Rodolfo Fischer, filho do galliard cria de fenris Mão de Pedra. Membro da seita Serpente do Brejo". O Rodolfo é um parente.

Alain saiu da casa de Laura com carta branca para levar as negociações do modo que achasse melhor. Inclusive quanto ao uso de dons. Na opinão dela, não havia problemas em usar dons em humanos se o que estava em jogo era a segurança de um caern.

Sentia que, apesar de suas divergências de opinião a respeito de Estêvão, estava forjando uma boa aliança com a anciã.

Em seguida, Alain rumou para o hotel Montemor, de onde mandou flores e bombons para Maysa. As investigações da região mostraram que o lugar era seguro. Ao que parecia os garous de Fonte Fria estavam fazendo um trabalho adequado de proteção da cidade, apesar de todos os seus problemas.

Usando seu pequeno espelho de bolso, Alain entrou na umbra, que estava tranquila para uma cidade pequena mas em crescimento. Espiou até encontrar Maysa. Ela vivia em um pequeno edifício de quatro andaras, sem elevador. Era um prediozinho antigo e charmoso, que demonstrava mais uma vez o bom gosto da jovem para encontrar o lugar mais bonito possível dentro de seu orçamento. Havia um leve reflexo umbral do edifício e Alain caminhou por seus corredores diáfanos até localizar sua amada no mundo material.

Não era sua intenção vigiá-la mas a cena da namorada se arrumando para ele era tão doce que Alain apreciou-a uns instantes antes de voltar à matéria. Ela estava em seu quarto, vestida, penteada e levemente maquiada mas ainda descalça. Caminhou até uma cômoda de bonito desenho, sobre a qual havia uma pequena coleção de perfumes. Escolheu um e aplicou-o suavemente. A fragrância profunda e envolvente chegou até o olfato de Alain na umbra.  Era o rastro inconfundível de Maysa. O perfume que exalava sutilmente de sua pele e de suas roupas e que se imprimia nos lençóis quando eles se deitavam loucos de pressa. Tão intimamente associado a ela que era quase um chamado. Alain sentiu o lobo agitando-se dentro dele.

Maysa sentou-se na cama, calçou-se e, quando se levantou, alisou novamente a superfície até ficar perfeitamente estirada. Caminhou até o living. A mesa estava disposta com elegância. Deu-lhe as costas. Mirou-se no espelho, corrigindo uma imperfeição invisível em sua maquiagem com a ponta dos dedos. Quando virou-se, Alain estava lá.


- Boa noite, senhora do meu coração!


Maysa sorriu.

Foi uma noite perfeita em todos os aspectos, com exceção de ser curta. Maysa tinha que levantar-se para trabalhar e Alain precisa organizar a viagem de última hora. Iria de avião, a recomendação era evitar ao máximo usar pontes de lua, dada a suspeita de que os senhores das sombras ajudavam o provável pupilo de Monsieur Laforge.

Então chegou o momento de tocar no assunto.


- May, eu preciso que você entenda algumas coisas agora:

- Tatiana Lunisvet é uma responsabilidade minha e da minha tribo. A Rússia não era de modo algum segura para ela, muitos garous e parentes morreram lá, e isso foi culpa de nós mesmos, os garous, inclusive de membros da minha própria tribo. Não havia nenhuma opção segura para ela por lá. Cuidar dos parentes é algo que nenhuma tribo faz melhor que os Presas de Prata, pois nossos parentes são valiosíssimos, raros não apenas pela genética mas também pelo treinamento que recebem. Eu cuidei de Tania como cuidaria de minhas irmãs... como eu cuido de você.


Maysa apanhou um robe de seda e começou a vesti-lo, sem olhar Alain nos olhos.


Mas quando você diz que eu a trouxe para casa, isso não é verdade. Eu a levei ao Canadá, mas a minha casa é onde você estiver.


Maysa voltara os olhos para ele na primeira frase mas a segunda foi como uma balde de água fria. No fundo ela esperava que Nádia estivesse mentindo, sentiu o perspicaz philodox enquanto a abraçava sem que ela correspondesse ao carinho.


- Mas é verdade que os Parentes também são úteis para mais do que procriar. Nesse momento, Tania é um recurso valioso que eu ainda não decidi como usar.  Ela poderia gerar filhos garous para acalmar os presas de prata, mas se isso acontecer será de maneira assexuada, por fertilização in vitro, porque eu não ofenderei suas sucetibilidades, senhorita Dibh. Ms seria uma boa solução para a pressão dos presas de prata, afinal ainda seriam meus filhos, mesmo que não fosse de um casamento convencional. Fora disso, Tania ainda tem barreiras linguísticas para agir onde eu preciso dela, não é capaz de ser uma secretária ou auxiliar, então a utilidade dela é limitada por ora.


- Somos gado…. - murmurou a jovem para si mesma.


- Falando em agir onde eu preciso, May, vamos falar de você! Eu sei que fui eu que pedi que você ficasse em Fonte Fria, queria que você espionasse para mim, e você pareceu até gostar da tarefa. Lembro de você me perguntar se eu não tinha ciúmes de você lá, e eu achei que não teria, mas bem... agora tenho! Tudo que eu te pedi foi que mantivesse distância de Estevão, e você usou justamente ele para tentar me provocar ciúmes. Entenda que eu não me preocupo em ele ser uma ameaça para mim como homem, eu não sou um charach desonrado cuja única utilidade é roubar dinheiro pro caern! Pode soar arrogante, mas me considero muito superior a ele,e  sei que você sabe disso. Mas a atitude dele com você me preocupou, May! Ele pode te prejudicar de muitas formas só pra me atingir, e eu o mataria por isso, mas talvez não conseguisse reverter os danos que ele causaria. Talvez você ache que estou exagerando, mas se lidar com garou que respeitam a Litania já é difícil, imagine como é com garous desonrados que desprezam qualquer regra social!


- Eu sei que prometi espioná-los. - respondeu com serenidade - Mas as coisas mudaram com a convivência. Todos me tratam muito bem, eu me afeiçoei a eles. Anton, sempre um cavalheiro, foi ele quem começou a fechar a porta quando as conversas se tornavam muito…. masculinas. Felipe, um doce de pessoa, louco por sua família. Julían engraçado e falante. Estêvão fez o que fez mas pelo menos ele é um bom pai. Sempre tem histórias engraçadas das travessuras de Liam e de como o pequeno destrói todas as suas coisas favoritas.. E desviar para o caern o dinheiro de empresas que prejudicam o meio ambiente não é o mesmo que roubar… Eu não considero. Daí também sai meu salário, Alain. Se Estêvão é um ladrão, o que eu sou, então? E você não tem mesmo com que se preocupar. Eles me respeitam mas, acima de tudo, eu me dou ao respeito. E e-eu quero… mesmo aprender o dom…


- Não vou dizer que não acredito que você realmente queria aprender aquele Dom nem vou proibi-la de agir como bem entender. Eu apenas a aconselharia a confiar em Laura para assuntos garous em vez de em Estevão. Ela é velha, experiente, sincera e confio que não faria nada para te prejudicar ou a mim. Seja cautelosa, May, as coisas estão ficando tensas, talvez até perigosas aqui. Se você ouviu o que eu conversei com Felipe, e você deveria ter ouvido, sabe dos meus planos no Brasil. Eu vou ficar aqui, ficarei com você, ficarei por você, mas o cenário aqui exige ações bem planejadas. Eu pretendo agir de todas as formas que cogitei, investindo tanto quanto possível, e quero que você comande tudo isso. Fonte Fria não é mais um lugar seguro pra você, e eu quero que você saia de lá assim que possível. Não apenas por ciúme, mas também porque eu vou precisar de você comandando as fazendas e o ecoturismo. Não vou te forçar a nada, Maysa, quero que você colabore comigo por sua própria vontade. Se quiser sair do haras imediatamente, saía, mas eu entenderei se quiser esperar que eu retorne para tomar uma ação definitiva. E por falar em ações definitivas….


- Sim, eu quero ficar no caern. Tenho obrigações aqui.


Nesse ponto, Alaín falaria mais seriamente do que nunca, mas sua voz seria terna e carinhosa:

- Maysa Dibh, eu sei que você tem muito em que pensar, mas quero que saiba de uma coisa. Muito em breve, eu pedirei que se case comigo. Essa sempre foi minha intenção desde que a conheci e isso não vai mudar. Não é porque te conheci num caern da fertilidade, aquele criadouro de garous, eu penso em você onde quer que eu vá, e meu amor é sempre o mesmo. Mas quando me responder, quero que seja uma decisão consciente, que você aceite integralmente ser minha esposa e compartilhar a minha vida, com todas as coisas boas e ruins que ela tem. A maior parte da minha vida é dedicada a Gaia, e é com ela que você vai ter que me dividir. No tempo que sobrar, eu quero estar com você, quero te amar e te fazer feliz, tanto quanto eu for capaz. Mas apenas se isso for bom pra você, se você quiser isso. Então, se você me responder que sim, quero que tenha certeza absoluta de sua decisão, entendeu?


- Vai depender de como se desenrolem as coisas com essa sua "protegida" russa e a tal mulher que supostamente deve "seduzir". Cada vez mais sinto que não quero, não posso, dividir você com ninguém. E que tampouco posso me sujeitar docilmente a tudo. Se eu souber que dormiu com qualquer uma das duas, acabou. - respondeu Maysa, no tom mais duro que Alain já tinha ouvido sair de seus lábios.

****

Alain saiu de madrugada do apartamento e o dia foi inteiramente dedicado a organizar a viagem. Maysa tinha muito trabalho a fazer.

De noite, a assembléia foi rápida, apenas para carregar espiritualmente o caern. Anton havia partido para a Rússia e o clima na seita estava meio pesado, embora ninguém tivesse comentado nada com Alain e ele, mais uma vez, fora educado de não perguntar.

Mal terminou o festim, Alain teve que reconectar-se com sua vida mundana e começar a viagem, que lhe tomou o dia todo. Entre ir a Guarulhos, voar até Nice, na França, e seguir de carro até Mônaco, já estava quase na hora do jantar dos patrocinadores do museu quando ele finalmente chegou.

No trajeto entre Nice e Montecarlo, pôde ver as mensagens atrasadas que não paravam de chegar. Entre elas, uma de Tatiana.

Spoiler:

Tatiana estava tomando a iniciativa de comunicação, já Maysa havia perguntado se ele queria manter contato ou se prejudicaria a missão. Coube a Alain decidir se a comunicação com uma ou com ambas seria mantida durante o tempo em que estivesse em Mônaco.

Finalmente, chegou ao hotel, onde sua reserva estava feita.

https://montecarlovirtualtour.com/?pano=hdp/lobby_hdp/tour.xml

Tinha uma hora e meia para instalar-se e tomar as providências que julgasse necessárias antes de ir ao restaurante do hotel, o renomado Le Louis XV, do chefe homônimo seu, Alain Ducasse .  


*off: acredite-me, o tamanho do cachorro é esse mesmo! A mensagem, obviamente esta em (mau) inglês.
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Re: Triunfo de Gaia - Monsieur Laforge

Mensagem por Alexyus em Sab Abr 08, 2017 5:36 pm

Triunfo-de-Gaia estava satisfeito com a conversa que teve com Laura. Apesar de não conseguir investir diretamente no haras e nem convencer Laura sobre o caráter de Estevão, ele obteve o apoio que desejava no caso de Maysa e ganhou novos objetivos para seus projetos no Brasil.

As condições de segurança em volta da residência de Maysa também eram aceitáveis, tanto física quanto espiritualmente.

Ao espiar Maysa da penumbra, Alaín ficou longos momentos contemplando sua eleita. A graciosidade de suas maneiras, gestos, modo de vestir e nos detalhes de seu apartamento, tudo lhe agradava.

"Mas é verdade que ela age assim em tudo, não apenas com você, monsieur Bourbon D'Órleans!"

Ele esperou até a hora de surpreendê-la, mas ela não se assustou, apenas sorriu com aquela luz serena que lhe era peculiar.

O jantar, as conversas, os risos, o amor, tudo com Maysa naquela noite foi perfeito.

Mas então ela acabou e chegou a alvorada voraz, exigindo que as palavras difíceis fossem ditas.

Maysa estava arredia, querendo ignorar aquele assunto desagradável, mas Alaín prestava atenção em cada mínima reação dela para interpretar-lhe os pensamentos e sentimentos.

[size=32]- Somos gado….[/size][size=32] - murmurou a jovem para si mesma.[/size]

Alaín não ignorou aquilo. segurou-a gentilmente pelos ombros e forçou-a a olhar em seus olhos.

- Pare de pensar em si mesma como uma égua reprodutora, May! Os Parentes são mais do que isso! Não sei como os outros garous te trataram, mas os parentes são o que mantém os garous ligados à humanidade, o que nos faz continuar humanos e não apenas bestas de Gaia! Eu considero todos os Parentes como recursos importantes, agentes que podem fazer o que os garous não podem, seja pela nossa falta de tempo ou pelas limitações sobrenaturais que temos! A verdade é que todos somos quem podemos ser! Eu posso ser um bom juiz, um bom diplomata, talvez seja um bom investigador, mas nunca quis ser um guerreiro! A cada vez que entro em batalha, me lembro que há guerreiros melhores do que eu... Mas no fim das contas sou um soldado de Gaia e tenho que lutar por ela com tudo que tenho! Preciso defender esse mundo da Wyrm, preciso lutar pelo nosso futuro e o de nossos filhos! Não se sinta diminuída, você é importante demais para mim...

[size=32]- Eu sei que prometi espioná-los.[/size][size=32] - respondeu com serenidade [/size][size=32]- Mas as coisas mudaram com a convivência. Todos me tratam muito bem, eu me afeiçoei a eles. Anton, sempre um cavalheiro, foi ele quem começou a fechar a porta quando as conversas se tornavam muito…. masculinas. Felipe, um doce de pessoa, louco por sua família. Julían engraçado e falante. Estêvão fez o que fez mas pelo menos ele é um bom pai. Sempre tem histórias engraçadas das travessuras de Liam e de como o pequeno destrói todas as suas coisas favoritas.. E desviar para o caern o dinheiro de empresas que prejudicam o meio ambiente não é o mesmo que roubar… Eu não considero. Daí também sai meu salário, Alain. Se Estêvão é um ladrão, o que eu sou, então? E você não tem mesmo com que se preocupar. Eles me respeitam mas, acima de tudo, eu me dou ao respeito. E e-eu quero… mesmo aprender o dom…[/size]

Alaín ouviu aquilo e tentou ser paciente ao explicar:

- Não me entenda mal, May! Eu espiono a seita para o próprio bem dela. Gosto da maioria das pessoas que a compõem, e é claro que todos a tratariam bem, quem seria capaz de não fazê-lo, sendo você maravilhosa como é? Tenho em alta conta tanto Antón quanto Julian, garous próximos ao que pretendo ser se um dia chegar a ancião. Aprecio tanto Felipe por fazer bem o seu papel na seita que lhe fiz um grande favor ano passado, algo que pode até ter salvo a vida dele. Quanto a Estevão, ele teria sido um pai melhor se não tivesse lançado sobre seu filho a maldição de ser um impuro sem mãe e um guerreiro imperfeito de Gaia. Não digo que seu trabalho pela seita seja indigno de méritos, mas pode ser perigoso se alguém seguir seus rastros e chegar ao caern, isso colocaria aquele lugar sagrado em risco... mais do que ele já o colocou antes. E não se engane, você é funcionária do haras, e o haras é mantido por Laura, não pelas verbas de Estevão.

Ele fez uma pausa e falou um pouco mais sério:

- Eu não vou fingir que sou um theurge, nem mesmo sei o que esse dom que você quer aprender faz. Mas você poderia aprendê-lo com Laura, não com Estevão. Eu me preocupo com você porque bater a porta não é se dar o respeito, permitir que Estevão se despeça com  um beijo no rosto bem na minha frente e ainda pedir que ele lhe ensine um dom não é se dar ao respeito, não é me dar respeito! Você me decepcionou naquela hora, não esperava esse comportamento...

[size=32]- Sim, eu quero ficar no caern. Tenho obrigações aqui.[/size]

O tom de Alaín era ferozmente incisivo ao indagar:

- Isso significa que não vai me ajudar em meus projetos aqui então?

"Se ela não quiser me ajudar, terei que achar outras opções. Mas onde? É muito difícil ser um estrangeiro completo neste lugar. E ainda tenho que descobrir se ela pretende apenas não me ajudar ou também quer me sabotar..."

[size=32]- Vai depender de como se desenrolem as coisas com essa sua "protegida" russa e a tal mulher que supostamente deve "seduzir". Cada vez mais sinto que não quero, não posso, dividir você com ninguém. E que tampouco posso me sujeitar docilmente a tudo. Se eu souber que dormiu com qualquer uma das duas, acabou. [/size][size=32]- respondeu Maysa, no tom mais duro que Alain já tinha ouvido sair de seus lábios. [/size]

A dureza de Maysa Dibh provocou efeito igual em Alaín Bourbon D'Órleans. Ele falou de modo seco e duro, seus olhos cravados nos dela com determinação de prata:

- Tatiana Lunisvet continuará a ser minha protegida, é o meu dever para com a tribo e com Gaia. Assunto encerrado. Meu único interesse em Ameline Oberholzer é obter informações; se quiser saber sobre ela, fale com Alexander, ele parece saber tudo sobre ela. Não peço que se submeta a nada contra a sua vontade, por isso lhe explico os meus planos, meus projetos e conto exatamente o que passo; por isso eu peço sua ajuda em vez de exigir ou ordenar, e aceito sua recusa se for isso que deseja. Tampouco vou mentir para você, Maysa Dibh. Eu farei tudo que for necessário para ter sucesso nessa missão, e se alguma de minhas ações for do seu desagrado, eu mesmo as assumirei pessoalmente perante você e a liberarei de qualquer compromisso comigo.

"Parece que essa manhã estava mesmo destinada a ser de palavras duras...Chegamos a um impasse. Se ela não puder aguentar a vida como minha esposa, é melhor libertá-la. Gaia, eu não quero isso, mas é o certo a fazer, não? Se ela não puder me apoiar, será um peso constante em meu trabalho como garou. Não posso colocar os sentimentos dela à frente de minha devoção à Gaia!"

*@*@*@*@*@*@*@*@*@*

Alaín deixou a casa de Maysa antes do amanhecer escarlate dos trópicos. Ele a deixaria trabalhar e cuidaria de seus assuntos garous. 

Os negócios administrativos eram um território familiar e seguro para ele, e foi fácil reservar passagem de avião, estadia no hotel e conseguiu um lugar no restaurante para o evento beneficente.

Com os assuntos mundanos resolvidos, ele passou um tempo no centro do caern, harmonizando-se com as energias de Gaia e pacificando seu coração antes de sua missão.

À noite na Assembleia, ele deu pela falta de Anton. Sua sensibilidade política também acusava a tensão existente na seita. Não era apenas sua presença, havia um conflito em curso. Seria deselegante perguntar, mas ele observou os demais, tentando achar os focos geradores daquele espírito de discórdia.

O Festim foi breve, e Triunfo-de-Gaia não se esforçou muito nele. Estava economizando energias para sua jornada.

O vôo para Nice foi feito enquanto ele lia sobre a história de Fabergé, procurando pistas de Laforge. Também gastou um pouco de tempo pesquisando sobre Ducasse e a vertente gastronômica que ele seguia. Por último, informou-se sobre a campanha beneficente de que participaria. 

"É de bom tom saber a causa filantrópica ao qual estamos doando para não parecer ricos alienados..."

Ao aterrissar em Nice e pegar um carro até Montecarlo, ele aproveitou para atender as inúmeras chamadas que o aguardavam.

Uma era de Tatiana.

Spoiler:


Aquilo o fez sorrir pela primeira vez desde que acordara ao lado de Maysa.

"Tania é tão diferente de Maysa! Mesmo tendo visto o pior do mundo garou, ela permanece alegre e esperançosa, encontrando felicidade em coisas simples como nomear um cachorro. Starik... Ele é uma nobre criatura de Gaia, passou por muita coisa durante anos naquele lugar infestado pela Wyrm, estou contente em lhe dar algum tempo de tranquilidade e conforto antes que ele retorne à Gaia. E Tania está feliz com a companhia dele. Como pode ser boa uma vida simples, cheia de pequenos prazeres, até mesmo para aqueles que lutam na guerra contra a Wyrm! Porque Maysa não consegue ver isso?"

Olhar para a Tatiana, mesmo numa foto, era altamente instigante, um instinto primal entre garou e parente de raça pura que nunca sentira com Maysa. Ela o atraía, e sabia disso. Parecia estar esperando que ele tomasse a iniciativa.

Alaín respondeu:

Spoiler:

Quando Maysa perguntara, Alaín a liberara para se comunicar com ele quando quisesse. Mas ela se comunicara poucas vezes com ele durante o tempo em que estavam juntos. Mesmo a tarefa que ele lhe confiará não foi cumprida e Triunfo de Gaia foi obrigado a descobrir por si mesmo a situação atual da seita.

"Por que ela está agindo assim? Em vez de cultivar nosso amor, ela age para sufocá-lo com longos períodos de silêncio, cobranças impossíveis e atitudes provocadoras... Será que a perdi quando a coloquei em Fonte Fria? Vamos ver quantas vezes ela me escreverá durante essa missão..."

Desde que tinham ido para a faculdade, as gêmeas não falavam mais com ele com tanta frequência, estavam muito ocupadas bancando as jovens adultas independentes. Abel mantinha contatos discretos devido à sua posição no Parlamento, sempre evitando dar munição a acusações de misturar interesses pessoais com os da nação. As demais mensagens eram relativas às empresas, mais um pouco de trabalho à distância; felizmente, Alaín tinhas CEOs capazes de colocar as decisões dele em movimento sem precisar consultá-lo a todo momento, enviando somente dados consolidados. Isso permitia que Alaín decidisse o rumo de seus investimentos sem ocupar demais seu tempo.

Ao chegar ao hotel, Alaín percebeu que estava em cima da hora. 

Tomou um banho rápido e vestiu o terno que preparara para a ocasião. Sobre a camisa social preta, ele vestiu o terno e  gravata azuis de um tom quase negro, mas que brilhava como se tivesse pequenas estrelas piscantes no céu noturno.

"Não queremos chamar atenção demais, mas uma vez que a tenha despertado, assegure-se de não perdê-la!"

Triunfo-de-Gaia teve o cuidado de dedicar aquele traje, como precaução para o inesperado.

Pronto, Alaín desceu para o restaurante para começar sua missão.
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Re: Triunfo de Gaia - Monsieur Laforge

Mensagem por Lua em Qua Abr 12, 2017 2:13 pm

Enquanto ele se banhava, vestia e arrumava, a mente de Alain continuou trabalhando livremente em silêncio.

Spoiler:
Alain rolou 8 dados de 10 lados com dificuldade 7 para Compreender Maysa e obteve: 6 9 2 10 8 1 3 2
Alain obteve 2 sucessos!
Especialização: 5. Total: 2 sucessos

E, como costuma ocorrer, surpreendeu-o com insights sobre o relacionamento com Maysa que ele não havia pensado ou buscado.

A autocrítica não é um costume entre os presas de prata mas, ainda assim,  empatia e a mente analítica de Alain sugeriram-lhe pistas de onde estava falhando sua comunicação com Maysa, as quais poderiam ser úteis se ele quisesse manter o amor, ou mesmo a colaboração da parente.

Insights:
- Falar abertamente sobre ter filhos com outro parceiro assustaria qualquer namorado(a), mesmo sendo sem sexo e por dever a Gaia. Era difícil um parente aceitar de imediato e feliz. Talvez ele precisasse de mais tato e paciência.

- Não era uma boa política falar de um modo utilitarista de um parente para outro, mesmo sendo rivais, pois gerava a desconfiança de que ele também pudesse estar  sendo visto dessa maneira. Maysa sentiu que Alain estava falando de Tatiana como de uma reprodutora e isso a incomodou. A menção a uma "égua reprodutora" ofendeu-a, pois saiu da boca de Alain e não da dela. Maysa não se sentia assim de nenhum modo e a impressão que ficou foi de que isso era o que estava na mente de Alain.  O equívoco o fez parecer grosseiro.

- Maysa era inteligente e prestava atenção aos planos de Alain mais do que às suas palavras. Os planos deveriam ser ou ao menos parecer generosos com ela, senão as palavras bonitas não teriam efeito.

Os insights duraram uns segundos. Alain poderia aceitá-los ou não.

Quando terminou de vestir-se, Alain desceu ao lobby e caminhou em direção ao Le Louis XV.

Spoiler:

Era um esplêndido lugar, decorado de maneira clássica e com uma grande varanda, de onde se desfrutava de uma bela vista noturna de Montecarlo.

Alain foi encaminhado a uma das mesas centrais, debaixo do grande lustre. Sentiu que vários dos garçons olhavam-no com desconfiança, porém. Era a Maldição afetando os humanos de temperamento mais fraco.  

Enquanto olhava o MENU , Alain identificou a mesa em que estavam os benfeitores do Jardin Exotique,  entre eles os Oberholzer.  Ameline estava cercada por meia dúzia de senhores de idade, que pareciam hipnotizados por ela. Não sem motivo, Ameline era ainda mais bonita em pessoa, pois à sua aparência se somavam uma simpatia natural e a capacidade de ser atenciosa com várias pessoas ao mesmo tempo. Embora o instinto de Alain não lhe apontasse que ela fosse parente , Ameline tinha essa aura de autêntica nobreza que costuma conferir o "dinheiro velho", mesmo sendo plebéia.

Um pequeno incidente chamou a atenção do atento philodox. Muito discretamente, dois seguranças acompanhavam um homem portando uma câmera desde uma mesa próxima à dos Oberholzer até a saída. Um paparazzo certamente. Ameline seguiu-os com um olhar de quem já está acostumada. Alain lembrou-se da revista mostrada por Aleksandr. Aquela jovem era uma celebridade na Europa. Os olhares e as câmeras estariam sempre voltados para ela.

Ao contrário da expectativa de Alain e conforme havia informado Aleksandr, os benfeitores já tinham feito suas doações ao Jardin Exotique de Mônaco e o jantar era apenas uma comemoração particular entre eles, o que dificultava um pouco as coisas para Alain. Aproximar-se de Ameline sem incomodar aqueles vetustos cavalheiros seria o primeiro desafio da missão.

Alain pensava nisso quando entrou uma nova mensagem em seu celular.

Mensagem:

Maysa ainda não havia se comunicado.


Off:
Por enquanto não há nada relevante sobre Faberger ou Ducasse mas vou considerar que Alain tem informações de conhecimento público a respeito. O mesmo para a doação ao Jardin Exotique. Se não entrar em conflito com o que foi mencionado, pode fazer comentários a respeito que vou considerar válidos. Não se esqueça que agora as interações sociais são por rolagens. Acho que, no final das contas, isso vai beneficiar o personagem.
Você narrou um pouquinho quando disse que a Maysa comunicou-se pouco com ele durante o tempo em que estavam juntos. Em termos de jogo, a npc sempre esteve disponível para consultas do personagem.
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Re: Triunfo de Gaia - Monsieur Laforge

Mensagem por Alexyus em Qua Abr 12, 2017 9:33 pm

Aqueles pensamentos erráticos vinham na hora errada. Alaín precisava se concentrar na missão diante de si, e Maysa vindo à sua cabeça naquela hora era evidência de que aquilo estava afetando o presa de prata além da conta.

Alaín compreendia o incômodo de Maysa em falar de Tânia, mas se ela cobrava uma definição dele sobre a Lunisvet, então não poderia reclamar dos planos que ele formulava. Talvez o raciocínio lógico e utilitarista dele não fosse gentil ou romântico, mas ele tinha pouco tempo para tratar dessas questões antes de voltar ao fronte dá guerra por Gaia e não podia se dar ao luxo de dourar a pílula. E os planos dele a colocavam num lugar seguro, no comando de negócios promissores e com uma boa verba para se manter; isso era mais do que a maioria dos parentes tinham, mas ela parecia não dar valor a isso.

Finalmente ele conseguiu serenar sua mente e desceu para o restaurante do hotel. O luxo, o menu, tudo ali era impressionante, mas Alaín gostava de ambientes assim.

Acomodado numa das mesas centrais, ele pôde notar que os garçons não gostavam muito dele, um sentimento bem ruim para um comensal. Ele examinou o menu e fez logo o pedido para se livrar logo dos serventes:

- Eu quero  gamberoni, blue lobster , rum baba de sobremesa, acompanhados das harmonizações sugeridas pelo sommelier. Merci.    

Alaín ia desligar seu celular para concentrar-se na missão quando notou uma mensagem pendente de Tatiana. O que viu não lhe agradou.

"Uma fianna que eu não conheço...
Na escola de inglês? Eu pedi à secretária Jéssica que arrumasse aulas para Tânia, mas pensei num professor particular! Terei que ser mais ​claro dá próxima vez!
Que irritante! Terei que pedir um favor para cuidar disso, e vou ficar devendo uma...


Ele digitou rapidamente uma mensagem para Victória Consuelo-Real:

Fianna Francesca contatou Tatiana Lunisvet.
Favor descobrir quem é e quais intenções. Fico devendo-lhe um favor. Grato.

Ele respondeu Tânia com um emoji enigmático e em seguida concentrou-se em sua caçada.

Ameline parecia ser a única mulher abaixo dos 30 no salão, cercada por homens quase tão velhos quanto seu dinheiro. A retirada do paparazzo foi um alerta para que Triunfo de Gaia mantivesse a discrição e o Véu. Mas uma vez que os garçons já não gostavam dele, ele decidiu aproveitar a benção de Luna para seus propósitos.

Quando o garçom veio trazer-lhe os talheres, Alaín esbarraria a mão nele de modo a derrubar o garfo no chão. Ele supunha que o som disso ecoaria no salão e chamaria a atenção pela falha incomum de serviço num restaurante com estrelas Michellin. Ele não ralharia com o servente, apenas manteria um olhar altivo e feroz, afastando a vista do empregado à procura do olhar de Ameline.

Apenas uma breve encarada na moça, mesmo que à distância, serviria para transmitir sua natureza animal a ela. A menos que ela estivesse genuinamente apaixonada por outra pessoa, ela reconheceria nele o macho alfa ideal.

Se os homens velhos ao redor vissem nisso o predador superior que ele era, tanto melhor, pois ele teria menos obstáculos até ela quando decidisse abordá-la.
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Re: Triunfo de Gaia - Monsieur Laforge

Mensagem por Lua em Qui Abr 20, 2017 11:51 am

Enquanto o garçom se afastava com seu pedido, Alaín digitou uma mensagem para Victória Consuelo-Real.


Fianna Francesca contatou Tatiana Lunisvet.
Favor descobrir quem é e quais intenções. Fico devendo-lhe um favor. Grato.


Rolagem:
Alain rolou 5 dados de 10 lados com dificuldade 6 para Manobra Especial e obteve: 10 6 5 5 3
Alain obteve 2 sucessos!

Victória conhecia Alain superficialmente* mas a fama da pureza racial do rapaz pesou. Ela respondeu que iria verificar em seguida.

Tatiana respondeu o emoticon de Alain com um outro, de língua para fora, e despediu-se.

Alain observou novamente o salão. Depois da impressão inicial, motivada pelos seis idosos que acompanhavam Ameline, verificou que a composição dos clientes do restaurante não diferia da de qualquer hotel de luxo em uma cidade turística. Havia famílias em férias, um homem de negócios bebendo sozinho, provavelmente a espera de seu interlocutor, casais e alguns grupos de amigos jantando animadamente antes de ir desfrutar do cassino.

Quando o garçom voltou com os talheres adequados aos gamberoni e à lagosta, Alain pôs em marcha seu plano.

O garçom era bem treinado mas a destreza de Alain e o medo instintivo que estava inspirando preponderaram e o talher caiu no chão antes que o homem o aparasse. Não fez um estrondo, como Alain imaginou. pois o piso do restaurante era suave mas ainda assim chamou a atenção de Ameline. Talvez a jovem também já tivesse notado o assustador e bonito rapaz que jantava sozinho… (dif. -1 no teste de atração animal)

Os olhos dos dois se encontraram enquanto o garçom se afastava, murmurando discretos mas repetidos pedidos de desculpa.

Rolagem:
Alain rolou 6 dados de 10 lados com dificuldade 4 para Manobra Especial e obteve: 6 7 9 1 8 3
Alain obteve 3 sucessos!

Uma chispa surgiu entre os dois. Ameline desviou o olhar mas Alain observou como ela passava a mão nos cabelos enquanto voltava sua atenção aos idosos que a cercavam.  O contato estava feito.

Quando o garçom estava voltando com novos talheres o celular de Alain voltou a soar. Ele tinha intenção de apagá-lo mas não o havia feito ainda. Era uma mensagem de Maysa desta vez.

Mensagem:


* não é aliada nem contato.
** o teste de atração é prolongado. Alain tem que acumular 4 sucessos, que é força de vontade de Ameline, 5, diminuída em 1 porque ela já estava atraída pela aparência física dele.
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Re: Triunfo de Gaia - Monsieur Laforge

Mensagem por Alexyus em Dom Abr 30, 2017 8:40 am

Alaín sabia que ficar devendo​ favores para uma das mais renomadas presas de prata de Vancouver o levaria a novas missões arriscadas, mas não tinha alternativa. Victoria e seu irmão eram os Presas de prata de maior posto e os únicos a quem apresentará Tatiana. Teria de contar com ela.

Alaín percebeu que estava conseguindo provocar Ameline, agora precisava dar o próximo passo. Chamou o garçom, pediu uma garrafa do vinho mais refinado que encontrou no menu e pediu que fosse entregue à mademoiselle Orberholzer acompanhada de um bilhete que escreveu num guardanapo:
Nem todas as flores do Jardim Exotique podem comparar-se à sua beleza. Um brinde a ela!

Era o tipo de galanteio simples mas efetivo, que atrairia a atenção de Ameline de volta a ele. Enquanto o maitre ia buscar a garrafa, Alaín respondeu rapidamente a mensagem de Maysa:
De tout les garous de Fonte Fria, Laura é a que eu mais confio. Ela pode te explicar as coisas de um jeito que eu talvez não consiga. Apóie-se nela e não confie em Estevão, ele tem motivos para não querer minha presença no Brasil​. Laura me deu uma tarefa que me segurará por um tempo aí em Fonte Fria depois dessa missão. Se você não quiser sair do haras, eu encontrarei outro meio de seguir com meus planos.
Concentre-se em pensar em nós e no que você quer para nossa relação.

Assim, Alaín desligou o celular e concentrou-se no desafio à sua frente. Quando Ameline recebesse o bilhete e olhasse em sua direção novamente, ele ergueria seu cálice num gesto de brinde em direção à ela.
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Re: Triunfo de Gaia - Monsieur Laforge

Mensagem por Lua em Qua Maio 10, 2017 10:34 am

O vinho foi recebido na mesa dos benfeitores do Jardin Exotique com desconfiança por parte dos cavalheiros e um ligeiro sorriso de Ameline — obviamente, uma mulher acostumada aos galanteios.

Enquanto os homens olhavam com aprovação para o rótulo e esquadrinhavam a aparência de Alain em busca de sinais que confirmasse sua posição social, a jovem dedicou-lhe um breve e charmoso olhar.

Rolagem:
Alain rolou 6 dados de 10 lados com dificuldade 4 para Manobra Especial e obteve: 7 3 3 7 6 2
Alain obteve 3 sucessos!

Alain fez um brinde e Ameline sorriu diretamente para ele. Havia um brilho de excitação em seu olhar. Sem afastar seus olhos dos de Alain, ela recebeu a taça que lhe estendia o maitre e inspirou delicadamente o aroma do vinho. Em seguida levou-a aos lábios e sorveu um pequeno gole, deixando transparecer com sutileza o prazer que a bebida lhe provocava. Suas bochechas estavam rosadas e Alain sabia que não era devido ao álcool. Ameline pousou a taça e se ajeitou na cadeira com um movimento gracioso, que não lograva ocultar a impaciência de seu corpo.

Já estava fisgada.

Os pratos chegaram e estavam deliciosos. A delicada carne da lagosta, regada por um molho esplendidamente aromático…

Spoiler:


…despertou os sentidos de Alain, lembrando-lhe que a vida é bem mais do que luta e esforço e está repleta de presentes deixados por Gaia. A fêmea jovem e bela, ansiosa por ele e disponível a poucos passos de distância acordou em Alain o Lobo que, insensível a quaisquer convicções morais que ele tivesse,  espreguiçou-se varado por um apetite que, dessa vez, não era de sangue.

As sensações de Alain foram interrompidas pela conta que chegava na mesa dos Oberholzer. Um dos idosos ajudou, cavalheirescamente, Ameline a levantar-se mas a atenção dela era só para Alain. Enquanto caminhavam para fora do salão, ela pouco a pouco foi se deixando para trás. A porta envidraçada se abriu e o grupo passou; Ameline por último. De relance, Alain pode ver que um homem bem vestido estava parado do lado de fora, fingindo consultar o relógio.
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Re: Triunfo de Gaia - Monsieur Laforge

Mensagem por Alexyus em Seg Maio 15, 2017 5:49 am

Alaín estava regalado com as boas sensações da vida. Boa comida, bom ambiente, pelo menos a expectativa de uma boa mulher... Gaia era boa! O mundo estava cheio de prazeres a serem desfrutados, e mesmo um rei guerreiro dos garous podia se dar a esse luxo de vez em quando.

Estava tão satisfeito que seu sorriso para Ameline foi realmente sincero. Uma mulher bonita, refinada, atraída por ele mesmo cercada por outros homens, o Lobo Rei dentro de Alaín estava pronto para avançar sobre a presa.

"Ela já é minha, e os velhos querem saber para quem perderam. Embora eu seja descendente de antigas famílias nobres européias, faz séculos que os da minha casa se estabeleceram na América. Como eu sou low-profile, ao contrário da nossa amiguinha midiática, os velhinhos continuarão sem pistas...

Mas então a conta deles chegou! Alaín esperava ter ganho tempo com o vinho, mas não foi o suficiente. Precisaria abordá-la agora ou a perderia. Pegou um dos cartões do hotel e escreveu rapidamente seu nome, o número da suíte em que estava e seu telefone.

Fez um aceno para o garçom enquanto se levantava.

- Excusez-moi, mon ami! Un deuxième retour!

Alaín desfilou pelo salão com toda a imponência que ele tentava conter quando estava com outros garous, mas ali estava em seu elemento. Mesmo que Ameline estivesse claramente ficando para trás enquanto focava nele, e que o maior dos seguranças dela não fosse tão maior que Alaín, Triunfo de Gaia fazia tudo com perfeição e invocou o dom Domínio Eminente enquanto se dirigia diretamente à mademoiselle Oberholzer.

Ele aproximou-se um pouco mais do que a boa etiqueta aconselhava, ficando próximo ao corpo dela mas ainda sem tocar, e falou num voz suave e sussurrada, embora audível a qualquer um que tentasse ouvir:

- Bonne nuit, mademoiselle! Eu desejo vê-la de novo...em privado. Pode me encontrar aqui no momento que desejar... - e entregou-lhe o cartão.

Com um último sorriso e um olhar penetrante, Alaín voltou à sua mesa para terminar o jantar. Tinha decorado os rostos de todos os homens ao redor de Ameline, qualquer um deles podia ter a pista que estava procurando, e nem mesmo o cavalheiro impaciente que olhava o relógio passou despercebido ao atento phillodox. Se o encontrasse novamente, ele o reconheceria.

O resto do jantar não ocuparia mais de uma hora, e Alaín tinha o palpite de que Ameline o procuraria ainda naquela noite. Portanto ele ligou novamente seu celular e deixou-o de prontidão. Se Ameline, Victoria, Tatiana ou Maysa quisessem lhe falar, ele estaria a postos, saboreando o excelente repasto do chefe Ducasse.
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Re: Triunfo de Gaia - Monsieur Laforge

Mensagem por Lua em Sex Maio 19, 2017 11:59 am

As sensações de Alain foram interrompidas pela conta que chegava na mesa dos Oberholzer. Um dos idosos ajudou, cavalheirescamente, Ameline a levantar-se mas a atenção dela era só para Alain. Enquanto caminhavam para fora do salão, ela pouco a pouco foi se deixando para trás. A porta envidraçada se abriu e o grupo passou; Ameline por último. De relance, Alain pode ver que um homem bem vestido estava parado do lado de fora, fingindo consultar o relógio.


Alaín desfilou pelo salão com toda a imponência que ele tentava conter quando estava com outros garous, mas ali estava em seu elemento. Mesmo que Ameline estivesse claramente ficando para trás enquanto focava nele, e que o maior dos seguranças dela não fosse tão maior que Alaín, Triunfo de Gaia fazia tudo com perfeição e invocou o dom Domínio Eminente enquanto se dirigia diretamente à mademoiselle Oberholzer.


Spoiler:
Alain rolou 7 dados de 10 lados com dificuldade 7 para Manobra Especial e obteve: 6 3 4 2 7 2 10
Alain obteve 2 sucessos!
Especialização: Alain rolou 1 dados de 10 lados com dificuldade 7 para Manobra Especial e obteve: 3

Aqueles velhos milionários não eram homens facilmente impressionáveis mas, ainda assim, a aproximação de Alain causou-lhe certo desconcerto, impedindo uma reação.


Ele aproximou-se um pouco mais do que a boa etiqueta aconselhava, ficando próximo ao corpo dela mas ainda sem tocar, e falou num voz suave e sussurrada, embora audível a qualquer um que tentasse ouvir:

- Bonne nuit, mademoiselle! Eu desejo vê-la de novo...em privado. Pode me encontrar aqui no momento que desejar… - e entregou-lhe o cartão.


Nesse momento um pequeno brilho de flash saiu do relógio do homem bem vestido que estava diante deles. Os cavalheiros eram demasiado idosos para perceber a artimanha tecnológica mas os olhos atentos de Alain a captaram. Ameline também entendeu o que tinha ocorrido mas não se importou, ao contrário, deu uma pequena risada, divertindo-se com o empenho que aquele paparazzo pusera em conseguir-lhe uma foto.

Enquanto o paparazzo se afastava, Ameline passou os olhos pelo cartão, sem dizer nada.

Ne soyez pas impertinente, monsieur! — disse o senhor Oberholzer para Alain, diante de expressões afirmativas dos demais cavalheiros. Depois censurou Ameline em monegasco. A jovem não retrucou, tampouco mostrou-se preocupada com a repreensão do avô.

****

Mais tarde, chegou uma mensagem de Victória Consuelo-Real:

"Francesca 'Riso de Luna' Lazaretti, ragabash. Pertence à matilha Bardos de Gaia, formada só por galliards e ragabashs. Têm fama de bebedores e arruaceiros. Aparentemente Francesca só quer amizade com Tatiana mas, se você quiser, posso mandar um parente de nossa tribo ficar de olho nelas."
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Re: Triunfo de Gaia - Monsieur Laforge

Mensagem por Alexyus em Dom Maio 21, 2017 2:52 pm

Alaín não se preocupou com a repreensão do avô de Ameline. Sua intenção era mesmo ignorá-lo, pois essa era a melhor forma de chamar-lhe a atenção. Se ele tivesse alguma relação com Leforge, Alaín teria de começar a trabalhar a partir daí.

"A avaliação de Aleksander foi exata, o perfil psicológico dela é exatamente o que ele descreveu. Vamos ver se consigo usar isso para progredir de algum jeito..."

Alaín terminou sua refeição, fez o pagamento, elogiou o chef e saiu do restaurante. Voltou à sua suíte para esperar para descobrir se conseguira ter a sorte ao seu lado naquela noite.

Quando recebeu a menagem de Victoria, ele estava vigiando o celular.

Spoiler:
"Francesca 'Riso de Luna' Lazaretti, ragabash. Pertence à matilha Bardos de Gaia, formada só por galliards e ragabashs. Têm fama de bebedores e arruaceiros. Aparentemente Francesca só quer amizade com Tatiana mas, se você quiser, posso mandar um parente de nossa tribo ficar de olho nelas."

"Farristas, hum. Não sei o quanto isso pode ser perigoso para Tania. É melhor agir rápido!"

Alaín digitou a resposta para Victoria e enviou:

Faça isso, por favor. Voltarei assim que puder.

Logo em seguida, ele mandou uma mensagem para Tatiana:

Você está sendo seguida. Pedi para Victoria descobrir o que está havendo. Até lá, evite sair sem necessidade. Peça a Jessica um professor de inglês particular. Fique segura. Volto logo!

Alaín sabia que Tania não ia gostar, poderia ficar alarmada e muito contrariada, mas não era da natureza de Triunfo-de-Gaia deixar as coisas escaparem de seu controle.
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Re: Triunfo de Gaia - Monsieur Laforge

Mensagem por Lua em Seg Jun 05, 2017 12:50 pm

Alaín terminou sua refeição, fez o pagamento, elogiou o chef e saiu do restaurante. Voltou à sua suíte para esperar para descobrir se conseguira ter a sorte ao seu lado naquela noite.


Quando Alain aproximava-se de sua suíte foi abordado por um funcionário do hotel com uma expressão entre  altiva, solícita e assustada. O homem explicou-lhe que houve um pequeno contratempo e Alain seria trasladado para a suíte Winston Churchill, o qual figurava como indisponível por ocasião da reserva.

O luxuoso aposento ficava no oitavo piso e tinha entrada privativa. Entre os mimos de boas-vindas —  que incluíam uma limousine à disposição para passear pelo resort  e acesso vip a espetáculos, termas e ao cassino de Monte Carlo — havia uma garrafa de Champagne e morangos. Sob a garrafa, Alain encontrou o cartão que havia entregado a Ameline, acrescido de algumas linhas escritas em tinta azul:

“Desculpe o pequeno incômodo e desfrute-o. Anseio descobrir se a boa noite de sono aguçará sua gentileza ou se, ao contrário, minha ousadia será ferozmente castigada. Nos vemos pela manhã. A.O.”.

Ao ver que havia chegado resposta de Victoria, Alain aceitou a oferta de vigilância e  enviou uma mensagem a Tatiana.


Você está sendo seguida. Pedi para Victoria descobrir o que está havendo. Até lá, evite sair sem necessidade. Peça a Jessica um professor de inglês particular. Fique segura. Volto logo!


Esta respondeu imediatamente:

"Ok. Fiquo segura. Quem me seguindo? Quando sabe me fala. Eu estuda com Francesca e amigos amanhã, no podo no ir. Não preciso professor. Eu gosto escola e colegas. Eles são garous e me cuidam! Volta logo, você me cuida…"

----

Alain despertou com o som das gaivotas, o cheiro do mar e o sol que atravessava as portas de vidro da bela suíte.

SUITE CHURCHILL

Mal havia pedido o desjejum, recebeu o aviso de que mademoiselle Oberholzer havia chegado. Pouco depois ouviu baterem à porta. Era ela.

E era deslumbrante.

Ameline vestia um casaco leve de alta costura. Saudou Alain com um sorriso e, a seu convite, entrou.  

Quando Alain ajudou-a a tirar o casaco, viu como o vestido finíssimo de seda que usava, mesmo sem aderir a seu corpo,  mostrava suas belas curvas. O movimento de tirar o casaco fez o cabelo liso de Ameline cair para um lado, o que revelou  a pele aveludada dos ombros e a base da nuca, de onde saía uma linha de suaves pelos dourados que guiava o olhar costa abaixo uns centímetro,  até ser coberta pelo vestido. Que a vista corresse desse ponto até os quadris bem formados era inevitável.

Ameline virou-se de frente. O vestido floral deixava a mostra os braços e as pernas e o "v" do decote novamente brincava com o olhar. Não era  profundo mas a seda fina deixava adivinhar as formas perfeitas dos seios, cobertos por nada mais que o vestido. O olhar de Alain se deteve uns segundos aí. Não só pela beleza dos seios  mas pelo que havia entre eles: um pequeno pingente azul em formato de ovo, contendo a figura de uma lua cheia de prata semi-oculta por nuvens de ouro.

Antes que Alain comentasse algo, Ameline aproximou-se. Ela havia adiado seus impulsos até ali mas já não podia aguentar. Com seus olhos azuis pousados nos de Alain, chegou um pouco mais perto e enlaçou seu pescoço com os braços. Colou seu corpo delicado no dele e sussurrou:

— Você me dá medo e isso me atrai…

Em seguida, Ameline  cerrou os olhos e, com um leve suspiro, ofereceu os lábios entreabertos a Alain,  suplicando ser beijada.
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Re: Triunfo de Gaia - Monsieur Laforge

Mensagem por Alexyus em Dom Jun 18, 2017 10:55 pm

Alaín não se incomodou com a troca de quarto. Aquela demonstração de poder de Ameline lhe parecia uma forma de  resguardar a privacidade deles, retribuir as atenções que ele lhe prestara e também tentar assumir o controle da situação de certo modo. O bilhete era provocativo, com insinuações bastante óbvias. Como um gato farejando um rato, ele se dispôs a esperar até a manhã.

O aviso de mensagem no celular denunciou a resposta de Tânia. Ele a leu e pensou um pouco antes de responder. Não deveria fazer com que Tatiana baixasse a guarda, mas não poderia incentivar uma paranóia. Enfim escreveu:
Pedi à Victoria que mandasse alguém de confiança para vigiá-la.
Logo descobriremos o que está havendo e restauraremos sua segurança. Tente não se arriscar com outros garous, nem todos são bons em proteger. Você é muito importante para mim, então cuide-se o máximo possível. Farei o máximo para voltar rápido.

SUITE DE MANHÃ

Alaín pediu o desjejum mas Ameline chegou antes dele. Provavelmente dormira mais cedo do que sua rotina boemia a acostumada. Alaín agiu como o cavalheiro que era, e ela parecia esperar isso. Ele a observava, avaliando cada detalhe de sua indumentária, e o pingente não lhe escapou da atenção, mesmo com com a moldura bela e provocante dos seios dela.

— Você me dá medo e isso me atrai…    

Alaín não perdeu tempo falando. Nem pensou em Maysa ou qualquer outra distração. Ele precisava conquistar Ameline para avançar em sua missão.

Quando ela o enlaçou pelo pescoço e colou seu corpo perfeito no dele, Alaín agarrou-a pela cintura e beijou-a com a mesma fome que via nela. Ele já tinha alguma habilidade nesse campo e fez seu melhor para que Ameline percebesse que estava diante do maior macho alfa de sua vida.

O primeiro beijo foi quase romântico mas já bastante lascivo. Os seguintes foram mais e mais eróticos, enquanto Alaín prensava o corpo dela contra todas as paredes a caminho da cama.

Uma vez que a tivesse deitada sob seu corpo, Alaín concentraria-se em dar prazer à Ameline para reforçar sua imagem de amante perfeito. Usando todas as técnicas que conhecia, ele a conduziria num orgasmo após outro, descobrindo-lhe as zonas erogenas, os pontos sensíveis e as posições preferidas, e usando tudo isso para levá-la ao êxtase. Quando ela já estivesse mais que satisfeita, Alaín iria possui-la como o predador que era, com força e virilidade, incansável, até exaurir as forças da princesa dos Oberholzer.

Após a maratona sexual, que provavelmente ocupariam a manhã toda, ele acalentaria o corpo dela junto ao dele, dando-lhe conforto e segurança enquanto ela se recuperava. Como se fosse simples conversa de cama, ele comentaria:

- Você é inacreditável, Ameline. Além de linda, inteligente e gostosa, conseguiu me impressionar na cama. Adoro como cuidou de cada detalhe para a ocasião, e de como se vestiu especialmente para mim. Seu pingente por exemplo, me faz lembrar de coisas antigas da minha família que eu nunca mais encontrei em lugar nenhum do mundo. Você precisa me apresentar seu joalheiro, assim posso escolher seus adornos quando quiser impressioná-la de novo...
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